Royal Enfield Shotgun 650: a "Bobber" que surpreende no asfalto
A Royal Enfield Shotgun 650 desembarcou no Brasil logo depois da Super Meteor 650, que trouxe diversas novidades na marca, como por exemplo o farol e lanterna de LED, algo que ainda não tinha sido visto na marca.
Embora use a mesma base da Super Meteor 650, como o mesmo motor e o chassi com pequenas alterações, a Shotgun se posiciona como uma Bobber, que entrega uma proposta mais esportiva para quem não abre mão do conforto e das personalizações que esse tipo de moto oferece.
Você também pode se interessar por:
- Yamaha Factor 150 DX: Andamos na versão completinha da “pau pra toda obra”
- Yamaha MT-03 2025: o que ninguém te contou na naked
- Teste: Royal Enfield Guerrilla 450 é irmã da Himalayan, mas com toque especial
- Triumph Speed 400 e Scrambler 400 são portas de entrada para motos premium
Design
A Shotgun 650 é, sem dúvida, uma moto bonita. Ainda que tenha o design clássico já conhecido da Royal Enfield, traz itens como as setas, farol dianteiro e lanterna traseira de LED, o que deixa claro que ela tem a aparência retrô, mas traz tecnologia. O tanque de 13,8 litros tem formato de gota com silhueta limpa, características essenciais de uma bobber.
Reprodução/Carlos Mattos
De fábrica, a Shotgun é um monoposto com assento único, mas há a possibilidade de ter o banco do garupa com total tranquilidade assim como a que testamos estava. Sem o banco traseiro, a grade que apoia o assento, torna-se um bagageiro para os viajantes de plantão. Aliás a própria Royal Enfield oferece uma vasta linha de acessórios com mais de 30 itens, o que permite personalizar completamente a moto.
As rodas de liga leve com 18 polegadas na dianteira e 17 na traseira, calçadas com pneus sem câmara, além de bonitas, deixam a moto confortável, trazendo mais tranquilidade em viagens.
Motor
O coração da Shotgun é o conhecido e confiável motor bicilíndrico paralelo de 648 cc, refrigerado a ar e óleo. O mesmo que equipa a Super Meteor, Interceptor e Continental GT, a calibração, no entanto, é o que a diferencia.
Reprodução/Carlos Mattos
Com 47 cv de potência a 7.250 rpm e 5,3 kgfm de torque a 5.650 rpm, o conjunto foi ajustado para priorizar a entrega em baixas e médias rotações. Na prática, isso se traduz em um motor muito esperto no trânsito urbano e confiante para retomadas na estrada. O câmbio de seis marchas tem engates precisos e trabalha em harmonia com a entrega de torque, garantindo que o piloto encontre sempre a marcha ideal para a situação. O som do escapamento, inclusive, tem um charme a parte, reforçando o DNA clássico.
Durante a avaliação, a moto se mostrou surpreendentemente leve para seus 240 kg em ordem de marcha. O torque facilita a vida em saídas de farol e a moto "enche" rapidamente, permitindo ultrapassagens seguras na rodovia. O consumo médio, segundo a Royal Enfield, fica na casa dos 22 km/l, um número bem razoável para a cilindrada, mas no meu estilo de pilotar, consegui um pouquinho a mais chegando a fazer 23,5 km/l, o que é excelente.
Na pista
O motor agrada e a ciclística, apesar do estilo da moto, não decepciona. Aliás, foi uma das coisas que me chamou a atenção. A suspensão dianteira é um ponto alto, com garfo invertido Showa de 120 mm de curso, algo sofisticado para o segmento, a Shotgun consegue ser confortável e agradável para pilotar, permitindo até uma certa esportividade. Na traseira, os amortecedores são duplos também da Showa, com curso de 90 mm.
Reprodução/Carlos Mattos
É justamente a suspensão traseira de curso mais reduzido, combinada com a altura do assento de 795 mm e a proposta bobber, que exige mais atenção do piloto. Em asfalto bem conservado, a Shotgun 650 se comporta de forma muito estável, um benefício do peso e da distribuição de massa, e contorna curvas com precisão. Mas, em pisos irregulares, algo raríssimo nas ruas de São Paulo (contém ironia), buracos ou quebra-molas, o conforto é inevitavelmente comprometido, transmitindo mais as imperfeições para o piloto.
A posição de pilotagem é mais centralizada e menos custom estradeira que a Super Meteor, o que contribui para a sensação de agilidade. Os freios a disco com 320 mm na frente e 300 mm atrás, com ABS de duplo canal são eficientes e trazem a segurança necessária para uma moto dessa categoria.
Preços e versões
Ela tem 3 variáveis, Base, Mid e Top, que se diferenciam especificamente pela cor.
- Sheet Metal Grey - Base – R$ 33.900,00
- Plasma Blue – Mid – R$ 34.490,00
- Drill Green – Mid – R$ 34.490,00
- Stencil White – Top - R$ 34.990,00
Conclusão
A Royal Enfield Shotgun 650 não é apenas mais uma moto no crescente portfólio da marca indiana. Ela é a escolha ideal para o motociclista que busca o visual bobber, mas não quer abrir mão de uma tocada agradável e de um motor com desempenho confiável no dia a dia e em pequenas viagens de forma acessível.
Ela não tem o conforto de uma tourer, mas entrega estilo, personalidade e a agilidade que faltava em sua categoria.
Por Carlos Mattos
