Ayrton Senna – O Homem que tornou limite apenas uma palavra

“Vocês nunca conseguirão saber como um piloto se sente quando vence uma prova. O capacete oculta sentimentos incompreensíveis”.

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Camila Torres

Jornalista Automotiva

1 de Maio de 2019 às 16:46

·

Atualizado há um ano

Ayrton Senna – O Homem que tornou limite apenas uma palavra

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1 de Maio de 2019 às 16:46

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Limite: Marca a partir da qual não se pode continuar, ou o mais alto grau, ou final de alguma coisa. Para Ayrton Senna, às vezes eram todos os significados juntos, às vezes, era apenas uma palavra. 

Foram 65 poles, 80 pódios, 41 vitórias e 3 títulos na Fórmula 1, 1988, 1990 e 1991. A carreira de Senna nas pistas durou 10 anos, o suficiente para até hoje não ter sido superado por nenhum outro piloto. Por coincidência ou destino ele deixou o mundo no dia 01 de maio, Dia do Trabalho; e foi justamente trabalhando que morreu o piloto brasileiro mais amado em Terras Tupiniquins e admirado em Terras estrangeiras. 

Senna não apenas morreu trabalhando, morreu fazendo o que mais amava e sentindo o sangue correr nas veias a cada acelerada nas pistas. Ele era muito bom em pisar fundo, acelerava em Interlagos e no mundo, acelerava principalmente o coração de todos que assistiam a sua performance nas curvas, suas ultrapassagens em linha reta e a cada vez que subia no pódio para comemorar suas vitórias. 

Senna dominava a arte de vencer e ele estava disposto a dar tudo de si para isso. Sempre sincero quando questionado sobre sua relação com o degrau mais alto do pódio, ‘Beco’ apelido que o piloto ganhou na infância afirmava “O importante é ganhar. Tudo e sempre. Essa história de que o importante é competir não passa de pura demagogia”. Levou os fãs ao riso quando disse “O segundo lugar é o primeiro perdedor”. E provou que os outros degraus do pódio não o interessavam “No momento em que você se senta num carro de corrida e está competindo para vencer, o segundo ou o terceiro lugar não satisfazem. Ou você se compromete com o objetivo da vitória ou não. Isso quer dizer: ou você corre ou não”.

Correr, correr e correr, não importava as condições, as pistas, o piloto da frente ou o tempo, ele corria o mais rápido que podia, tanto que 13 de suas 41 vitórias foram na chuva. Deixava os outros competidores perplexos ao ver que mesmo no asfalto molhado continuava deslizando insanamente. Sua agressividade em alta velocidade já foi questionada e respondida por ele “Não sei dirigir de outra maneira que não seja arriscada. Quando tiver de ultrapassar vou ultrapassar mesmo. Cada piloto tem o seu limite. O meu é um pouco acima do dos outros.”

E ainda falou sobre a sensação de estar em um carro a 300 km/h “O que sinto? Emoção, prazer e desafio” e fazia todos se perguntarem se restava espaço para medo. O que isso significava para ele? Esta palavra constava no dicionário dele? Por mais inacreditável que seja, sim, mas de uma forma diferente: “Tenho medo da morte e da dor, mas convivo bem com isso. O medo me fascina”.

Senna trabalhava duro para alcançar o que mais queria quando colocava o capacete: vencer. Deixando claro o que isso representava para ele quando dizia coisas como “O brasileiro só aceita título se for de campeão. E eu sou brasileiro” e “Canalizo todas as minhas energias para ser o melhor do mundo”. Não importava o quanto difícil fosse “Na adversidade, uns desistem, enquanto outros batem recordes”. 

O mundo não estava preparado para perder o tricampeão brasileiro. Se ele estava ou não, nunca saberemos, ele apenas disse “Se a morte tiver que levar-me, então que seja com toda força, numa curva, porque vejo mal acabar a minha vida numa cadeira de rodas” e ainda explicou como se consolasse seus admiradores antecipadamente, “Acidentes são inesperados e indesejados, mas fazem parte da vida”.

Em vida, Senna comprovou que é possível ultrapassar todos os limites que nos separam das nossas conquistas. Sua memória está eternizada em cada um que se arrepiou vendo-o dar o melhor de si e agradecemos pela lição: “Seja você quem for, seja qual for a posição social que você tenha na vida, a mais alta ou a mais baixa, tenha sempre como meta muita força, muita determinação e sempre faça tudo com muito amor e com muita fé em Deus, que um dia você chega”.

Sentir era algo muito importante para o nosso tricampeão, mas tinha sentimentos que só pertenciam a ele “Vocês nunca conseguirão saber como um piloto se sente quando vence uma prova. O capacete oculta sentimentos incompreensíveis”, outras vezes compartilhava conosco “O importante em cada vitória é a emoção”, nós sentimos. Nós sentimos com você Senna, a cada vez que você explorou a potência máxima, não do carro, mas a sua. 

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