Ford Mondeo é sedan maior que Toyota Corolla a preço de Virtus de entrada
“Quem é vivo sempre aparece”, diz o ditado popular, e enquanto muita gente dá o Ford Mondeo como morto, sua quinta geração segue firme e forte no mercado chinês, onde a versão 2026 acaba de ser apresentada pela Changan.
Na verdade, o que mantém o Mondeo vivinho e com vendas em alta, nos três últimos anos, é a Changan Ford, “joint venture” entre a estatal chinesa e a centenária montadora norte-americana, que tem como atividade a produção e comercialização dos produtos que levam a marca desta segunda tanto atrás da Grande Muralha, como nos Estados Árabes do Golfo (CCG, em inglês), que reúne por Bahrein, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Portanto e antes de mais nada, a única chance de o leitor topar com o Mondeo atual é viajando para um destes países, já que o sedã foi descontinuado nos demais mercados em 2022.
Você também pode se interessar por:
- Marcas chinesas vão além dos veículos elétricos para liderar exportações
- CNH: mudanças podem baratear em 80% a carteira de motorista
- Novo Jeep Compass ganha versão elétrica e condução semiautônoma
- Um em cada três automóveis será de marca chinesa
A boa notícia, para os fãs do modelo, é que ele deu um salto qualitativo, já que nada mais é o que uma versão rebatizada do Lincoln Z, mantendo a oferta de motores a combustão interna, 1.5T Ecoboost de 193 cv e 2.0T Ecoboost de 257 cv, além de uma versão híbrida tradicional, 1.5 E-Hybrid de 284 cv.
Os preços das versões 2026 são bastante atraentes, principalmente para um grandalhão de quase cinco metros (4,93 m de comprimento), partindo de 149,9 mil yuans (o equivalente a R$ 115 mil ou apenas R$ 5 mil a mais em relação ao Virtus Sense 1.0 TSI, da Volkswagen) e chegando a R$ 199,8 mil yuans (R$ 153,5 mil ou 25% mais barato que o Corolla Altis Premium Hybrid, da Toyota).
Todos os propulsores Ecoboost são combinados a uma transmissão automática de oito velocidades, enquanto, na versão E-Hybrid, o sistema é elétrico variável (eCVT) usa engrenagens planetárias ao invés da correia dos CVTs convencionais, como o do Corolla Altis Hybrid – o Virtus Sense conta com câmbio manual de cinco marchas.
Elegância e tradição
Divulgação/Changan Ford
Em termos visuais, o sedã mantém a elegância com uma pitada de esportividade, mas suas linhas externas permanecem inalteradas em relação ao Mondeo 2025 (ver imagens). Por dentro, o sedã passa a ofertar a última atualização do sistema Sync+, que segue com a enorme tela 4K de 27 polegadas, mas traz ganhos tanto em hardware como em software em relação às versões anteriores – os mapas do navegador Baidu incorporaram contagem de semáforos, guia de velocidade por ‘onda verde’, recomendações de estacionamento, assistente de voz aprimorado e suporte para atualizações remotas ‘over-the-air’. O console central finalmente passa a dispor de carregador sem fio para smartphones, na parte flutuante.
Apostando na tradição da marca e na fidelidade do consumidor deste nicho, a Changan Ford oferece um programa de troca para os atuais proprietários, que dá descontos de até 7.000 yuans para os clientes elegíveis. Hoje, longe de ser um ‘best seller’, o Mondeo acumula bons resultados comerciais nos últimos três anos, quando suas vendas saltaram de 60,8 mil unidades, em 2022, para 78 mil unidades (+28,2%), em 2024. Uma curiosidade é que, nos países do CCG, o sedã usa o nome Taurus, que também marcou época durante o final dos anos 80 e toda a década de 90 como líder de vendas, nos Estados Unidos.
Divulgação/Changan Ford
Como o leitor pode ver, o que mais chama atenção no Mondeo 2026 não é, exatamente, sua releitura do conceito de sedã grande, mas os preços absurdamente baixos em relação a um Volkswagen Virtus e um Toyota Corolla. Ou seja, não são os modelos chineses que são baratíssimos, mas é o comportamento inimaginável do mercado chinês que, num país comunista, permite mais competitividade do que em qualquer economia liberal.
Jornalista Automotivo
Trabalha como jornalista há 30 anos, e tem, na Mobiauto, uma coluna com seu nome. Escreve sobre novos carros, indústria e polêmicas do setor automotivo. Mais do que isso, cobre todas as inovações tecnológicas oferecidas do outro lado do mundo.
