Velha Fiat Strada enfim se aposenta após 22 anos de trabalho duro

Primeira geração da picapinha deixa de ser produzida e agora só há versões da nova no catálogo. Relembre sua trajetória
Por Leonardo Felix
27.01.2021 às 15h:41 • Att. há cerca de 1 mês
Primeira geração da picapinha deixa de ser produzida e agora só há versões da nova no catálogo. Relembre sua trajetória

Após 22 anos, três meses e dois dias, a primeira geração da Fiat Strada enfim saiu de linha. O modelo, que sobreviveu por alguns meses no mercado após a chegada da nova geração, somente na versão Hard Working com cabine simples, foi retirado oficialmente do catálogo da marca nesta semana.

Consultada por nossa reportagem, a assessoria do grupo Stellantis, recente fusão entre FCA (Fiat, Jeep e Ram) e PSA (Citroën e Peugeot), confirmou que o encerramento de produção da velha Stradinha ocorreu no fim do ano passado. Suas últimas unidades, aparentemente, já foram esgotadas.

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Primeira geração da picapinha deixa de ser produzida e agora só há versões da nova no catálogo. Relembre sua trajetória
Strada Hard Working 2020: o último ano-modelo da primeira geração 

Confira o comunicado da fabricante na íntegra:

“A Nova Fiat Strada é um grande sucesso e atingiu níveis de vendas muito expressivos em seus primeiros meses no mercado, inclusive, figurando em setembro como o veículo mais vendido do Brasil. A enorme demanda pelo veículo gerou a atual fila de espera até que o nível de produção na fábrica em Betim (MG) volte ao patamar pré-pandemia.

Além disso, os primeiros meses de venda demonstram que a estratégia de trazer ao mercado uma gama voltada tanto o público que utiliza a picape para trabalho quanto para o lazer foi acertada e equilibrada, atendendo muito bem ambos os perfis.

Mais especificamente no uso para trabalho, a combinação da grande evolução de produto (maior volume de carga da categoria, itens de série como controles de estabilidade e tração, sistema E-Locker e Hill Holder, além de maior ângulo de entrada, altura de solo do segmento, garantia de fábrica de 3 anos e melhor consumo de combustível) e excelente custo-benefício trouxeram uma migração natural dos clientes da versão Hard Working para a Nova Fiat Strada, reduzindo o mix de vendas da antiga versão.

Considerando esses dois fatores, a Fiat optou por descontinuar, a partir de janeiro de 2021, a produção da versão Hard Working, priorizando, assim, as entregas da segunda geração do modelo. Salientamos ainda que, ao longo do ano de 2021, a empresa trará novidades surpreendentes tanto para clientes que utilizam o carro para trabalho quanto para o lazer com a família.”

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Sobre as “novidades surpreendentes” da nova Strada para este ano, uma delas a Mobiauto já adiantou qual deve ser: a inclusão de câmbio CVT nas versões 1.3 Firefly de 109 cv. Ainda em relação à segunda geração da picapinha, já avaliamos tanto a configuração Volcano cabine dupla quanto a Freedom Cabine Plus. Mas, antes, hora de relembrar o ciclo da Strada I em nosso mercado.

Primeira geração da picapinha deixa de ser produzida e agora só há versões da nova no catálogo. Relembre sua trajetória
Nova Strada Endurance 1.4 Cabine Plus será a nova versão de entrada da picape

Relembre a história da primeira Fiat Strada

Voltemos, pois, a falar da velha Stradinha, nossa homenageada da vez. Derivada do projeto 178 do Palio I - que também daria origem a ao sedan Siena, à perua Palio Weekend e, um pouco mais tarde, à van Doblò -, ela foi lançada no Brasil em 24 de outubro de 1998. Substituía, à época, a Fiorino Pick-up, que por sua vez usava a base do Uno.

Não era a picape compacta com as maiores dimensões do segmento. Na verdade, sua caçamba ficava devendo especialmente à Ford Courier em volume. Entrentanto, ela era a única a superar oficialmente os 700 kg de capacidade de carga, enquanto rivais como a picape do Chevrolet Corsa sequer chegavam a 600 kg.

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Strada LX 99

Seu grande trunfo estava na suspensão traseira por eixo rígido e molas semielípticas (uma lâmina ao lado de cada roda), como numa picape média sobre chassi ou caminhão. Apesar de comprometer o conforto, o conjunto deixava a Strada mais robusta, valente e simplificava a manutenção. Os frotistas amaram e o modelo logo se tornou líder imbatível de vendas.

Além disso, a Fiat não se furtou em inventar modas com a Stradinha. Na época de lançamento, ela vinha equipada com motores 1.5 Fiasa (76 cv), 1.6 8V (92 cv) e 1.6 16V, e trazia surpreendentes itens como airbags frontais, freios ABS e até teto solar nas versões mais caras.

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Configuração com cabine estendida era uma inovação para o fim dos anos 90

Em 99, foi pioneira ao adotar uma configuração com cabine estendida. A medida sacrificava 40 cm² de capacidade cúbica e 20 kg de capacidade de carga da caçamba, mas dava 300 litros de volume para encaixar objetos menores na parte de trás do habitáculo. De novo, os frotistas adoraram.

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Dois anos mais tarde, junto com sua primeira reestilização visual, chegava à tona a icônica versão Adventure. Com pneus de uso misto, quebra-mato e outras quinquilharias de utilidade duvidosa, mas que deixavam a Strada carregada de estilo, tal opção logo geraria um enorme apelo nas vendas de varejo.

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Strada Adventure trazia quebra-mato e faróis de milha para fingir ser uma trilheira nata

E se a Fiat sequer cogitava investir numa nova geração, abusava da ousadia para manter a Strada atualizada e moderna o quanto fosse possível. Outra inovação foi a criação de uma versão com cabine dupla para quatro passageiros, em 2009. Naquele mesmo momento, a picapinha também recebia, na versão Adventure, o curioso bloqueio de diferencial dianteiro “Locker”.

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Versão cabine dupla para quatro pessoas foi outro invencionismo da picapinha

Outro invencionismo surgiu em 2013, com a adoção de uma terceira porta, tipo suicida, para facilitar o acesso à fileira traseira nas versões com cabine dupla. A gambiarra, por assim dizer, eliminava a coluna B do lado do passageiro e deixava o cinto traseiro direito embutido na própria porta, o que por vezes dificultava o acesso. Ainda assim, fez sucesso.

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Em 2013, picape ganhou uma terceira porta para facilitar o acesso à fileira traseira

Algumas tentativas de ousar acabaram passando do ponto, porém. Foi o caso da fracassada versão Sporting, de 2010, ou da configuração Adventure com câmbio automatizado monoembreagem Dualogic, que muitas vezes mais atrapalhava do que facilitava a condução. Ela vinha aliada ao propulsor 1.8 E.torQ flex de 130/132 cv (gasolina/etanol).

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Strada Sporting foi um dos maiores fracassos na história do modelo

Durante todo esse período, a Stradinha recebeu nada menos que cinco facelifts: 2001, 2004, 2009 e 2014. Suas versões com mais apelo comercial ainda eram as de cabine simples, voltadas ao trabalho, mas a picape seguia demonstrando um invejável fôlego nas vendas.

Tanto que, em março de 2015, a Strada surpreendeu Palio, VW Gol, Chevrolet Onix e cia, tornando-se o primeiro utilitário com caçamba a liderar a lista da Fenabrave (associação nacional dos concessionários) desde que ela foi criada.

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Strada 1.8 Dualogic foi outra aposta malsucedida da Fiat

As trocas de motores também foram constantes: em 2003, o 1.8 Powertrain 8V de 108 cv (feito em parceria com a GM) ocupou o lugar do 1.6 16V, enquanto o fraco 1.3 8V de 67 cv assumiu o posto do velho 1.5 Fiasa nas opções de entrada.

Em 2006 chegou a primeira motorização flex, que por sinal é o mesmo 1.4 Fire usado até hoje pela picape em sua segunda geração. Na época, ele rendia 80 cv com gasolina e 81 cv quando munido de etanol no tanque. Outra usina que chegou a compor a gama do utilitário foi a 1.6 16V E.torQ, também flexível, de 115/117 cv.

Após sua última renovação visual, que mantinha os faróis biparábola herdados do Siena em 2009, porém com retoques na dianteira e uma traseira redesenhada, incluindo nova tampa de caçamba e lanternas menores, a velha Strada foi se sustentando como picape mais popular do país, embora perdendo apelo entre consumidores do varejo.

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Strada Hard Working cabine dupla 2019: primeira geração da picapinha já vivia o seu ocaso

A Fiat, então, deixou de investir em versões mais caras e focou suas atenções no desenvolvimento da segunda geração da picapinha, que viria a ser lançada em meados do ano passado. A velha Strada usou suas últimas forças para seguir como opção de entrada da gama até o fim de 2020, mas já não dava mais para ela.

E assim, após mais de 22 anos de muito trabalho pesado e de bons serviços prestados a empresários, autônomos e trabalhadores de todo o Brasil, já era mais do que hora de a lendária picapinha gozar de uma merecida e necessária aposentadoria.

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