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CEO da Ford revela verdadeiro motivo do fim de Fiesta, Focus e Fusion

Marca tem priorizado modelos de maior valor agregado, mesmo com menor volume de vendas
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28.12.2025 às 17:15
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A Ford está encolhendo a sua linha de produtos como parte de uma reorientação estratégica voltada à rentabilidade, deixando de atuar como uma fabricante de portfólio amplo para concentrar esforços em veículos com maior margem de lucro. A mudança reflete uma avaliação interna de que competir em segmentos de menor preço deixou de fazer sentido financeiro diante da pressão de custos e da forte concorrência global – estratégia que levou ao fechamento de fábricas da empresa em diversos países, incluindo o Brasil.

Nos últimos anos, a montadora norte-americana retirou de cena diversos modelos tradicionais, incluindo sedans e SUVs de volume, em um movimento para simplificar o portfólio e direcionar investimentos a produtos mais rentáveis.

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Embora a estratégia resulte em menor volume total de vendas, a Ford aposta na melhora dos resultados financeiros ao priorizar veículos com maior valor agregado, como picapes e SUVs de forte apelo emocional, como o Mustang.

Modelos icônicos, especialmente as picapes da linha F-Series, além de utilitários esportivos, como o Bronco, passaram a ocupar papel central nessa nova fase da empresa. Esses veículos permitem à marca praticar preços mais elevados e preservar margens em um cenário de aumento dos custos de desenvolvimento, produção e eletrificação.

A reestruturação também tem impacto direto nas concessionárias, que passam a oferecer menos opções de carros convencionais e mais produtos voltados a nichos específicos. Ao mesmo tempo, a Ford vem ajustando sua estratégia para veículos eletrificados, revendo cronogramas e investimentos conforme a evolução da demanda e a necessidade de equilíbrio financeiro no longo prazo.

A decisão de reduzir a gama de modelos marca uma transformação profunda no posicionamento da Ford no mercado global. Ao priorizar lucro em vez de volume, a montadora busca garantir sustentabilidade financeira em um setor cada vez mais competitivo, ainda que isso signifique abrir mão de segmentos historicamente importantes para sua presença mundial.

O CEO global da Ford, Jim Farley, disse recentemente ao jornal argentino La Nación, que a empresa está satisfeita por ter tentado competir contra fabricantes asiáticas com os modelos Fiesta e Focus, mas reconheceu que continuar a produzi-los não fazia mais sentido financeiramente.

“Foi um aprendizado espiritual para a Ford se tornar uma fabricante de linha completa, mas aprendi muito, porque talvez tenha sido um erro. Não foi um erro por tentar, mas os nossos custos não eram competitivos com os da Toyota e da Hyundai/Kia, por isso tivemos que mudar para o Bronco e picapes”, explicou Farley.

O executivo ressaltou que a estratégia da Ford Argentina refletia as suas ambições no mercado norte-americano, com uma linha ampla, incluindo modelos mais acessíveis, nos moldes do icônico Ford T, mas os cálculos financeiros se mostraram insustentáveis.

“Tínhamos a ambição de ser uma empresa de linha completa, como a fabricante do Modelo T, de ter um produto muito democrático, mas também descobrimos que isso tornava o negócio quase impossível, porque não tínhamos vantagem de custo. Então, assim como na Argentina e na América Latina, nos EUA, tivemos que reestruturar o negócio”, concluiu.

De 2013 a 2017, a Ford vendeu mais de 6,3 milhões de veículos por ano em todo o mundo. Em 2018, as vendas caíram para pouco menos de 6 milhões de unidades e, em 2020, despencaram para 4,2 milhões. A queda foi ainda maior em 2021, para 3,9 milhões, e desde então, as vendas se estabilizaram entre 4,2 e 4,4 milhões de unidades anualmente.

Embora a Ford tenha produzido menos veículos nos últimos anos, os que saem de suas fábricas têm um peso maior, tanto em impacto quanto em lucro. Destaques recentes incluem o nervoso Mustang GTD, o Bronco Raptor focado no off-road e a feroz F-150 Raptor R, todos produtos projetados para despertar algo além da praticidade.

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