Teste: Royal Enfield Guerrilla 450 é irmã da Himalayan, mas com toque especial
A Royal Enfield Guerrilla 450 é a grande aposta da marca para o segmento naked roadster, que chega ao Brasil para brigar por uma fatia do bolo que tem Honda CB300F Twister, Yamaha MT-03 e Honda Hornet 500 - ainda que as duas últimas tenham concepções diferentes na sua mecânica, já que contam com motores de dois cilindros.
Mas vamos ao que interessa, que é a Guerrilla 450, onde já tenho que pontuar que o nome se pronuncia “Guerrilha”, sendo o duplo “L” com som de “LH”. A não ser que você, caro leitor, seja de algum país de língua espanhola e pronuncie as duas letras “L” como “J”, aí a Guerrilha passa a se chamar “Guerrija”.
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Segundo a própria marca, e aqui reproduzo o texto na íntegra, “o nome Guerrilla 450 tem inspiração na mistura de herança histórica e proposta urbana moderna. Segundo análises especializadas, o nome “Guerrilla” faz referência à origem da Royal Enfield como fabricante de armamentos, evocando uma imagem de agilidade, resistência e prontidão para o combate — neste caso, o “combate urbano”. Voltemos ao teste.
Saí da zona sul de São Paulo rumo a Alphaville, onde seriam feitas as imagens de câmera car e fotos da moto com seus respectivos pilotos. O que me deixou impressionado logo de cara, foi no primeiro contato com a moto já sentir como se ela fosse minha há anos, dado a forma como ela me vestiu.
Divulgação/Royal Enfield
É comum para nós que testamos motocicletas semanalmente ter que se acostumar com as motos nos primeiros quilômetros para realmente ficar à vontade e tentar extrair o máximo da pilotagem para trazer as impressões para vocês.
Mas na Guerrilla, imediatamente já me senti tranquilo para andar como se já fossemos velhos companheiros de viagem.
Tudo bem, há de se dizer que, por ter o mesmo chassi da Himalayan 450, eu já deveria ter alguma familiaridade, mas o fato é que depois da “Hima” vários outros modelos passaram pelas minhas mãos.
A posição de pilotagem foi o que de cara me chamou atenção na Guerrilla 450, montei na moto e pronto, apenas ajustei os retrovisores, engatei a primeira e segui rumo ao destino. Vamos falar do design.
Royal Enfield Guerrilla 450: é bonita?
A Guerrilla 450 é uma moto que tem o estilo bastante diferenciado, misturando o clássico, característico da Royal Enfield, com esportividade, seguindo a linha roadster, mas sem exageros. Ela é bonita de fato, mesmo em suas cores mais vibrantes.
Aliás, são 4 cores disponíveis na Guerrilla 450: Smoke Silver, Peix Bronze, Brava Blue e Yellow Ribbon - que combinaram perfeitamente com o estilo da moto.
Divulgação/Royal Enfield
O conjunto de luzes, das setas, farol dianteiro e lanterna traseira são totalmente de LED, o que traz modernidade para a moto, que como já dito neste texto, combinam o clássico com o moderno.
As linhas do tanque e das carenagens são suaves. Diferentemente do que acontecia na linha antecessora, onde Himalayan 411 e Scram 411 tinham exatamente o mesmo tanque, Himalayan 450 e Guerrilla 450 têm peças diferentes.
Aliás, dadas as devidas proporções, ainda que tenham o mesmo chassi e motor, são motos completamente diferentes.
Royal Enfield Guerrilla 450: qual o motor?
Divulgação/Royal Enfield
O Sherpa 450, de 452 cilindradas, quatro tempos, monocilíndrico e arrefecido a líquido, que equipa a Himalayan tem programação de injeção diferente em relação à trail da marca, tanto que o comportamento da Guerrilla é pouca coisa mais agressivo do que a da irmão mais alta.
A diferença é pequena, mas bastante perceptível, deixando claro que o ímpeto da roadster é mais explosivo, ainda que a potência de 40 cavalos apareça aos 8.000 rpm e o torque de 4 kgfm, seja entregue aos 5.500 rpm, assim como na Himalayan.
O câmbio é de seis marchas com embreagem assistida e deslizante, assim como na trail, mas com escalonamento ligeiramente diferente priorizando o torque mais rápido na Guerrilla.
Vibra? Sim, em altas rotações o motor apresenta vibrações, mas nada que possa incomodar quem está pilotando e muito menos deixar a pilotagem desconfortável.
Royal Enfield Guerrilla 450: como são suspensão e freios?
Aqui é o super trunfo da Guerrilla 450. A suspensão é muito bem calibrada, com seus tubos de 43 mm e curso de 140 mm na suspensão dianteira, que tem rodar firme, permitindo que se faça curvas com apetite e tenha conforto em ruas com asfalto mais castigado. O conjunto traseiro, tem monoamortecedor com braço articulado de 150 mm, que também mantém a moto nas mãos do piloto o tempo inteiro.
Os freios têm ABS de dois canais e seguram a moto de forma exemplar. Os discos são ventilados, tanto na dianteira que tem 310 mm de diâmetro, quanto na traseira que conta com disco de 270 mm.
Divulgação/Royal Enfield
Durante o dia de teste, levamos a moto ao limite em uma prova proposta pela Royal Enfield, que consistia em acelerar a moto forte na arrancada e frear sem passar o limite estabelecido pelos cones. E o resultado foi que, além de robusto, o sistema está superdimensionado para a Guerrilla, já que em nenhum momento foi notado stress nas frenagens. E olha que abusamos (e muito!).
Royal Enfield Guerrilla 450: painel de instrumentos funciona?
O painel é o Tripper Dash, o mesmo que equipa a Himalayam 450. Uma tela de TFT redonda, que pode ter duas possibilidades de navegação. O turn by turn, apenas por setas, como acontece nas versões mais simples do sistema Tripper e a projeção do mapa na tela do painel, mostram exatamente o mesmo conteúdo que o seu smartphone.
Divulgação/Royal Enfield
A navegação no painel é simples e conta com um pequeno joystick no punho esquerdo, que na Guerrilla me passou a impressão de ser mais resistente do que na Himalayan, que achei extremamente frágil.
O único inconveniente é que ao espelhar o mapa por meio do aplicativo próprio da Royal Enfield, que tem conexão complicada, a tela do smartphone não pode ser bloqueada, o que drena a bateria do aparelho e obriga o piloto a mantê-lo ligado à tomada USB que fica no painel ou estar conectado a uma bateria externa dentro da mochila.
Questionei o gerente de marketing da Royal Enfield, Renato Ferri, sobre o sistema e o mesmo sinalizou que a marca já tem conhecimento da deficiência do sistema e que já estão providenciando uma atualização que poderá ser feita sem a necessidade de comparecer a uma concessionária da marca.
Royal Enfield Guerrilla 450: como é na pista?
Aqui eu poderia dar impressões apenas na cidade e na rodovia, mas andamos também na pista. Sim, na pista! De Alphaville, seguimos para a Estrada dos Romeiros para experimentar a Guerrilla nas curvas sinuosas da rodovia, rumo ao Kartódromo Aldeia da Serra.
Se na cidade ela demonstra uma ciclística exemplar, previsível e gostosa de pilotar, na rodovia, a Guerrilla 450 mostra que tem vocação para enfrentar viagens mais longas mantendo o piloto com sorriso no rosto durante todo o trajeto, já que mesmo em pistas sinuosas como a Estrada dos Romeiros, a moto é fácil de pilotar e, como tem reações previsíveis, deixa o piloto relaxado para aproveitar toda a atmosfera que uma moto na estrada proporciona.
Divulgação/Royal Enfield
Já na pista do kartódromo, bem, aí a história foi outra. A Guerrilla 450 andou bem, freou bem, e as curvas da pista da Aldeia da Serra pareciam ter sido feitas para a moto, já que eram devoradas com velocidade e segurança. Mesmo para mim que não tenho aptidão alguma para pistas de competição sobre duas rodas.
Royal Enfield Guerrilla 450: vale a pena comprar?
A Royal Enfield Guerrilla 450, tem todos os atributos para se tornar um grande sucesso de vendas da marca. É bonita, bem acertada, tem cores sóbrias para quem quer passar despercebido e cores chamativas para quem quer ser visto. Um bom produto, que se a Royal atender a demanda com rapidez, será a “moto-chefe” da marca aqui no país.
Royal Enfield Guerrilla 450: Preços e versões
Disponível em duas versões e quatro cores, a Royal Enfield Guerrilla 450 tem política de preços agressiva, veja abaixo:
- Mid – Peix Bronze e Smoke Silver – R$ 28.990
- Top – Brava Blue e Yellow Ribbon – R$ 29.450
As versões diferenciam-se somente pelas cores, não tendo pacote de equipamentos alterados.
Por Carlos Mattos
