Comece 2026 de carro novo. Encontre seu próximo veículo aqui.

VW Santana CS derivado do Passat compensa falta de luxo com porte familiar

Versão de entrada do sedan médio deixava de lado alguns itens e acabamento mais refinado para entregar um conjunto honesto e espaço interno
Por
21.01.2026 às 16:31
Compartilhe:

O Volkswagen Santana nasceu em 1984 como o primeiro sedã médio da marca no Brasil e, desde o início, deixou claro que sua missão era ir além de simplesmente ocupar um novo degrau de mercado. Derivado da segunda geração do Passat europeu, o Santana chegava com porte, entre-eixos generoso, rodar confortável e uma postura que, para os padrões nacionais da época, flertava com o conceito de carro executivo. Em um país que ainda media luxo muito mais pelo tamanho do que pelos equipamentos, ele rapidamente se impôs como referência.

Dentro dessa lógica, a versão CS cumpria um papel muito específico, e muitas vezes mal compreendido hoje. Não era a mais simples da gama, tampouco a mais sofisticada. O CS representava o Santana racional, pensado para quem queria espaço, conforto estrutural e boa mecânica, sem pagar pela ornamentação visual ou pelos excessos de versões mais caras.

Você também pode se interessar por:

Externamente, o CS se distinguia exatamente pela percepção de sobriedade. Era desprovido de frisos laterais na carroceria, dispensava cromados supérfluos e apostava em uma aparência limpa, quase corporativa, fosse com 2 ou 4 portas. As rodas eram sempre de aço estampado, acompanhadas de calotas integrais, calçadas com pneus 185/70 R13, conjunto que privilegiava conforto de rodagem e baixo custo de manutenção, em perfeita sintonia com a proposta do modelo.

Por dentro, a racionalidade seguia a mesma lógica. A forração interna era compartilhada com a linha LS de Gol, Voyage e Parati, utilizando tecidos mais simples, porém duráveis e bem montados. O painel mantinha o desenho moderno e funcional da família Santana, com excelente ergonomia, comandos bem posicionados e leitura clara dos instrumentos. Nada de exageros — tudo estava onde deveria estar.

Mesmo assim, o CS não era um carro espartano. De série, trazia itens considerados importantes para o padrão da época, como ar quente, ventilação eficiente, limpador e lavador do para-brisa, desembaçador traseiro e acabamento interno honesto. A lista de opcionais era ampla e estratégica: ar-condicionado, direção hidráulica, vidros elétricos, travas elétricas, retrovisores com ajuste interno, rádio AM/FM, rodas de liga-leve (as mesmas da versão CD) e até câmbio automático de três marchas podiam ser adicionados através de pedidos especiais, permitindo que o CS fosse configurado sob medida para diferentes perfis de uso, do executivo ao taxista premium.

Sob o capô, o Santana CS utilizava o conhecido motor VW 1.8 carburado que antecedeu à linha AP. Na gasolina, entregava 86 cv a 5.000 rpm e 14,6 kgfm de torque a 2.600 rpm. Quando abastecido com etanol, os números subiam para 92 cv a 5.000 rpm e 14,9 kgfm de torque a 2.600 rpm. Não era um esportivo, mas oferecia desempenho condizente com o porte do sedã, especialmente em uso rodoviário, onde o torque em baixas rotações fazia diferença.

A grande virada técnica veio em 1985, quando a linha 1986 passou a adotar o motor AP-800. Com pistões redesenhados e bielas mais longas e leves, o conjunto ganhava mais fôlego em rotações médias. Com etanol, o AP-800 rendia 94 cv a 5.000 rpm e 15,2 kgfm a 3.400 rpm; com gasolina, eram 87 cv a 5.000 rpm e 14,9 kgfm a 3.400 rpm. A evolução era clara, ainda que discreta — exatamente como pedia a filosofia do CS.

Para acompanhar essa mudança, o câmbio também foi revisto. A partir de 1986, o Santana CS passou a adotar relações mais curtas, inspiradas no câmbio do Gol GT, privilegiando aceleração e retomadas. Na prática, o sedã se tornava mais ágil no trânsito urbano e menos apático em saídas de semáforo, ainda que isso elevasse um pouco o regime de rotações em estrada. Era um Santana mais esperto, sem perder sua essência confortável.

Essa combinação de motor atualizado e câmbio mais curto tornava o CS um carro equilibrado para o uso real do brasileiro dos anos 80 — confortável, robusto, previsível e fácil de conviver. Ele não buscava impressionar, mas entregava exatamente o que prometia.

O encerramento da sigla CS não aconteceu por falha de conceito, mas por estratégia de mercado. Em meio aos sucessivos planos econômicos do governo federal e às tentativas de reorganização da indústria nacional, as montadoras passaram a revisar nomenclaturas e versões como forma de “apresentar novidades” sem, necessariamente, criar produtos. Era uma resposta direta à inflação elevada, às mudanças constantes nas regras do jogo e à necessidade de manter o consumidor atento.

Assim, a partir da linha 1987, o Santana CS dava lugar ao Santana CL. Na prática, pouco mudava. A proposta seguia a mesma, o pacote de opcionais era equivalente e a mecânica permanecia idêntica. O que mudava era o nome, agora alinhado à nova padronização da Volkswagen, que passava a organizar sua gama em CL, GL e CD de forma mais clara, além de um face-lift sutil com novos para-choques e pequenos detalhes de acabamento.

O CS, portanto, não desaparecia, ele apenas mudava de crachá. E talvez isso seja o maior elogio possível: um carro tão bem resolvido que não precisou ser reinventado, apenas rebatizado. O Santana CS cumpriu exatamente o papel que a Volkswagen precisava naquele momento histórico. E ao se transformar em CL, seguiu fazendo o mesmo, com a mesma engenharia, a mesma proposta e a mesma dignidade de quem ajudou a definir o que era um sedã médio no Brasil em que o luxo era o porte, e não seus opcionais.

Este texto contém análises e opiniões pessoais do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Mobiauto.

"Leonardo França é formado em gestão de pessoas, tem pós-graduação em comunicação e MKT e vive o jornalismo desde a adolescência. Atua como Consultor Organizacional na FS-França Serviços, e há 21 anos, também como consultor automotivo, ajudando pessoas a comprar carros em ótimo estado e de maneira racional. Tem por missão levar a informação de forma simples e didática. É criador do canal Autos Originais e colaborador em outras mídias de comunicação."

Receba as reportagens da Mobiauto via Whatsapp

Compartilhe este artigo: