Exclusivo: Ford Maya, o SUV cupê brasileiro que morreu antes de nascer

Revelamos o projeto BX785, que daria vida a um SUV cupê nacional para brigar com o Compass, mas foi congelado após debandada da fabricante
Por Leonardo Felix
21.01.2021 às 22h:00 • Att. há cerca de 1 mês
Revelamos o projeto BX785, que daria vida a um SUV cupê nacional para brigar com o Compass, mas foi congelado após debandada da fabricante

Dezembro de 2020. Todo o time de engenharia e desenvolvimento da Ford lotado na Bahia trabalhava arduamente e em velocidade acelerada na criação de três novos produtos, todos de origem nacional, para produção na fábrica de Camaçari.

A Mobiauto já revelou quais seriam eles: a terceira geração do EcoSport (projeto BX755), a segunda geração do Territory (projeto BX784) e um misterioso SUV cupê (projeto BX785) que seria posicionado entre eles na gama.

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Todos os colaboradores já estavam cientes, desde muito antes, que a situação da empresa era crítica no país, e demandaria um contra-ataque veloz e certeiro, num prazo relativamente curto, em segmentos de boa rentabilidade. 

Por isso mesmo, o time vinha seguindo à risca a nova diretriz global da marca (de apostar em SUVs e picapes), e já não se importava tanto com o futuro da família Ka, cada vez mais na iminência de desaparecer após o fim do ciclo da atual geração. O foco seria total nos utilitários esportivos.

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Mas aí veio o recesso de virada de ano, a decisão sumária e repentina (pelo menos na forma como foi comunicada) da matriz de fechar todas as fábricas no país e, em seu retorno, a paralisação de todo o desenvolvimento desses projetos (antes mesmo do anúncio oficial).

Revelamos o projeto BX785, que daria vida a um SUV cupê nacional para brigar com o Compass, mas foi congelado após debandada da fabricante
Fábrica de Camaçari (BA) será fechada e produção de EcoSport e Ka já foi encerrada. Maya seria produzido lá em 2022

O curioso é que, regressando novamente a dezembro, a reportagem da Mobiauto já tinha em estágio avançado de apuração informações sobre esses três novos produtos. No dia 19 daquele mês, pedi ao colega Renato Aspromonte, do canal @overboostbr, que preparasse uma projeção de um dos três carros. 

Seria o nosso primeiro furo de reportagem do ano novo e, talvez, o mais bombástico de todos: a revelação mundial do projeto BX785, justamente o mais secreto de todos, por se tratar de um veículo totalmente inédito.

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Por ironia do destino, combinei com Renato que a projeção seria divulgada em 11 de janeiro (afinal, seriam necessárias algumas semanas de preparação da projeção). Eu não poderia imaginar na época que o dia 11 de janeiro viria a ser justamente a data que a Ford escolheu para anunciar sua debandada enquanto fabricante instalada no Brasil.

A projeção só não saiu na data originalmente combinado porque alguns conflitos de informação nos levaram a adiar o prazo em uma semana. Veio então a bomba e, com ela, a dúvida: o que fazer? Contar sobre o projeto de um carro que pode ter morrido sem nem ter nascido ou guardar a história na gaveta?

Escolhemos o primeiro caminho. E, com projeção exclusiva do @overboostbr, revelamos agora aquele que seria o SUV cupê nacional médio, posicionado entre o EcoSport e o Territory, para brigar diretamente com Jeep Compass, VW Taos, Toyota Corolla Cross e o futuro SUV cupê médio da Fiat na faixa de R$ 150 mil: o Ford Maya.

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O que seria o Ford Maya

Revelamos o projeto BX785, que daria vida a um SUV cupê nacional para brigar com o Compass, mas foi congelado após debandada da fabricante
Assim seria o Ford Maya de traseira

Como dito acima, estamos falando de um SUV cupê de porte médio: mediria aproximadamente 4,50 metros de comprimento, 1,80 m de largura, 1,70 m de altura e 2,65 m de distância entre eixos.

Apesar de seu código interno de projeto sugerir parentesco mais próximo com o futuro Territory brasileiro, o Maya na verdade derivava diretamente do EcoSport, aproveitando boa parte da estrutura do que seria a terceira geração do SUV compacto. 

Ambos compartilhariam elementos como para-brisa, coluna A, portas laterais dianteiras, largura e conjunto de suspensões. Só que o Maya receberia uma frente exclusiva, já de acordo com a nova identidade visual da Ford. Que, inclusive, aos poucos começou a aparecer em modelos da marca que ainda serão lançados no exterior, como o sucessor do Fusion. 

Revelamos o projeto BX785, que daria vida a um SUV cupê nacional para brigar com o Compass, mas foi congelado após debandada da fabricante
Este protótipo flagrado na Índia antecipa como será a nova identidade visual de todos os Ford. Com os novos EcoSport, Maya e Territory nacionais, não seria diferente

O EcoSport se enquadraria ao mesmo padrão de visual dianteiro, porém com outros faróis (com três filetes de LED no topo, igual mostrou o flagra de misterioso protótipo da Ford na Índia) e um para-choque frontal levemente diferente. 

Já o Maya receberia o nível superior do conjunto óptico dianteiro, voltado ao DRL, em peça única, com um desenho que nos remete a um Jaguar. Também com LEDs, os projetores de luz baixa, farol baixo, farol alto, seta e neblina ficariam encravados no para-choque, conforme a mais recente tendência de design da indústria. 

Porém, no caso do SUV cupê da Ford, eles seria aglutinados em um elemento verticalizado, dividido em quatro camadas. 

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Revelamos o projeto BX785, que daria vida a um SUV cupê nacional para brigar com o Compass, mas foi congelado após debandada da fabricante
Dianteira do Maya teria a nova grade do Ford, conjunto óptico dianteiro dividido em três níveis e DRL superior inspirado nos Jaguar

O Maya ainda teria um vão livre do solo maior que o novo EcoSport, o que o deixaria cerca de 4 cm mais alto, e um entre-eixos esticado em aproximados 5 cm. Além disso, sua suspensão traseira seria reforçada para aguentar o balanço traseiro estilo cupê, que o deixaria 30 cm mais comprido que o irmão de plataforma (4,50 m vs 4,20 m).

Em relação ao nome, já estava definido que seria Maya. Ele está registrado no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial) desde 28 de julho do ano passado e apareceria na barra em preto brilhante que ligaria as duas lanternas traseiras, na tampa do porta-malas. 

Aliás, a grande inspiração dos projetistas da Ford para desenhar a traseira do Maya foi o luxuoso Lamborghini Urus, e nossa projeção da traseira deixa claro que essa referência seria quase escancarada.

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Parte traseira do Maya teria explícita inspiração no Lamborghini Urus

Enquanto o novo EcoSport vinha sendo preparado para chegar no final de 2021, ocupando a faixa de preços entre R$ 90.000 e R$ 140.000, o Maya seria lançado em meados de 22, na faixa de R$ 140.000 a R$ 190.000. Já a nova geração do Territory, um pouco maior e mais larga, viria em 2023 custando de R$ 180.000 a R$ 220.000.

Até as prováveis versões de acabamento do Maya já pareciam acertadas: SE, SEL e Titanium eram as opções previstas. E, sob o cofre, ele provavelmente utilizaria uma especificação atualizada e turbinada do motor 1.5 três-cilindros Dragon flex que já era produzido pela Ford no Brasil (e usado pelo EcoSport).

Com a sobrealimentação, ele poderia chegar a 150 ou 180 cv de potência, dependendo da calibração, com torque na casa de 24 ou 25 kgfm. No Brasil, tinha mais chances de ganhar a especificação mais mansa, voltada a conforto e eficiência energética.

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Como falamos no início da reportagem, o Maya é um projeto de origem nacional e que vinha sendo preparado para produção local. Esta última parte já sabemos que não ocorrerá, mas o projeto, embora esteja congelado, ainda pode ser eventualmente aproveitado e ganhar vida em outros mercados.

Poderia perfeitamente, inclusive, ter produção num país com fácil acesso ao Brasil via importação, como Argentina e México. E caso a Ford não tire mais da gaveta a terceira geração do EcoSport (que, por sinal, já está praticamente pronta), mas resolva dar sequência ao BX785, então o Maya vira futuro candidato a “carro de entrada” da marca em nosso mercado.

A aura de “SUV cupê brasileiro” o Maya já perdeu e o projeto respira por aparelhos, mas quem sabe não existe uma chance de o modelo sobreviver a esta turbulência e se tornar um veículo de produção, mesmo que com outra nacionalidade...

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