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Volkswagen Gol — a história do carro que não morreu, mas sim evoluiu

Modelo marcou época e deixou sucessor para continuar a história
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04.12.2025 às 15:23 • Atualizado em 05.12.2025
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Poucos carros conseguem atravessar gerações com relevância e, ao mesmo tempo, moldar hábitos, gostos e prioridades de um país inteiro. O Volkswagen Gol não só conseguiu isso — como o fez por mais de quatro décadas, tornando-se o automóvel mais vendido da história do Brasil. Seu legado é tão vasto que não cabe apenas em números, mas em lembranças, ruas, oficinas e famílias que cresceram ao redor dele.

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O Gol nasceu em 15 de maio de 1980, no auge da criatividade brasileira e em um momento em que o consumidor tinha poucas opções, todas derivadas de tecnologias antigas e plataformas adaptadas. Era o início de uma nova era — e o Gol foi o carro que empurrou a Volkswagen para dentro dela.

A linhagem que atravessou gerações

O Gol teve três gerações oficiais, mas o mercado reconhece pelo menos sete, talvez oito, dependendo de quem conta as reestilizações. A curiosidade é que cada “grande geração” durou exatos 14 anos, como se a Volkswagen tivesse adotado um ciclo de vida natural para o hatch mais querido do país.

1ª geração (1980–1994) — Plataforma BX e a revolução silenciosa

Divulgação/Volkswagen

Divulgação/Volkswagen

A primeira fase usava a plataforma BX, robusta e inventiva. Entre 1980 e 1994 foram três grandes reestilizações:

  • 1984/1985: chegada do Gol refrigerado a água
  • 1987: revisão profunda no exterior em 1988, novo interior
  • 1990/91: adoção da “linha 1991”, mais moderna e refinada

Mesmo limitada por soluções técnicas antigas, essa geração criou a reputação que viria a sustentar o carro por décadas: resistência, simplicidade e fácil reparação.

2ª geração (1994–2008) — o Gol moderno

Divulgação/Volkswagen

Divulgação/Volkswagen

A segunda geração, apresentada em 1994 como linha 1995, trouxe a plataforma AB-9, mais rígida, mais confortável e com melhor espaço interno — mesmo mantendo o motor na posição longitudinal. Era uma evolução genuína.

Esse período trouxe também mudanças que confundiram o mercado:

  • 1999 – lançada a geração 3 como linha 2000
  • Reestilização 2003 (popularmente o “G3,5”)
  • 2005 – lançado o Gol G4 como linha 2006

O curioso que em 2005, os concessionários receberam quatro modelos diferentes 0km, sendo: Special (G2), City G3, G3,5 e o então lançamento G4.

3ª geração (2008–2022) — a era PQ-24

Divulgação/Volkswagen

Divulgação/Volkswagen

Em 2008 chegava à plataforma PQ-24, derivada do Polo. Esse era o verdadeiro “Novo Gol”: motores transversais, melhor dirigibilidade, mais segurança e uma condução muito mais madura.

Ainda assim, a estratégia da Volkswagen manteve o G4 convivendo por anos com o G5 e até mesmo com o G6, gerando novamente múltiplos Gol no mesmo showroom.

Depois vieram:

  • 2012 – lançado o Gol G6 como linha 2013
  • 2013 – sai de linha em dezembro a geração 4, como linha 2014
  • 2016 – lançado o novo Gol G7, como linha 2017 e com duas dianteiras, uma exclusiva para a versão Track
  • 2018 - Nova dianteira para a linha 2019, quando o Track antecipou o visual futuro em 2017, e o Gol Automático — o ápice técnico da linha em sua versão mais completa.

O Gol automático, com motor 1.6 16 V de 120 cv (etanol) e câmbio Aisin de 6 marchas, era surpreendentemente moderno. Fazia 0–100 km/h em 10,1 s e chegava aos 185 km/h, mas chegou tarde: o mercado já esperava conectividade e plataforma nova. Apesar de bom, foi ofuscado pelo Polo.

O fim de uma era

Com a chegada das normas PROCONVE L7, o velho motor 1.6 EA-111 se despedia, e a VW reduzia drasticamente a gama. Em 2022, o Gol restava quase exclusivamente aos frotistas — mas ainda assim voltou a liderar vendas por dois meses, provando que seu nome era mais forte que seu projeto.

A série Last Edition encerraria sua história sendo a última edição especial, e dia 23 de dezembro de 2022, última unidade MPI cinza destinada à Localiza deixaria a linha de montagem. Ali, o Brasil se despedia não de um carro, mas de um capítulo da própria cultura automobilística nacional.

O sucessor espiritual — VW Tera (2025)

Reprodução/Mobiauto

Reprodução/Mobiauto

Dois anos depois, em 2025, surge o Volkswagen Tera com a pretensão nada discreta: ser o novo Gol. Não por acaso, a própria Volkswagen colocou na tampa traseira do carro essa mensagem — uma passagem simbólica de bastão.

O Tera nasceu dia 05/02/2025, e em poucos meses já arrebatava o posto de carro de passeio mais vendido do Brasil. Boa parte desse sucesso vem das frotas, repetindo a estratégia final do Gol. Outra parte vem da engenharia: o Tera é, de certa forma, um “Gol 3.0”.

Tera MPI — o legítimo herdeiro

Reprodução/Mobiauto

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A versão de entrada usa o velho e conhecido EA-211 1.0 MPI, com:

  • 84 cv / 10,3 kgfm (etanol)
  • 77 cv / 9,6 kgfm (gasolina)
  • 0–100 km/h em 13,8 s
  • 162 km/h de máxima

Consumo segundo o PBEV:

  • Etanol: 9,1 km/l (cidade) — 13,2 km/l (estrada)
  • Gasolina: 13,2 km/l (cidade) — 14,7 km/l (estrada)

A base é a plataforma MQB A0, compartilhando mais de 60% das peças com Polo e Nivus. Um carro moderno, eficiente, amplo e com postura mais elevada — mas com tempero suficiente para lembrar de onde veio.

O Tera é, simultaneamente, um Gol atualizado e um hatch moderno. É o tipo de carro que nasce com responsabilidade histórica.

Conclusão — o Gol não morreu; ele evoluiu

O Gol foi o carro que o Brasil aprendeu a dirigir, manter, modificar, admirar e — quando preciso — ressuscitar. É difícil imaginar outro modelo repetindo esse feito tão cedo.

E o Tera?

Reprodução/Mobiauto

Reprodução/Mobiauto

O tempo dirá se ele será o novo Gol, mas já é possível afirmar que ele nasce com estrutura, motor, plataforma e contexto para isso.

Se o Gol foi o carro que traduziu o Brasil por 40 anos, o Tera talvez seja o carro que vai traduzir o Brasil dos próximos 20 anos.

A história está apenas começando — e, como sempre, será escrita nas ruas.

Este texto contém análises e opiniões pessoais do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Mobiauto.

"Leonardo França é empresário, consultor organizacional e consultor automotivo com mais de 20 anos de experiência em análise técnica, avaliação de veículos e acompanhamento de projetos de restauração. Formado em Gestão de Pessoas e pós-graduado em Comunicação Empresarial e Marketing, é colunista da Mobiauto e do Carros e Garagem, com colaborações para Autoesporte e Quatro Rodas. Criador do Autos Originais, dedica-se à pesquisa, registro e interpretação da evolução dos automóveis brasileiros dos anos 80, 90 e 2000, explorando aspectos históricos, características mecânicas, comportamentos de mercado e transformações industriais do período. Seu propósito é tornar o conhecimento técnico acessível, responsável e didático, contribuindo para a difusão qualificada de informação e para a preservação da memória automotiva nacional.

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