Jeep Renegade: o SUV que trouxe o espírito aventureiro da Jeep à era urbana
Quando o Jeep Renegade chegou ao Brasil, em 2015, ele não era apenas mais um SUV — era o símbolo do retorno oficial da Jeep à produção nacional. Fabricado em Goiana (PE), o modelo foi desenvolvido sobre a plataforma Small Wide, compartilhada com o Fiat 500X, e inaugurou um novo momento na marca: o equilíbrio entre o DNA off-road e a praticidade urbana.
O Renegade nasceu em 2014, na Itália, mas o Brasil foi um dos principais mercados globais para o modelo. O visual quadradinho, com faróis redondos e grade de sete fendas, evocava o Jeep Willys — mas sob o capô, a proposta era de um SUV compacto moderno. A missão era clara: conquistar o público que queria um carro robusto, mas confortável, tecnológico e com pegada de aventura.
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Durante sua trajetória no Brasil, o Renegade teve três famílias de motores principais:
- 1.8 E.torQ Flex (2015–2022) — 132 cv e 18,6 kgfm com etanol, câmbio manual de 5 marchas ou automático de 6 marchas Aisin. Equipava as versões Sport, Longitude e Limited. Confiável, porém pesado e beberrão.
- 2.0 Multijet Diesel (2015–2022) — 170 cv e 35,7 kgfm, com câmbio automático de 9 marchas e tração integral 4x4. Era o coração das versões Longitude, Limited e Trailhawk — e o mais admirado pelos entusiastas.
- 1.3 GSE Turbo Flex (2022–atual) — 185 cv e 27,5 kgfm (etanol), com câmbio automático de 6 marchas e tração dianteira. Substituiu o 1.8 e revolucionou a linha em desempenho e eficiência.
Desempenho e consumo
Versão Motor | Potência 0–100 km/h | Velocidade máx. | Consumo (etanol) Consumo (gasolina)
- 1.8 E.torQ Flex AT6 | 132 cv / 18,6 kgfm | 12,4 s 180 km/h | 7,5 km/l (urbano) / 10,2 km/l (rodoviário) 10,9 km/l (urbano) / 13,3 km/l (rodoviário)
- 2.0 Multijet Diesel AT9| 4x4 | 170 cv / 35,7 kgfm | 10,2 s | 190 km/h | — 9,5 km/l (urbano) / 12,5 km/l (rodoviário)
- 1.3 GSE Turbo Flex AT6 | 185 cv / 27,5 kgfm | 8,7 s | 200 km/h | 10,2 km/l (urbano) / 12,5 km/l (rodoviário) 12,1 km/l (urbano) / 14,6 km/l (rodoviário)
Problemas mais comuns
O Renegade construiu reputação de robustez, mas tem pontos críticos — especialmente nas versões 1.8 E.torQ automáticas.
1) Trocador de calor do câmbio Aisin TF-70/TF-72
O trocador de calor (cooler de óleo da transmissão) é um dos calcanhares de Aquiles do Renegade 1.8 automático. Quando apresenta microfissuras, ocorre contaminação cruzada entre o fluido ATF e o líquido de arrefecimento — o famoso “milkshake”.
Consequências:
- Perda total das propriedades do fluido ATF;
- Destruição dos discos internos da transmissão, que são de celulose e não toleram água;
- Patinação entre marchas, trancos e superaquecimento;
- Danos irreversíveis ao conversor de torque, solenoides e corpo de válvulas.
Sinais de alerta:
- Trocas demoradas, trancos ou patinação em 2ª e 3ª marchas;
- Luz de anomalia no painel;
- Fluido do câmbio com coloração leitosa;
- Água ou espuma no reservatório de expansão;
- Ruído metálico ou vibrações ao sair com o carro.
Diagnóstico e prevenção:
- Verificar visualmente o fluido (ATF deve estar avermelhado e transparente);
- Escanear o módulo TCM para verificar histórico de temperatura acima do normal;
- Substituir o trocador preventivamente a cada 60 mil km ou em carros com histórico desconhecido;
- Trocar o ATF com fluido Toyota WS ou Mopar 8&9 ATF — conforme norma Aisin;
Se houver contaminação, é necessário lavar todo o sistema de arrefecimento, substituir o trocador, realizar flushing completo, e em casos graves, retificar o câmbio.
2) Trancos e lentidão nas trocas (Aisin AT6)
Mesmo sem contaminação, o câmbio de 6 marchas pode apresentar trancos leves em baixa velocidade e hesitação em reduções. Uma atualização de software no módulo TCM e a troca do fluido já resolvem boa parte dos casos.
3) Suspensão dianteira
Folgas em buchas e pivôs são comuns em pisos irregulares, gerando ruídos metálicos e estalos. O desgaste prematuro é crônico, mas fácil de resolver com componentes originais.
4) Sistema 4x4 (versões Diesel)
Nas versões Multijet, o atuador da tração traseira exige manutenção periódica. Falhas no sensor de pressão do diferencial podem impedir o engate da tração integral.
5) Ruídos internos (pré-2018)
Nas primeiras unidades, o acabamento interno tende a apresentar ruídos no painel e nas portas. Uma boa forração e reforço de grampos resolvem definitivamente.
Versões recomendadas e não recomendadas.
Recomendadas:
- 2.0 Diesel Trailhawk (2016–2021): desempenho exemplar, tração integral e durabilidade lendária — é o verdadeiro Jeep do asfalto e da lama.
- 1.3 Turbo Longitude (2022+): ótimo equilíbrio entre consumo, conforto e desempenho; entrega moderna e manutenção mais acessível.
Evite:
- 1.8 Flex automático (2015–2018): fraco em desempenho e sedento no consumo; só vale a pena se o preço for muito atrativo e histórico de manutenção estiver em dia.
- 1.8 Manual (2015–2016): câmbio impreciso e dificuldade de revenda.
Adequação ao perfil de uso
O Renegade é o SUV ideal para quem busca estilo, solidez e segurança. O espaço interno é mediano, o porta-malas é pequeno (320 litros nas versões 4x4), mas o conforto e a dirigibilidade compensam. É o tipo de carro que inspira confiança no uso urbano e aventura leve aos fins de semana.
Confiabilidade e manutenção
Os motores são confiáveis, especialmente o 2.0 Diesel Multijet, um dos mais duráveis da categoria. A manutenção é mais cara que a de SUVs urbanos como HR-V ou Creta, mas a qualidade construtiva e o pós-venda da Jeep melhoraram muito nos últimos anos. Peças e mão de obra são amplamente disponíveis.
O Renegade pode ser compacto, mas carrega em si o espírito da marca Jeep. É robusto, bem construído e transmite sensação de segurança e domínio. Se nas versões 1.8 ele decepcionava pela preguiça, nas versões Diesel e Turbo ele finalmente faz jus ao nome.
Entre altos e baixos, o Renegade permanece um dos SUVs mais carismáticos e sólidos do mercado de usados — um Jeep legítimo, para quem ainda quer sentir um pouco de trilha mesmo no asfalto, em um modelo que permanece em linha e com muitos anos à frente no mercado.
Este texto contém análises e opiniões pessoais do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Mobiauto.
"Leonardo França é formado em gestão de pessoas, tem pós-graduação em comunicação e MKT e vive o jornalismo desde a adolescência. Atua como Consultor Organizacional na FS-França Serviços, e há 21 anos, também como consultor automotivo, ajudando pessoas a comprar carros em ótimo estado e de maneira racional. Tem por missão levar a informação de forma simples e didática. É criador do canal Autos Originais e colaborador em outras mídias de comunicação."
Por Leonardo França
