Stellantis fecha fábrica de motores que operava no Paraná há 25 anos

Fabricante encerrará atividades da planta de Campo Largo (PR), que já pertenceu à BMW e produziu mais de 1,5 milhão de propulsores da família E-torQ
Por Leonardo Felix
01.11.2022 às 15:17
Fabricante encerrará atividades da planta de Campo Largo (PR), que já pertenceu à BMW e produziu mais de 1,5 milhão de propulsores da família E-torQ

A Stellantis, dona das marcas Fiat, Jeep, Citroën, Peugeot e Ram no Brasil, vai encerrar as atividades da fábrica de motores em Campo Largo (PR). A informação é do jornal local Folha de Campo Largo e foi confirmada pela empresa em nota oficial.

Segundo a publicação, a empresa já teria confirmado o fechamento em nota, afirmando que está buscando uma forma de realocar os 210 funcionários que atualmente trabalham na unidade.

Anuncie seu carro na Mobiauto 

A medida já teria, inclusive, sido comunicada ao governador do Estado do Paraná, Ratinho Jr, para que o governo local tente encontrar um possível comprador para a fábrica. 

Com isso, toda a produção de motores da empresa ficará concentrada em Betim (MG), onde há outra planta de motores responsável pela montagem das usinas 1.0 e 1.3 das famílias Firefly (aspirados) e GSE (turbo), ambos flex.

Histórico da fábrica de Campo Largo

A fábrica de motores em Campo Largo nasceu em 1997, fruto de uma sociedade entre Chrysler e BMW, formando à época uma operação chamada Tritec. A produção começou em setembro de 99, com motores 16V a gasolina de 1,4 e 1,6 litro destinados à exportação.  

Em dezembro de 2008, a Fiat Powertrains (FPT) comprou o empreendimento para estabelecer ali uma nova fábrica de motores da FPT (Fiat Powertrain), no esteio do fim de sua joint venture com a GM.

Fabricante encerrará atividades da planta de Campo Largo (PR), que já pertenceu à BMW e produziu mais de 1,5 milhão de propulsores da família E-torQ

A operação recomeçou em 2010 e, inicialmente, contava com 250 colaboradores e era responsável por produzir os mesmos propulsores 1.4 e 1.6, porém atualizados e rebatizados como família E-torQ, além do veterano 1.8 fruto de uma antiga parceria com a GM. Posteriormente, entrou em cena o 1.8 E-torQ, que nos últimos anos passou a ser a única usina montada no local. 

Sob a gestão da então FCA (Fiat Chrysler, atual Stellantis, após fusão com a PSA), o número de funcionários atingiu o pico de mais de 400 nos anos 2010. O local também alcançou, em 2019, a marca de 1,5 milhão de motores produzidos em seus dois ciclos de operação.

Ao longo dos anos, porém, a FCA já vinha promovendo uma migração gradativa dos motores E-torQ para os Firefly e GSE turbo. Com isso, as operações em Campo Largo foram reduzidas.

Com o fim de linha da Fiat Toro e do Jeep Renegade 1.8 flex no Brasil, a planta passou a produzir os motores E-torQ de 1,8 litro em escala ainda menor, apenas para exportação. Agora, deve trocar o motor aspirado pelo 1.3 GSE turbo também em veículos destinados ao mercado externo.

Fabricante encerrará atividades da planta de Campo Largo (PR), que já pertenceu à BMW e produziu mais de 1,5 milhão de propulsores da família E-torQ

À Folha de Campo Largo, a Stellantis justificou a medida alegando que “decidiu concentrar a produção em motores mais modernos”. Também afirmou ter proposto a transferência dos trabalhadores de Campo Largo a outras unidades fabris da marca no país. Confira o comunicado na íntegra:

“A Stellantis segue com o plano estratégico de neutralizar globalmente suas emissões até 2038.

Dentro das medidas que visam acelerar a redução de 50% em emissões de carbono já em 2030, decidiu concentrar a produção em motores mais modernos, que além de atenderem às novas e futuras regulamentações, oferecem ao consumidor os mais altos níveis de tecnologia, economia, performance e eficiência, em linha com a tendência global de downsizing.

O foco na fabricação de motores mais modernos foi antecipado pela Companhia, que já propôs a transferência de trabalhadores para outras de suas unidades no Brasil, ao mesmo tempo em que auxilia na transição dos que decidirem permanecer junto às demais empresas locais. A partir de hoje, todo apoio individual será fornecido pela empresa.

A Companhia também trabalha com investidores para desenvolver projetos futuros e inovadores na área.

Você também pode se interessar por:

Fiat Argo fica mais fraco, mas roda mais por litro de combustível
Fiat Mobi 2023 ganha ESC só como opcional e, completo, já chega a R$ 70.000
Avaliação: Fiat Strada CVT sacrifica o carreto para rodar no conforto
Avaliação: Fiat Pulse 1.3 CVT, o SUV automático mais barato do Brasil

Jeep
Fiat
Renegade
Toro
Motor

Comentários