Fiat 147 TSI: caixotinho fica cabuloso com motor turbo do VW Up!
O Fiat 147 foi o primeiro automóvel fabricado pela marca italiana no Brasil. O compacto chegou aqui em 1976 e tentava bater de frente com o Volkswagen Fusca para se tornar o carro mais vendido em território nacional.
O volume de vendas não foi igual ao do rival, mas o “fiatinho” fez seu sucesso, manteve uma legião de fãs e ainda carrega o título de primeiro carro com motor dianteiro transversal e primeiro carro a álcool do Brasil - o famoso 147 “cachacinha”.
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Por aqui, foi equipado com motores de 1.050 e 1.300 centímetros cúbicos, que rendiam 56 cv e 7,8 kgfm ou 60 cv e 10 kgfm, respectivamente. Mas, para o terror dos puristas e a alegria de quem gosta de modificações, o proprietário de um 147 de primeiro facelift resolveu trocar o motor original por um mais novo, turbinado de fábrica, com injeção direta...
Já ouviram falar do 1.0 TSI do Up!, que infelizmente foi tirado de linha nesta semana pela Volkswagen?
É isso mesmo! Se no Up! este motor morreu, ele segue vivo na forma de um “Fiat 147 TSI”, com o 1.0 turboflex capaz de render 101/105 cv (gasolina/etanol) e 16,7/16,8 kgfm. É quase o dobro da potência e mais de duas vezes o torque do 147 com motor de 1,05 litro. Tudo isso gerenciado pela caixa manual MQ200 de cinco marchas, que também veio do Up!.
A preparação foi feita pela 147 adaptações, uma oficina de São Paulo (SP) especializada em trabalhos com o veículo da Fiat (o nome não é à toa). A história foi contada primeiramente pelo canal do Youtube 7008films, do qual também foram tiradas as imagens que ilustram este texto.
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A modificação não foi fácil, mas a parte boa é que deu certo e o carro está legalizado, inclusive com o motor TSI cadastrado no documento do Fiat.
A primeira parte a ser mexida também é uma das principais reclamações de proprietários dos 147: a fragilidade da carroceria, que costuma trincar. Para receber o motor turbinado, foi preciso reforçar a cabine com uma gaiola de proteção com tubos de ferro típica de carros de competição.
Para não prejudicar o visual, ela foi colocada por dentro da lataria e só fica aparente no porta-malas e no cofre do motor, onde também está instalada a barra de torção, que é fixada nos satélites da suspensão.
Boa parte da suspensão, aliás, ainda é original. Na traseira, o feixe de molas transversal foi mantido, mas na dianteira o sistema independente do tipo McPherson recebeu peças de Up! e Uno para melhorar a absorção dos impactos e suportar o peso do novo propulsor.
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Para apoiar o 1.0, foi usado um coxim de Fusca na parte inferior do bloco, outro de Up! e um terceiro fabricado especialmente para o projeto, apoiando as laterais. Além do coxim, o radiador foi feito sob medida porque o do Volkswagen não cabia no cofre.
Do hatch recém-tirado de linha pela VW, o Fiat ainda ganhou o painel de instrumentos com computador de bordo. “A gente colocou [o painel] dentro da capa do 147, e é só ligar [o carro] que aparece o computador de bordo ali e mostra tudo, consumo, hora”, contou o mecânico Diego Pimenta, um dos responsáveis pelo projeto.
E não ficou só nisso. A oficina aproveitou o módulo eletrônico do Up!, que é responsável por comandar toda a parte elétrica do carro, inclusive o controle da injeção, e instalou no 147. No entanto, fazer o cérebro eletrônico funcionar não foi uma tarefa tão simples.
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“O problema do Up! TSI, que todo mundo reclama, é a parte elétrica, porque ele tem muitos sensores (sensor de porta, sensor de freio, sensor de porta-malas). Então, qualquer sensor desse que não esteja ativado, ele não liga. Esse foi o maior desafio: fazer ele [147] funcionar sem esses sensores”, contou Wagner de Melo, outro profissional que ficou dedicado à modificação.
De acordo com Melo, o módulo teve de ser retrabalhado para o carro dar partida sem precisar habilitar os sensores de porta e de freio, que foram retirados. Mas, embora tenha perdido esses itens de conforto, o “fiatinho” ganhou direção elétrica, vidros elétricos e até freios ABS - e ainda terá ar-condicionado, mas isso faz parte das melhorias previstas para o futuro.
Por dentro, os tapetes são personalizados com assinatura “147 TSI” e os bancos são revestidos em alcântara. A única parte que ainda não casou com a proposta são os velhos cintos de segurança de dois pontos, que foram mantidos.
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Para identificar o carrinho com o motor 1.0 TSI nas ruas é difícil, já que o visual externo foi mantido quase todo original. De diferente, apenas as rodas de liga leve com detalhes cromados e dourados do tipo BBS. Então, se quiser reconhecê-lo, é bom gravar o design delas.
O projeto levou cerca de quatro anos para ficar pronto e não teve valor final revelado. Mas com os preços de Fiat 147 ultrapassando os R$ 20 mil, é bom preparar o bolso, caso esteja com algum plano em mente.
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Gerente de conteúdo
Formado em mecânica pelo Senai e jornalismo pela Metodista, está no setor há 5 anos. Tem passagens por Quatro Rodas e Autoesporte, e já conquistou três prêmios SAE Brasil de Jornalismo. Na garagem, um Gol 1993 é seu xodó.