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Citroën C3 (2012–2021) era hatch de R$ 35 mil que evoluiu mantendo charme

Modelo marcou época no Brasil com visual e acabamento mais sofisticado
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08.10.2025 às 18:51
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Lançado no Brasil em 2003, o Citroën C3 estreou como um compacto premium cheio de carisma e tecnologia. Em um mercado dominado por hatches simples e pragmáticos, o C3 chegava com ar-condicionado, direção elétrica, painel digital, vidros e travas elétricas, retrovisores elétricos, coluna de direção ajustável em altura e distância, banco do motorista com regulagem de altura e até cintos dianteiros reguláveis — uma lista digna de categorias superiores.

O motor 1.6 16V EC5 de 110 cv era o destaque, acelerando de 0 a 100 km/h em 9,8 s e alcançando 196 km/h — números que ainda impressionam. O consumo, contudo, não era seu forte: cerca de 8 km/l na cidade e 13,5 km/l na estrada com gasolina. Já a versão 1.4 de 75 cv e 12,5 kgfm oferecia desempenho mais modesto (0–100 km/h em 12,4 s e 168 km/h), mas compensava com médias urbanas próximas de 10,5 km/l.

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Com o tempo, o modelo ganhou novas motorizações e versões flex — o 1.6 em 2005 e o 1.4 em 2006 —, mantendo-se competitivo com um leve facelift em 2008. Ainda assim, começaram as reclamações sobre suspensão e sistema elétrico, pontos que mancharam parte de sua reputação de confiabilidade.

A nova geração (2012–2021): mais refinado, mais maduro

A linha 2013 marcou o início da segunda geração do C3, mantendo a plataforma PF1, mas com carroceria totalmente redesenhada. O hatch ficou 94 mm mais comprido e 41 mm mais largo, mantendo o entre-eixos, o que melhorou o espaço interno sem alterar a dinâmica.

O visual evoluiu: linhas mais suaves, faróis integrados e o para-brisas panorâmico Zenith, que se tornaria um dos diferenciais mais marcantes do modelo. A qualidade dos materiais e o acabamento interno melhoraram muito, e a suspensão traseira, agora com novo conjunto de amortecedores, trouxe conforto sem sacrificar estabilidade — uma evolução clara frente ao antecessor.

Divulgação/Citroën

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Sob o capô, o motor 1.4 deu lugar ao 1.5 8V flex de 89 cv a 5.500 rpm e 14,2 kgfm a 3.000 rpm, suficiente para levá-lo a 181 km/h e acelerar de 0 a 100 km/h em 12,6 s, com consumo médio de 11,9 km/l na cidade e 14,7 km/l na estrada (gasolina). Já o 1.6 16V EC5 seguiu praticamente inalterado, mantendo desempenho sólido e consumo razoável.

Em 2016, chegou o moderno motor 1.2 PureTech de três cilindros, com até 90 cv e 13 kgfm de torque, números modestos no papel, mas eficientes na prática: 0 a 100 km/h em 13 s, velocidade máxima de 175 km/h e médias de 14,3 km/l na cidade e 18,6 km/l na estrada — um salto em eficiência energética.

A produção do modelo se encerrou em 2020 (linha 2021), marcando o fim de uma era para o compacto francês.

Custo de aquisição, manutenção e seguro

O C3 da segunda geração é um dos usados mais acessíveis dentro da subcategoria “hatch premium”. Unidades 1.5 costumam aparecer entre R$ 35 mil e R$ 45 mil, enquanto as 1.6 e 1.2 PureTech ficam entre R$ 45 mil e R$ 55 mil, dependendo do ano e versão.

A manutenção, embora simples em essência, é mais cara do que em hatches nacionais equivalentes, principalmente por conta de peças importadas e componentes eletrônicos sensíveis. Revisões periódicas em concessionárias costumam custar 10% a 20% mais que em um VW Gol ou Fiat Argo, por exemplo. O seguro é intermediário — varia entre R$ 2.000 e R$ 2.800 para um perfil masculino de 40 anos, casado, em SP.

Divulgação/Citroën

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Adequação ao perfil de uso

O C3 é perfeito para quem valoriza conforto, estilo e suavidade de rodagem. O isolamento acústico é exemplar, a direção elétrica é leve e o câmbio, curto e preciso. É um carro urbano por natureza, mas encara bem pequenas viagens. O espaço interno é razoável, embora o porta-malas de 300 litros não empolgue.

É o carro certo para quem quer fugir do óbvio, mas ainda quer praticidade e consumo controlado. Motoristas mais exigentes em acabamento e conforto — e menos preocupados em “revenda rápida” — são seu público-alvo ideal.

Divulgação/Citroën

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Problemas mais comuns

Apesar da evolução, o C3 ainda apresentava pontos sensíveis. Entre os mais relatados estão:

  • desgaste prematuro de buchas e batentes da suspensão dianteira;
  • falhas no sistema elétrico (sensores e conectores);
  • ruídos internos em versões mais antigas;
  • defeitos em atuadores de embreagem ou bobinas de ignição, sobretudo no motor 1.6;
  • desgaste prematuro da correia dentada dos modelos com motor 1.2.

Nada grave ou crônico, mas exigia atenção e manutenção preventiva rigorosa.

Confiabilidade e manutenção

O C3 da segunda geração é confiável quando bem cuidado. O motor 1.5 é robusto, o 1.6 EC5 é conhecido e já dominado pelas oficinas, e o 1.2 PureTech tem se mostrado durável e econômico, desde que receba óleo e combustível de qualidade. Este motor possui correia dentada banhada a óleo, sendo assim, requer cuidados e óleo nas especificações originais.

A eletrônica é sensível — e aí mora o ponto de atenção: descuidos simples, como bateria fraca ou lavagem malfeita no cofre do motor, podem causar falhas de sensores. Fora isso, é um carro que, revisado em dia, roda longas distâncias sem surpresas.

Divulgação/Citroën

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Conclusão

O Citroën C3 de 2012 a 2021 foi, sem dúvidas, o compacto mais subestimado da sua categoria. Envelheceu bem, manteve o conforto típico da marca, ganhou motores mais eficientes e evoluiu em acabamento — tudo sem perder o DNA francês de dirigir com suavidade. Ainda que tenha enfrentado o estigma da manutenção “difícil” e da revenda tímida, o C3 da segunda geração continua sendo uma compra inteligente para quem valoriza prazer de dirigir, estilo e um toque de exclusividade.

Em breve, falarei sobre os modelos da nova geração, que seguem um caminho completamente diferente — e que prometem resgatar, à sua maneira, o espírito original do pequeno francês que encantou o Brasil.

Este texto contém análises e opiniões pessoais do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Mobiauto.

"Leonardo França é formado em gestão de pessoas, tem pós-graduação em comunicação e MKT e vive o jornalismo desde a adolescência. Atua como Consultor Organizacional na FS-França Serviços, e há 21 anos, também como consultor automotivo, ajudando pessoas a comprar carros em ótimo estado e de maneira racional. Tem por missão levar a informação de forma simples e didática. É criador do canal Autos Originais e colaborador em outras mídias de comunicação."

https://www.instagram.com/autosoriginnais

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