As surpresas de dirigir um carro elétrico pela primeira vez

Avaliação: Nissan Leaf é amigo do meio ambiente, mas carregamento lento e autonomia baixa fazem do hatch um inimigo dos apressados
Por Renan Bandeira
24.06.2021 às 14h:34 • Att. há cerca de 1 mês
Avaliação: Nissan Leaf é amigo do meio ambiente, mas carregamento lento e autonomia baixa fazem do hatch um inimigo dos apressados

Os conservadores sempre olham com desconfiança para os carros elétricos e preferem nem conhecer o veículo, principalmente por causa dos preços altos. Esses são dois dos motivos para modelos assim demorarem para engrenar no mercado, mas essa realidade deve mudar em breve.

As leis de emissões estão cada vez mais rígidas e, para se adequar às normas em um futuro próximo, a maior parte dos veículos terá de contar com algum sistema elétrico, seja total ou parcial, para emitir menos poluentes - como no caso dos híbridos.

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Enquanto essa popularização não acontece, uma forma de quebrar o gelo e o preconceito com os eletrificados é levá-los até as pessoas. Foi isso que a Mobiauto fez: colocamos o Nissan Leaf nas mãos de três pessoas que nunca haviam entrado em um carro elétrico antes. Veja as impressões:

1) Roberto Eduardo (50 anos, metalúrgico, proprietário de um Chevrolet Astra Expression 2.0 2002):

“Sempre tive a impressão que carro elétrico era sem potência, mas isso mudou depois de andar no Leaf. O torque imediato e o desempenho foram as características que mais gostei, e que fizeram o carro superar as expectativas, junto do acabamento interno e do visual.

O ponto negativo é o motor silencioso. Assim que entrei no carro, achei um pouco estranho por não fazer barulho. Isso é um pouco perigoso no dia a dia, principalmente com pedestres desatentos.”

2) Fernanda Pardo (23 anos; assistente de marketing; proprietária de um Fiat Argo Drive 1.0 2019):

“Não entendia nada de carro elétrico e sempre achei algo futurista. Quando entrei no Leaf, fiquei impressionada. É muito diferente do carro convencional, principalmente pelo motor silencioso e por não saber quando ele está ligado.

O principal ponto positivo é esse conforto de não haver barulho, que é uma das coisas que mais gosto nos carros. Gostaria de ter um elétrico, porém fico receosa com o abastecimento, onde carregar e se é demorado.”

Avaliação: Nissan Leaf é amigo do meio ambiente, mas carregamento lento e autonomia baixa fazem do hatch um inimigo dos apressados

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3) Bárbara Lira (22 anos; jornalista; proprietária de um Honda Fit DX 1.5 2006):

“No começo é um pouco estranho, não dá para saber se o carro está ligado. Fiquei insegura com a autonomia por não saber até quando ele aguenta, onde dá abastecer, se no destino tem um posto de recarga.

O que mais gostei foi o visual, que não foge muito do convencional, não é um carro futurista, é um carro normal. Além disso, ele anda super bem. Porém, acho o Leaf muito caro para os itens que entrega.”

E nós, o que achamos do Nissan Leaf?

A versão testada é a única do Leaf no Brasil e custa R$ 277.990. A etiqueta é alta, mas ainda assim o Nissan é um dos carros elétricos mais baratos vendidos por aqui - veja a lista

Durante os testes, todos os participantes ficaram surpresos com o desempenho do veículo, mas questionaram preço, carregamento, custo de manutenção e a durabilidade da bateria.

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A experiência de guiá-lo por algumas horas, de fato, não é a mesma de seu uso diário. Esta foi a primeira vez que testei um carro elétrico por tantos dias seguidos.

Os principais pontos positivos do Leaf estão relacionados ao desempenho e dinâmica de condução, mas sua autonomia e as recargas podem ser duas dores de cabeça. Entenda:

Autonomia, carregamento e consumo

Quando o assunto é “carro elétrico”, as maiores preocupações estão relacionadas à autonomia e ao carregamento da bateria do veículo.

Primeira observação: rodar com um veículo elétrico requer planejamento. Diferente de um convencional a combustão, que você reabastece em qualquer posto de combustível, o elétrico pede uma pesquisa sobre a localização dos postos de recarga da cidade.

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Principalmente quando se trata de um veículo de pouca autonomia, como é o caso do Nissan Leaf. Seu banco de baterias de 40 kWh oferece apenas 240 km de autonomia na medição americana NEDC, segundo a Nissan. A fabricante promete a meta mais elástica de 389 km em ciclo 100% urbano no mesmo critério de medida.

Já o renovado Renault Zoe, por exemplo, que também foi avaliado pela Mobiauto, tem 385 km de autonomia no ciclo WLTP, um dos mais rigorosos critérios de medição, geralmente adotado como padrão na Europa.

Além de ser uma quilometragem baixa, o valor estipulado não é uma garantia, pois depende do pé do condutor. Como nos veículos a combustão, quanto mais você pisa, mais o carro consome energia e reduz a autonomia. Portanto, é bom aliviar no pedal se quiser chegar ao destino com o Leaf.

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Com isso, o Nissan se torna um boa opção para trajetos curtos como casa-trabalho ou trabalho-casa, mas desde que tenham carregadores rápidos nas duas localidades. A marca japonesa fala em três tipos de carregamentos (todos eles com a observação de que as condições da temperatura e carregador podem modificar o prazo):

Carregador portátil (6,6 kW): 100% (40 kW) em até 20 horas;

Wall box (6,6 kW): 100% (40 kW) em até 8 horas; 

Recarga pública rápida (50 kW): 80% em até 40 minutos.

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Na prática, a recarga rápida passou mais perto de cumprir com o prometido e levou duas horas para carregar 60% da bateria - satisfatório para quem quer deixar o carro ligado na corrente enquanto está no trabalho. 

Já em tomadas residenciais do tipo 110V, para carregamento de emergência, o Leaf levou cansativas 34 horas para carregar os mesmo 60%. Esse período de espera se torna estressante, principalmente se houver algum compromisso. Por isso, é importante salientar: carro elétrico ainda pede planejamento.

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O que ameniza essa questão é o gasto com as recargas. Diferentemente dos mais de R$ 250 cobrados por um tanque de 50 litros de gasolina, alimentar toda a bateria do Leaf custa apenas R$ 14,40. E olha que estamos calculando com base no preço atual do kWh cobrado no Estado de SP, que está em bandeira vermelha. 

Desempenho e dirigibilidade

Abrir o capô e não ver bloco, cabeçote, diversas mangueiras e circuitos é diferente, mas o motor elétrico de 110 kW não deixa a desejar: são 149 cv e 32,6 kgfm de torque gerenciados pelo câmbio de marcha única e infinita.

Ele tem potência equivalente e é mais “torcudo” que o Chevrolet Cruze Sport6, com o qual seria rival se fosse a combustão. O motor 1.4 turboflex com injeção direta do Chevrolet rende 150/153 cv (gasolina/etanol) e 24/24,5 kgfm. 

O conjunto elétrico faz o Nissan acelerar de 0 a 100 km/h em apenas 7,9 segundos e atingir a máxima de 144 km/h, sendo 1,1 segundo mais esperto que o Cruze hatch mesmo com 200 kg a mais e sem usar uma gota de combustível.

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O peso elevado em relação ao de veículos a combustão é por causa do banco de baterias. Pode parecer desfavorável, já que ele poderia ter um desempenho ainda melhor nas acelerações e retomadas, mas a dinâmica de condução fica ainda mais interessante devido ao aprimoramento do centro de gravidade do hatch com a bateria apoiada no assoalho.

Isso ajuda na dirigibilidade, principalmente em curvas, já que o peso entre os eixos deixa o veículo mais assentado e colado no chão, com maior aderência ao percurso e sem dar a famosa “esparramada”.

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E a verdade é que o Leaf não passa a sensação de ser “pesadão”. Ele surpreende pelas boas retomadas de velocidades e acelerações, e nem parece que supera a marca de 1,5 tonelada, o mesmo peso de um Jeep Compass. 

Neste caso, o torque instantâneo promovido pelo motor elétrico é o protagonista, e essa dinâmica só muda com o acionamento do modo Eco, que limita a força do motor para melhorar a autonomia da bateria.

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Para auxiliar ainda mais o rendimento da energia elétrica, o condutor pode acionar o modo B e a tecnologia e-pedal, que trabalham a frenagem regenerativa. 

No segundo sistema, é importante estar preparado para outro tipo de experiência de condução, porque assim que se tira o pé do acelerador o Leaf inicia um processo de frenagem que o leva até parar completamente. No início é estranho, mas com o tempo se acostuma.

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No trânsito, essa sensibilidade é importante. Retirar o pé completamente do acelerador com o e-pedal acionado é quase o mesmo que afundar o pé no freio, e isso pode assustar. Entretanto, quando o e-pedal começa a trabalhar as luzes de freio são acionadas para sinalizar o condutor que vem atrás, então fique tranquilo.

Embora dê certa estranheza no começo, o sistema é muito eficiente na regeneração de energia e segura bem a carga da bateria. Sem a tecnologia acionada, o percentual de carga reduz como se fosse um celular com a bateria viciada, gerando a conhecida ansiedade de pane seca.

Avaliação: Nissan Leaf é amigo do meio ambiente, mas carregamento lento e autonomia baixa fazem do hatch um inimigo dos apressados

Motorização e desempenho: motor elétrico dianteiro de 149 cv e 32,6 kgfm. Câmbio automático, 1 marcha. Tração 4x2 dianteira. 0 a 100 km/h: 7,9 segundos.

Dados técnicos: direção elétrica com assistência variável, suspensão McPherson (dianteira) e eixo de torção (traseira), freios a discos ventilados (dianteira e traseira), 10,8 m diâmetro de giro, Cx 0,28, 155 mm vão livre do solo, ângulos de ataque, central e saída não divulgados, carga útil não divulgado, pneus 215/50 R17.

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Design e acabamento

Embora seja produzido por uma marca japonesa, os traços do Leaf são mais puxados para o desenho dos carros europeus. Inclusive, ele é fabricado no Reino Unido e tem forte mercado na Europa. 

O hatch elétrico começou a ser importado para o Brasil em 2019 e trouxe a filosofia de design mais recente da marca, que depois foi aplicada ao novo Versa - que você pode conhecer melhor aqui.

O Leaf é o mais descolado dos Nissan vendido no Brasil. Com vincos fortes na carroceria, pintura bicolor (cabine branca e teto preto), rodas diamantadas e assinatura “zero emission” na carroceria, chama atenção por onde passa, principalmente por não ter aquela pegada futurista (e um tanto piegas) tão comum nos elétricos.

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Os faróis têm acendimento automático com ajuste de intensidade e altura, e luz de condução diurna integrada de LED. Além disso, o arrojado balanço dianteiro leva os faróis de neblina e dá um ar de esportividade ao hatch. Já a traseira conta com lanternas de LED.

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Internamente, o destaque fica para o acabamento macio ao toque no painel e nos forros de porta, para os bancos de couro com faixas em tecido aveludado e para o volante multifuncional também revestido em couro.

Conforto, espaço interno e equipamentos

Avaliação: Nissan Leaf é amigo do meio ambiente, mas carregamento lento e autonomia baixa fazem do hatch um inimigo dos apressados

A avaliação do conforto do Leaf começa pelo já citado motor elétrico, que é silencioso, não vibra e dá sossego aos ouvidos dos passageiros. A vedação de vidros e portas também é aprimorada, e os usuários ficam só com o leve barulho da rolagem dos pneus no asfalto.

Porém, a suspensão mais rígida do hatch e a carroceria com pouca torção proporcionam uma baixa absorção das imperfeições da via e o Leaf dá uns bons chacoalhões em terrenos mais acidentados.

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As balançadas são compensadas em certa medida pelos bancos, que têm uma camada mais espessa de espuma. Estes ainda possuem ajustes manuais de altura e profundidade para o motorista (em um carro de R$ 270.000), além de aquecimento na primeira fileira - que ajudou (e muito) nos dias frios.

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O ar-condicionado é automático, mas com acionamento por botões, localizados no console central. Neste, a Nissan fez de tudo para aproveitar o espaço, retirando a alavanca do freio de estacionamento e deixando acionamento por pedal, como no Toyota Corolla Cross, além de adicionar um joystick no lugar da alavanca de câmbio.

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A central multimídia de 8 polegadas é compatível com Android Auto e Apple CarPlay, ambas com conexão por fio. Já o painel de instrumentos é metade digital em HD de 7 polegadas, onde fica o mostrador de performance da condução com dados de bateria, e metade analógico, onde fica o velocímetro.

Um dos principais pontos positivos é o espaço interno. Seu porte é de hatch médio, sendo um pouco maior que o Chevrolet Cruze Sport6 - veja dimensões abaixo. Por isso, consegue levar cinco ocupantes adultos com certo conforto, mesmo com os bancos dianteiros ajustados para uma pessoa de 1,87 m.

Avaliação: Nissan Leaf é amigo do meio ambiente, mas carregamento lento e autonomia baixa fazem do hatch um inimigo dos apressados

Chevolet Cruze Sport6: 4.448 mm de comprimento; 1.807 mm de largura; 1.484 mm de altura; 2.700 mm de entre-eixos; Peso: 1.331 kg; Porta-malas: 290 litros.

Nissan Leaf: 4.480 mm de comprimento; 1.790 mm de largura; 1.565 mm de altura; 2.700 mm de entre-eixos; Peso: 1.582 kg; Porta-malas: 435 litros.

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Além disso, surpreende pela capacidade volumétrica do porta-malas, que é de 435 litros, maior que a de um Jeep Compass, por exemplo, SUV compacto-médio que mais vende na categoria e tem apenas 410 litros.

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Itens de série Nissan Leaf

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Visual: bancos de couro; volante com acabamento em couro; rodas de liga leve de 17 polegadas; spoiler traseiro; luz de condução diurna de LED; luz traseira de LED;

Conforto: apoia braço dianteiro; banco do motorista com ajuste manual; banco traseiro rebatível; volante multifuncional; vidros elétricos em todas as portas com sistema um-toque para motorista; ar-condicionado automático. bancos dianteiros com aquecimento;

Tecnologia: computador de bordo; painel de instrumentos de 7 polegadas em HD; seletor de marchas do tipo joystick; faróis com acendimento automático e ajuste de altura e intensidade; chave presencial e partida por botão; retrovisores externos com regulagem elétrica e indicador de direção de LED; sistema e-Pedal; central multimídia de 8 polegadas com espelhamento de Android Auto e Apple CarPlay.

Segurança: faróis de neblina dianteiros; piloto automático; câmera 360º; seis airbags; alerta de colisão com assistente de frenagem; alerta de tráfego cruzado traseiro; alerta de mudança de faixa; detector de fadiga; alerta de ponto-cego; controle de tração e estabilidade; assistente de partida em rampa; controle de freio-motor; estabilizador de carroceria e controle em curvas; sistema Isofix para ancoragem de cadeirinhas infantis; freios ABS com distribuição EBD e assistência BA; sistema de monitoramento de pressão de pneus.

Conclusão

Avaliação: Nissan Leaf é amigo do meio ambiente, mas carregamento lento e autonomia baixa fazem do hatch um inimigo dos apressados

O Leaf tem desempenho e visual esportivo e pode ser uma boa opção para o uso urbano. Seus principais pontos positivos estão relacionados ao ótimo desempenho, ao conforto, por não ter ruídos, e à economia do combustível.

Falta, no entanto, uma autonomia mais extensa para uso rodoviário. Além disso, a etiqueta próxima dos R$ 300 mil deixa o sonho de um elétrico ainda mais distante do brasileiro.

Para quem puder realizar o investimento, o Leaf também vale a pena pelo acabamento e espaço interno aprimorado, e é a proposta mais racional entre os elétricos mais acessíveis do Brasil, mas é bom ter em casa um sistema de carregamento rápido para não passar apuros.

Imagens gerais: Murilo Góes/Mobiauto / Imagens carregamento e carregador: Renan Bandeira/Mobiauto

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