O ano em que uma lei matou 59 carros e 15 motores de uma vez no Brasil

A virada de 2021 para 22 ficará marcada na indústria automobilística como, talvez, o momento em que mais modelos ou motorizações saíram de linha
Por Leonardo Felix
07.01.2022 às 12h:05 • Att. há cerca de 21 dias
A virada de 2021 para 22 ficará marcada na indústria automobilística como, talvez, o momento em que mais modelos ou motorizações saíram de linha

O título deste artigo pode até sugerir que estamos falando de um passado distante, o que foi intencional. Porque é assim que, certamente, comunicadores do futuro se referirão à transição da indústria automobilística de 2021 para 22 com o Proconve L7, a nova legislação sobre emissões de poluentes que está entrando em vigor no país.

Difícil imaginar outro momento em que nosso mercado tenha visto tantos modelos ou configurações de modelos saindo de linha de uma só vez. Pelas minhas contas, terão sido 59 modelos e 15 motores tirados de catálogo desde o começo de 2021 até, no mais tardar, junho deste ano.

Inicialmente, o prazo final para produção de carros produzidos sob a égide do Proconve L6, a legislação anterior, era 31 de dezembro de 2021, enquanto o faturamento deles poderia acontecer até 31 de março de 2022.

Por conta das dificuldades de fornecimento de matérias-primas e semicondutores, o Ibama, órgão ambiental do governo, deu uma colher de chá: deu mais três meses para que as fabricantes finalizem veículos inacabados em seus pátios, desde que a produção tenha se iniciado antes do fim do ano passado.

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Com isso, elas terão agora até 31 de março para finalizar essas unidades incompletas e até 30 de junho para faturá-las. Já exemplares finalizados até 31 de dezembro seguirão o cronograma original. Nada disso evitou a prenunciada carnificina, que não poupou nem marcas de luxo ou mesmo carros híbridos, teoricamente já mais amigos do meio ambiente. 

A virada de 2021 para 22 ficará marcada na indústria automobilística como, talvez, o momento em que mais modelos ou motorizações saíram de linha

A Volvo, por exemplo, tirou de linha o XC40 Hybrid, apesar dos bons volumes de venda, porque a matriz não quis bancar atualizações nos parâmetros de emissões evaporativas. O SUV híbrido segue a legislação de emissões europeia, ao passo que o Proconve L7 se baseia nas leis dos EUA, país onde ele só é vendido em configuração 100% a combustão ou 100% elétrica.

O jeito foi anunciar, em dezembro, o fim de linha do XC40 Hybrid no Brasil como uma aposta revolucionária de manter à venda somente a versão elétrica, conhecida como Recharge. Da mesma forma, a Jaguar aproveitou o ensejo para eliminar o SUV F-Pace e o sedan XE de seu catálogo.

Alguns modelos, como VW Fox, o Fiat Uno e o Renault Sandero RS, se despediram com direito a homenagens de suas fabricantes. Outros simplesmente saíram à francesa, pela porta dos fundos. Outros, ainda, prometem retornar já devidamente atualizados, caso de Citroën C3 e Chevrolet Spin 1.8 manual.

Por fim, vários modelos seguem em linha, mas perderam ou perderão versões, ou estão substituindo configurações em desacordo com a nova lei por outras mais modernas e eficientes. Veja quais desses produtos já se despediram do mercado.

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Carros que já saíram de linha com o Proconve L7

A virada de 2021 para 22 ficará marcada na indústria automobilística como, talvez, o momento em que mais modelos ou motorizações saíram de linha

Caoa Chery Arrizo 5: até poderia seguir em linha, visto que seu trem de força (1.5 TCi turboflex CVT) é o mesmo de Arrizo 6, Arrizo 6 Pro e do vindouro Tiggo 5X Pro. Porém, a sociedade sino-brasileira desistiu do modelo devido à baixíssima demanda. 

Caoa Chery Tiggo 2: a queda no volume de vendas, por conta da chegada do Tiggo 3X, impediu o investimento em atualizações do já antigo propulsor 1.5 Acteco flex.

Chevrolet Montana: picapinha derivava do já extinto Agile, que por sua vez utilizava a plataforma 4200 do Corsa de 1994. Voltará à vida no fim deste ano como uma picape de porte maior, compacto-médio, para rivalizar com a Fiat Toro.

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Chevrolet Joy: Onix de primeira geração sai de linha e, junto, marca a extinção dos propulsores 1.0 e 1.4 8V da família SPE/4.

Chevrolet Joy Plus: o antigo Prisma acompanhou o irmão na aposentadoria.

Chevrolet Tracker MT: outro SUV compacto manual com vendas baixíssimas que sua fabricante não quis atualizar.

Chevrolet Spin MT: minivan teve o veterano motor 1.8 8V recalibrado para atender a nova legislação, mas a versão manual foi descontinuada. A GM, porém, promete que ela será recolocada no catálogo em breve. 

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Chevrolet S10 flex: com o crescimento das picapes compactas-médias, as grandalhonas construídas sobre chassi com motor flex perderam sentido.

Citroën C3: o plano de reestruturação da Stellantis para suas marcas francesas no Brasil previu, logo no começo de 2021, o fim de linha da antiga geração do C3. O hatch voltará à baila nos próximos meses, em um projeto totalmente novo e de origem indiana.

Citroën Aircross: a reformulação da gama sacrificou também o monovolume, que não terá um substituto direto. Para seu lugar, entrará em cena um SUV de porte maior.

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Fiat Uno: mesmo caso do Fox, só que para um projeto existente desde 2010. Ganhou uma série especial de despedida, chamada Ciao.

Fiat Grand Siena: o sedan existia desde 1997 e trocara de geração em 2012. Desde então, passara por pouquíssimas renovações.

Fiat Doblò: utilitário era vendido no Brasil desde 2001 utilizando a mesma plataforma. Assim, a Stellantis não quis mais investir nele.

Fiat Argo 1.8: deixou o catálogo porque a empresa não quis mais investir no propulsor 1.8 E.torQ. Além disso, abre espaço ao SUV Pulse. Em seu lugar, o hatch ganhará novas versões de topo com o conjunto 1.3 Firefly CVT.

Fiat Cronos 1.8: mesma lógica do Argo.

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Fiat Toro 1.8: a Stellantis manteve em linha uma versão de entrada da nova Toro, a Endurance, com o veterano E.torQ, mas ela só durou alguns meses no catálogo.

Ford Ka: saiu logo no começo de 2021, em um contexto ainda mais amplo. A Ford desistiu de produzir carros no Brasil.

Ford Ka Sedan: o mesmo fator tirou o Ka três-volumes de linha.

Ford EcoSport: A justificativa também se aplica ao pioneiro entre os SUVs compactos nacionais.

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Ford Edge: SUV grande, que chegou a ter vendas mais expressivas, perdeu vigor e espaço no mercado até ser descontinuado de vez. 

Honda Fit: a marca japonesa aproveitou o ensejo para desistir do Fit, após 18 anos de serviços muito bem prestados no país, para apostar todas as suas fichas no City hatch, com o novo motor 1.5 BSB 16V aspirado flex dotado de injeção direta de combustível.

Honda Civic: deixou de ser produzido localmente após mais de 23 anos ininterruptos sendo fabricado em Sumaré (SP). Terá uma nova geração no segundo semestre deste ano, importada e híbrida.

Hyundai HB20 1.6: A fabricante sul-coreana já fez a transição de toda a linha HB20 para uso dos motores Kappa três-cilindros 1.0 aspirado flex ou turboflex, incluindo uma versão inédita 1.0 TGDi com câmbio manual.

Hyundai HB20S 1.6: caminho igual tomou a derivação sedan do compacto.

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Jaguar F-Pace: nem o SUV médio da marca de luxo britânica escapou da lista.

Jaguar XE: sedan médio de luxo é outro que vira o ano se despedindo do Brasil.

Mitsubishi ASX: o veteraníssimo SUV foi mais um que não resistiu à transição legislativa, embora sua versão reestilizada, o Outlander Sport, tenha seguido em frente.

Mitsubishi Pajero Full: o SUV comercializado há quase 20 anos sem troca de geração se despediu em meados do ano passado, com direito a série especial.

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Nissan V-Drive: para sobreviver, teria que ter o motor recalibrado conforme os parâmetros do SUV Kicks, mas a medida não compensaria, visto que o sedan perdeu apelo no mercado.

Nissan Sentra: sedan médio deixou o catálogo da marca no início do ano passado, após emplacar apenas sete unidades até abril. Categoria está em baixa, e Nissan deve concentrar esforços no irmão menor Versa.

Peugeot 5008: o irmão de sete lugares do 3008 deixou o catálogo da marca, com promessa de regressar em meados de 2022, com visual renovado.

Renault Sandero 1.6 e RS: ao longo de 2021, a Renault eliminou todas as versões 1.6, manuais ou CVT, do Sandero de seu catálogo. Trata-se mais de estratégia comercial, visto que o gêmeo Stepway 1.6 CVT segue em linha. Já o esportivo RS saiu de cena especificamente por conta das novas regras de emissões.

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Renault Logan 1.6: ainda havia a versão Zen 1.6 na gama, mas ela foi eliminada nesta semana. Também aí temos uma decisão mais mercadológica, visto que o propulsor 1.6 SCe deve continuar presente em outros modelos da marca.

Suzuki Vitara: teve sua importação temporariamente interrompida em outubro. Segundo a HPE, importadora oficial da marca, por problemas de abastecimento de estoque. Entretanto, o baixo volume de vendas pode significar o seu fim de linha.

Suzuki S-Cross: mesma situação vive o primo.

Toyota Camry: sedan grande equipado com um beberrão propulsor V6 também foi descontinuado e, embora a marca prometa voltar e vende-lo, isso dificilmente deve se concretizar.

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Toyota Etios: compacto de baixo custo saiu de linha no Brasil, mas segue sendo produzido em Sorocaba (SP) para exportação. Assim, não precisará ter seus motores atualizados.

Toyota Etios Sedan: o mesmo vale para a configuração com terceiro volume.

Toyota Hilux flex: assim como a S10, a Hilux flex perdeu terreno para a Toro e não valia a pena recalibrar o antigo propulsor 2.7 VVT 16V flex.

Toyota Prius: um dos pioneiros da tecnologia híbrida no Brasil saiu do mercado à francesa após ser totalmente ofuscado pela dupla Corolla e Corolla Cross híbridos flex.

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Toyota SW4 flex: raciocínio idêntico ao da Hilux.

Troller T4: como a marca brasileira pertencia à Ford, o cultuado jipe entrou no balaio de Ka e EcoSport.

VW Fox: deixou o mercado após 18 anos sem troca de geração. A fabricante não quis investir para atualizar um modelo com projeto já tão antigo.

VW Jetta 250 TSI: marca desistiu da configuração 1.4 turbo e manteve em linha somente a esportiva GLi. Que, por sinal, será reestilizada no primeiro semestre deste ano e terá o motor 2.0 TSI de 230 cv atualizado para atender ao Proconve L7. 

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VW T-Cross 200 TSI manual: devido ao baixíssimo volume de vendas, a marca alemã não quis atualizar a configuração 200 TSI com câmbio manual do T-Cross.

VW Tiguan: promete voltar em 2022 com visual renovado e motorização híbrida. 

Volvo XC40 Recharge T5 Plug-In Hybrid: nem os importados de luxo escaparam do Proconve L7. Como a matriz não quis investir em uma atualização do modelo, a solução foi apostar todas as forças no elétrico XC40 Recharge.

Volvo S60: saiu da gama de modo mais discreto que o XC40, e sem deixar um sucessor elétrico. A importadora da marca promete que ele volta ao catálogo, mas o volume de vendas é baixo e talvez não justifique.

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Carros que ainda sairão de linha com o Proconve L7

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Honda WR-V: por utilizar o velho motor 1.5 i-VTEC do Fit, também deve ser descontinuado no Brasil. Entretanto, seguirá sendo produzido em Itirapina (SP) para exportação.

Hyundai HB20X 1.6: ainda segue em linha, mas seu futuro é um mistério. Ou trocará o propulsor 1.6 Gamma pelo 1.0 Kappa TGDi, ou simplesmente sairá de linha, visto que não vem alcançando bons volumes de emplacamento.

Hyundai Creta Action 1.6: foi mantido em linha para ser uma opção mais acessível de SUV compacto, mas ao que parece serviu apenas para promover uma transição mais segura, sem muitos impactos nas vendas, para a nova e controversa geração. 

Jeep Renegade 1.8: ainda não deixou o catálogo, mas, com a confirmação da chegada da linha 2023 com motor 1.3 turboflex, câmbio de seis marchas e tração 4x2 nas versões de entrada, logo virará história.

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Jeep Renegade diesel: será substituído pela inédita configuração T270 4x4 AT9. Diferentemente de Compass e Commander, cujo propulsor 2.0 MultiJet passou a trabalhar com um tanque de Arla 32

Peugeot Partner: segundo o Autos Segredos, teve sua produção encerrada na Argentina no início deste ano e será substituído por uma nova geração, que nada mais será do que um Fiat Fiorino repaginado com a identidade visual dianteira da marca francesa.

Suzuki Jimny: um projeto de 1998 com motor 1.3 já bem ultrapassado. Será que a HPE dará um jeito de mantê-lo em linha seguindo as novas diretrizes de emissão?

Toyota Yaris 1.3: a família de compactos da marca japonesa será reestilizada agora em janeiro, com novo visual e propulsor 1.5 flex atualizado de acordo com as normas do Proconve L7. Sobrará para o 1.3, usado pela versão de entrada do hatch, que será excluído.

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VW Gol 1.6 8V: deixará o catálogo nos próximos meses, sacramentando a morte do propulsor 1.6 EA111. Ainda não está claro se a configuração 1.6 16V MSI automática também será retirada da gama. 

VW Saveiro 1.6 8V: picape receberá um tapinha no visual e na lista de equipamentos para encarar a nova geração da Strada. Além disso, abandonará o motor 1.6 8V para ser equipado só com o 1.6 16V MSI, em versões manuais ou automáticas.

VW Voyage 1.6 8V: mesmo caso do Gol.

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Motores que já foram ou deverão ser descontinuados por conta do Proconve L7:

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Fiat 1.8 E.torQ 16V
Hyundai 1.6 Gamma 16V
VW 1.6 EA111 8V
Chery 1.5 Acteco 16V
Honda 1.5 VTEC 16V
Honda 2.0 VTEC flex
Honda 1.8 VTEC flex
Toyota 1.3 VVT 16V
Toyota 2.7 VVT 16V
Chevrolet 2.5 Ecotec 16V
Chevrolet 1.0 SPE/4 8V
Chevrolet 1.4 SPE/4 8V
Renault 2.0 flex F4R 16V
Suzuki 1.3 M13A 8V
Volvo 1.5 T5 12V híbrido 

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