Teste: Honda Biz 125 2025 esbanja saúde e cuida bem do seu bolso
A Honda Biz é a segunda moto mais vendida no nosso país e, desde 1998, quando foi lançada no Brasil para substituir a Dream 100, se tornou uma referência no segmento CUB, pela sua praticidade, economia, manutenção simples e revenda fácil com baixa desvalorização.
Quem não se lembra do jingle “Honda Biz, com tudo ela combina! Só não combina com posto de gasolina”? E isso segue sendo uma máxima quando se fala da Biz, uma vez que ela consegue números absurdos de consumo, podendo chegar a 62,8 km/l. Claro que eu não consegui esse número assombroso, mas ainda assim, não é de se jogar fora os 39,7 km/l, andando de uma forma não muito amistosa com a pequena CUB de 96 kg, 20 kg a menos que este que vos escreve.
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Mas vamos enfim ao que interessa, que é falar da Honda Biz, que atualmente é vendida em duas versões, ES e EX, que tem diferenças que vão além das cores e preços.
Design
Quando falamos em design, na ES, as rodas são raiadas e a iluminação é totalmente halógena. Já na versão EX, as rodas são em liga leve, o motor é flex e pode beber tanto etanol quanto gasolina em qualquer proporção e na iluminação, que também é halógena no farol dianteiro com lâmpadas incandescentes nas setas e lanterna traseira, ainda traz um discreto DRL junto às setas dianteiras. Nada que dê um grande efeito de iluminação, mas diferencia um modelo do outro e agrega valor.
As linhas são o que se espera de uma CUB, afinal não tem muito o que inventar. É uma moto pequena, feita para ser prática e econômica.
Painel
Com a tela LCD a visualização das informações ficaram fáceis, velocímetro, relógio, marcador de combustível, indicador de marcha e até consumo médio e instantâneo fazem parte do painel da Biz 125. Itens indispensáveis para se ter uma ótima convivência com a moto. Para melhorar ainda mais, a marca colocou uma tomada USB do tipo C, mantendo o smartphone do piloto sempre carregado.
Mecânica
O motor tem a mesma cilindrada nas duas versões, são 123,9 cilindradas, que entrega os mesmos 9,53 cv de potência e 1,03 kgfm de torque, porém na ES, o motor só pode ser abastecido com gasolina, enquanto na EX, o etanol também pode ser utilizado, mantendo os números de potência e torque.
O câmbio é rotativo de quatro marchas, que tem duas particularidades. A primeira, é que para subir marchas, apenas se aperta a alavanca para baixo, diferente das motos convencionais em que a primeira é para baixo e as outras são para cima. Para reduzir as marchas se usa o contra pedal também pressionando para reduzir. A princípio parece confuso, mas é bastante intuitivo.
A segunda é que, se o piloto parar a moto em um semáforo com o câmbio engatado em quarta marcha, basta apertar novamente o pedal para entrar em neutro e novamente para engatar a primeira, sem precisar ter que reduzir todas as marchas. Fácil né?
Mas não vou mentir que pilotar a Honda Biz 125 para mim foi um desafio!
Desde o seu lançamento em 1998, a Honda Biz, mantinha o pedal de freio no lado direito, como em toda moto. Mas na linha 2025 a Honda tirou o pedal do freio e o transformou em um manete, exatamente como são nos scooters e isso deu “bug” na minha cabeça, pois inúmeras vezes ao mudar de marcha eu acabava acionando o freio traseiro da Biz, e com isso paguei alguns micos no trânsito, mesmo tendo passado 14 dias com a Biz, sendo 7 dias com a ES e mais 7 com a EX.
Aliás...
Freios
Os freios da Honda Biz na versão ES são a tambor de 130mm, tanto na roda dianteira, quanto na traseira. Para isso a Honda tem uma explicação, que eu confesso, vejo sentido. Veja se você, caro leitor, concorda.
A marca diz que a Biz é a primeira motocicleta de muita gente que teve como único veículo uma bicicleta, portanto a manutenção dos freios a tambor é sobre a segurança deste público que na necessidade de uso do freio irá apertar o manete como faria na bicicleta, podendo sofrer algum tipo de acidente devido a uma derrapagem por não estar acostumado a frenagem mais sensível que o disco proporciona.
Você pode até não acreditar, mas faz todo sentido.
Na versão EX, o freio traseiro é a tambor com 130mm e o dianteiro, tem disco de 220mm com sistema CBS – Combinated Brake System, que ao apertar o manete do freio traseiro, 70% da frenagem é feito na roda traseira e 30% vão para a roda dianteira, mantendo a moto estável nas frenagens.
Suspensão
Não espere uma moto extremamente capaz ao pilotar a Honda Biz 125. Ainda que na cidade o conjunto de molas e amortecedores deem conta do recado, o garfo telescópico de 100 milímetros de curso na dianteira, dependendo do trajeto que você esteja fazendo, judia um pouco do piloto já que em alguns momentos chega ao fim de curso.
Na traseira, o garupa também pode acabar sofrendo, já que a suspensão tem braço oscilante de 85 milímetros de curso. Então as pancadas secas nas costas são algo que o passageiro terá que se acostumar. Não tem para onde correr, ela tem proposta para cidade e ponto, não adianta querer levar a pequena CUB para o off-road, pois ela vai te trazer dores pelo corpo.
Praticidade
Ainda que a Honda Biz 125 seja pequena, leve e não tenha potência, uma coisa temos que concordar: ter um bagageiro de 16 litros, para pequenas compras e levar pequenos objetos, é um grande trunfo. O espaço que comporta apenas um capacete, ajuda muito na hora de levar a capa de chuva, uma blusa de frio para uma eventual mudança de tempo e, dependendo do tamanho, cabe até uma bota para chuva. Mas eu consegui por exemplo, ir até o mercado e buscar coisas para um lanche com tranquilidade usando somente o compartimento. Ainda que seja menor que o de um scooter, por comportar o tanque de combustível que tem 5,1 litros, ajuda demais.
Na pista
Se você estiver buscando velocidade, definitivamente, a Biz 125 não é para você. Meu trajeto cotidiano, envolve um bom trecho da Rodovia Anchieta, normalmente entre o km 23 da via até o km 10, suficiente para alcançar os 100 km/h que é a velocidade máxima. A própria marca, divulga a velocidade real de 95,8 km/h, mas a velocidade conseguida por mim tem fatores como uma boa dose de descida na rodovia e vento a favor.
Mas utilizando a Biz em trajeto urbano, que tem velocidades máximas sempre em torno de 30 km/h a 60 km/h, não há nada mais tranquilo. Ela arranca bem nos semáforos, mantém uma boa velocidade mesmo em subidas e não nega fogo para o dia a dia.
Mas o consumo não foi nem perto dos 62,8 km/l que a marca diz, no meu uso, que como falei no início do texto não foi dos mais amistosos, já que judiei da motoca não somente por pesar 20 kg a mais do que ela, mas exigi bastante nas acelerações, para sentir o desempenho e ver qual o mínimo de consumo conseguiria em situações diferentes do que a maioria dos usuários teria e consegui “apenas” 39,7 km/l. O que deixa claro apenas uma coisa, ela de fato odeia postos de combustível.
Conclusão
Você pode não gostar da Honda Biz 125, dizer que ela não tem velocidade, ou que não aguenta o tranco. Sua opinião será sempre respeitada, afinal ela só não atende ao seu perfil.
Mas não dá para dizer que é um produto ruim, visto que há 27 anos atende muito bem quem necessita de um transporte rápido, leve, prático e sobretudo econômico. Isso ninguém pode questionar.
Preços e versões
- Honda Biz 125 ES – R$ 12.850 *preço que consta no site sem frete
- Cores: Vermelho – Maceio Red, Branco – Ross White, Preto – Black
- Honda Biz 125 EX – R$ 16.030 *preço que consta no site sem frete
Cores: Azul Metálico – Mat Noturno Blue Metallic, Vermelho Perolizado – Pearl Pimenta Red, Branco Perolizado – Pearl Hakuji White
Por Carlos Mattos
