Teste: Bajaj Dominar NS160 é a street que busca o trono da Honda CG
Não é de hoje que se ouve dizer no mercado de motos que as indianas vieram para fazer as japonesas se mexer. Também pudera, elas de fato oferecem mais, cobrando muito menos. No mundo das motos até 160 cilindradas não é diferente, ainda dominado pela Honda CG e seguida pela Yamaha Factor.
Nesta última semana, estive ao guidão da Bajaj Dominar NS160 e posso dizer, são apenas detalhes que faltam a ela para conquistar um mercado dominado pela CG, mas isso vai demorar.
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Design
A Bajaj Dominar NS160 é bem-nascida, tem design bem acertado com linhas musculosas, agressivas que dão a impressão de ela ser maior do que realmente é, sendo necessariamente uma versão reduzida das irmãs NS200 e NS250, também da linha Dominar.
O conjunto óptico dianteiro é arrojado, totalmente de led, além da opção de usar o farol baixo ou somente as luzes diurnas de rodagem, algo que nenhuma das suas concorrentes traz.
Reprodução/Carlos Mattos
A parte traseira, que traz o porta placa, tem estilo que remete às nakeds de maior cilindrada e isso é bom, traz um aspecto bonito para a Dominar e descola ela das motos ditas “de entrada”, que trazem peças mais simples na traseira e deixam o design genérico.
E apesar de ser uma moto de entrada da marca, o acabamento é surpreendentemente bom, com plásticos de qualidade, o que reforça o posicionamento mais premium da Dominar NS160.
Conjunto mecânico
De uma coisa a Bajaj pode ser orgulhar, afinal a indiana tem a moto de 160 cilindradas mais potente do mercado nacional.
Se de um lado a Yamaha Factor tem 149 cilindradas, 12 cv de potência e 1,3 kgfm de torque, isso abastecida a etanol, já que a Factor bebe gasolina e etanol. Do outro lado, a Honda CG tem 162,7 cilindradas, entregando 14,7 cv de potência e 1,43 kgfm de torque, também com motor flex. A Dominar NS160 segue a mesma receita do motor monocilíndrico SOHC de 4 tempos, mas ao em vez do arrefecimento a ar como na CG e na Factor, a indiana tem arrefecimento a óleo, o que melhora de fato a temperatura de trabalho do motor.
Na Dominar são 160,3 cilindradas e 17 cv de potência com torque de 1,48 kgfm, o que permite que a Bajaj, seja ligeiramente mais rápida que a CG, mas traz a desvantagem de não aceitar etanol no tanque, o que a coloca um passo atrás na questão mecânica, que com a gasolina com 30% de etanol pode irritar um pouco os proprietários que acabam sentindo ela falhar com motor frio.
Reprodução/Carlos Mattos
Digo isso, porque não houve um dia sequer da minha semana de testes com a Dominar, que ela não apresentou falhas com o motor frio, deixando claro que a gasolina E30, de certa forma prejudicou a Bajaj. Vale lembrar, que também não posso atestar a qualidade do combustível utilizado.
Outro ponto que pode desagradar os compradores é o fato de ela ter duas velas no motor, o que aumenta o valor de manutenção, mas por outro lado, melhora a queima do combustível e consequentemente o desempenho.
O câmbio é manual de 5 marchas, sem nenhum tipo de assistência hidráulica na embreagem e sem o deslizamento.
Curiosidades da Bajaj Dominar NS160
Uma curiosidade fica por conta do pedal de ignição, coisa que nenhuma motocicleta do mercado traz, mas que na Dominar 160 permanece, o que de certa forma ajuda no caso de falta de bateria para a partida elétrica, permitindo que o piloto apenas acione o pedal e não precise dar o famoso tranco na moto.
A outra curiosidade, essa ainda menos comum, é por conta dos modos de pilotagem. Acredite, mesmo tendo somente 160 cilindradas, o piloto pode alternar entre os modos:
- Road, que oferece o melhor dos mundos entre frenagem, tração e desempenho;
- Rain, que otimiza a frenagem e reduz o risco de deslizamento das rodas;
- Off-Road, que permite deslizamento da moto em curvas e manobras e ajusta o sistema ABS para melhor tração.
Freios e Suspensão
Reprodução/Carlos Mattos
Falando em freios, a Bajaj Dominar NS160 é a única na sua categoria a trazer o sistema ABS de dois canais, evolução que ocorreu em 2024, com a mudança de chassi. O disco dianteiro tem 300 mm de diâmetro e o traseiro tem 230 mm.
Na suspensão, a Dominar também é a única a trazer o sistema de garfo invertido e na traseira, traz o sistema monochoque com nitrox, aqueles reservatórios de reserva de óleo. O conjunto é competente, traz conforto na cidade e quando solicitado em curvas, oferece segurança o suficiente para trazer diversão ao piloto.
Tecnologia e painel
Reprodução/Carlos Mattos
O painel é um destaque da Dominar por ser a única que traz conectividade bluetooth e navegação “turn by turn” com indicadores por setas, facilitando a pilotagem e a chegada aos destinos.
Além disso, é um painel completo, com velocímetro, conta-giros, indicador de marcha, relógio, odômetro total, parcial, trip A, trip B, consumo instantâneo e consumo médio, além do marcador de combustível.
Ele não tem tela de led, mas mesmo com a tela em LCD do tipo blackout, cumpre perfeitamente sua função e coloca a Dominar NS160 um patamar acima das suas concorrentes.
No dia a dia
Não é de se esperar desempenho esportivo da Dominar NS160, mas não espere também um desempenho que “falte fôlego”. Ainda que tenha apenas 160 cilindradas, ela entrega potência suficiente para o dia a dia nas ruas, o que favorece e muito quem anda diariamente utilizando a moto para o trabalho, como motoboys e entregadores de aplicativo.
Anda bem, freia bem e tem conforto. O banco apoia bem o piloto e garante horas de pilotagem sem fazer a lombar gritar.
Reprodução/Carlos Mattos
O consumo ficou na casa dos 33 km/l e, claro que isso pode variar de acordo com a qualidade do combustível, trajeto e abertura do acelerador. Confesso que eu não pilotei de forma muito ortodoxa a Dominar, mas ainda assim o consumo me agradou, mesmo sendo longe do consumo de uma CG ou da Factor, por exemplo, que passam dos 40 km/l.
E por que ela não supera Honda e Yamaha?
Como falei no início do texto, não é que ela não supere, ela é melhor do que as duas concorrentes. Nenhuma moto desse segment, oferece o que a Dominar NS160 traz, como iluminação nos botões do guidão, protetor de roda traseira, cavalete central, protetor de carenagem e a conectividade.
Reprodução/Carlos Mattos
Mas, não adianta a Bajaj, que chegou ao Brasil em 2022, querer brigar com Yamaha que está por aqui desde 1970 e com a Honda que desde 1976 lidera de forma absoluta o mercado. Apesar das 57 concessionárias, um número bom, dado o pouco tempo de Brasil, a Yamaha conta com cerca de 420 concessionárias e a Honda cerca de 1.100, o que deixa a indiana bem para trás. E, por isso, apenas por isso, a Bajaj ainda não dominou o mercado, mas com o perdão do trocadilho, tem toda a capacidade de Dominar em poucos anos.
Preços e cores
Disponível em 4 variações de cores, sempre com dois tons, a Bajaj Dominar NS160 parte de R$ 18.150, sem frete e eventuais impostos estaduais e oferece 3 anos de garantia.
Por Carlos Mattos
