Honda vai reduzir linha de carros nacionais. Veja quais morrem

Enquanto o Fit será descontinuado, Civic só tem chances de sobreviver como importado. Marca trará um novo hatch e trocará a geração dos demais modelos
Por Leonardo Felix
15.06.2021 às 14h:34 • Att. há cerca de 11 meses
Enquanto o Fit será descontinuado, Civic só tem chances de sobreviver como importado. Marca trará um novo hatch e trocará a geração dos demais modelos

Já não é mais tão segredo assim que a Honda promoverá mudanças profundas em sua gama de modelos produzidos e comercializados no Brasil. A Mobiauto, por exemplo, noticiou em primeira mão que o inédito City hatch chegará para matar o monovolume Fit. O Civic nacional, de acordo com o site Autoo, também está com os dias contados.

Nesta semana, em entrevista a jornalistas de economia, incluindo o site Automotive Business, de quem extraímos a declaração, o novo presidente da Honda América do Sul, Atsushi Fujimoto, confirmou que a fabricante não fechará as fábricas de Itirapina e Sumaré (ambas no Estado de SP), e que tem um novo plano de investimentos para o país.

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Mas, para isso, vai reestruturar e enxugar sua gama de automóveis fabricados localmente. “Teremos de fazer investimentos, que ainda não podemos divulgar, para lançar novos produtos que vão seguir a mesma estratégia global da Honda de segurança, meio ambiente e conectividade. Não posso adiantar nosso programa de lançamentos, mas está nos planos a redução da linha de carros”, afirmou.

Se Fujimoto não quis adiantar muita coisa, nossa reportagem faz o trabalho e te adianta quais modelos vão sobreviver e quando serão renovados, e quais devem ser retirados de linha. Confira:

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City Sedan – troca de geração no fim de 2021

Enquanto o Fit será descontinuado, Civic só tem chances de sobreviver como importado. Marca trará um novo hatch e trocará a geração dos demais modelos

O primeiro produto dessa nova fase da Honda no Brasil será a sétima geração global (e terceira nacional) do sedan City. Nós, inclusive, já contamos os detalhes sobre ele: utilizará uma variante simplificada da plataforma do Fit de quarta geração (oferecido em outros mercados, mas longe do Brasil), já oferecida em mercados asiáticos como a Tailândia.

Sua missão será brigar com VW Virtus e Chevrolet Onix Plus no segmento de sedans compactos-médios premium. Por isso, suas dimensões serão ampliadas em 9,4 cm no comprimento (para 4.549 mm), 5,4 cm na largura (para 1.748 mm) e 0,4 cm na altura (para 1.489 mm), sem mexer nos 2.600 mm de entre-eixos. Só o porta-malas será reduzido de 536 para 506 l.

Para quem esperava ver o novo City sedan nacional com motor turbo, ele na verdade deve estrear no país uma nova variante da família BS6 1.5 quatro-cilindros flex com injeção direta, só que aspirada e potência entre 130 e 150 cv. A Honda, inclusive, já trabalha para adaptá-la às normas de emissões do Proconve L7, que entrem em vigor a partir do ano que vem.

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City hatch – estreia no começo de 2022

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Na sequência do irmão sedan, o inédito City hatch marcará sua estreia no mercado brasileiro logo no primeiro trimestre de 2022. Terá a mesma distância entre eixos e compartilhará com o três-volumes praticamente toda a carroceria do balanço dianteiro até as portas laterais traseiras, diferenciando-se apenas no caimento do porta-malas.

Por isso mesmo ele foi escolhido para substituir o Fit, que, apesar de usar a mesma plataforma Global Small Car do City, possui uma carroceria totalmente diferente. Com o City hatch, o índice de carryover (utilização de um mesmo componente por mais de um modelo) será ainda maior, o que significará uma redução de custos importante para a empresa em desenvolvimento e produção.

Para assumir o lugar do Fit, o City hatch manterá o sistema Ultra Seat, de bancos mágicos e modulares, mas receberá o mesmo motor 1.5 aspirado de injeção direta do City sedan. Em ambos os casos, o câmbio deve ser manual ou CVT com simulação de marchas, e a produção ocorrerá em Itirapina (SP).

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Fit – fim de linha para ele

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O Fit, por sua vez, será retirado de linha com a chegada do City hatch. A produção deve ser encerrada em dezembro de 2021, quando a Honda completará a transição de todas as suas linhas de montagem de carros em Sumaré para Itirapina. 

Como o Fit será descontinuado, não valerá a pena fazer a transição de sua produção para o novo complexo. Aliás, apenas a produção do monovolume, do City e do Civic seguem em Sumaré. Enquanto o sedan compacto migrará para Itirapina com a troca de geração, os outros dois permanecerão na fábrica mais antiga até a morte.

O complexo de Sumaré será mantido para produção dos motores BS6 1.5 aspirado flex e 1.5 turboflex, além de fundição e usinagem, injeção plástica, ferramentaria, engenharia da qualidade, planejamento industrial e logística, centro de P&D (Pesquisa & Desenvolvimento), centro divisão de peças, centro de treinamentos e sede administrativa.

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Civic – se sobreviver, será como importado

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Da mesma forma, a produção nacional do sedan médio Civic será finalizada assim que a Honda fechar as linhas de Sumaré, no fim deste ano. Com a apresentação da 11ª geração no exterior, é possível que a marca mantenha o icônico modelo vivo em nosso mercado através de importação via México, com lançamento em meados de 2022.

Inclusive, há chances de o novo Civic importado ser um dos três modelos híbridos que a Honda promete vender no Brasil até 2023, junto do já confirmado sedan grande Accord e do SUV médio CR-V.

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HR-V – troca de geração no fim de 2022

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O SUV compacto HR-V, que está em sua primeira geração no Brasil, já teve sua produção transferida para Itirapina. Com isso, terá fôlego para mais um ano de produção antes de trocar a carroceria e a plataforma, no segundo semestre do ano que vem. O visual, com grade mais aberta e caimento da carroceria ao estilo cupê, será o mesmo apresentado em outros países.

Construído sobre a mesma matriz dos novos City sedan e hatch, o novo HR-V traz uma distância entre eixos ligeiramente maior, 2.610 mm, mas com demais dimensões robustecidas para ter um porte maior. No Brasil, terá o motor BS6 1.5 turboflex de mais de 170 cv com etanol, aliado sempre a um câmbio CVT com simulação de marchas.

Ainda não está certo se as versões mais básicas do SUV contarão com o propulsor 1.5 aspirado de injeção direta ou se este será destinado apenas à linha City.

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WR-V – sobrevive até 2023. E depois?

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Diferentemente do Fit, o WR-V será mantido em linha. Chega a ser uma ironia, visto que o SUV pequeno é derivado diretamente do monovolume, de quem herda toda a mecânica, a plataforma e até boa parte da estrutura, recebendo apenas mudanças visuais na dianteira e na traseira, além de reforços nas suspensões.

Mas o fato é que o WR-V seguirá vivo, pelo menos até 2023, conforme prevê o ciclo de existência desta geração. A transição de sua linha de Sumaré para Itirapina atesta isso. O ponto é: haverá um sucessor? A Honda já trabalha em uma nova geração do SUV pequeno, aproveitando a mesma base de City, City hatch e HR-V, mas o projeto ainda depende de aprovação. Se vier, será só daqui a dois ou três anos.

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