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Carro ‘popular’: Volkswagen Polo Track a R$ 85 mil agora vale a pena?

Versão básica do hatch compacto reduz de preço com IPI zerado e mais descontos
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11.08.2025 às 09:07 • Atualizado em 12.08.2025
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O Programa Carro Sustentável do Governo Federal zerou a alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), resumidamente, para carros com fabricação nacional, baixa emissão de poluentes e motores aspirados flex. Nos termos estabelecidos, o incentivo beneficia, especialmente, carros subcompactos (como Mobi ou Kwid) e versões mais baratas de hatches compactos. Um deles, claro, é o Volkswagen Polo Track. O modelo da VW, até então tabelado em R$ 95.790, caiu para exatos R$ 87.845. Em cima disso, a marca ainda promoveu descontos extras que fizeram o Polo Track ser negociado na faixa dos R$ 84 mil. Com a redução de mais de R$ 11 mil o hatch está no seu preço certo? Agora vale a pena? É o que vamos descobrir a seguir.

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Negativos

1) Equipamentos

Raphael Panaro/Mobiauto

Raphael Panaro/Mobiauto

Com exceção dos quatro airbags e do assistente de partida em rampa, o Polo Track, lembrando que são mais de R$ 80 mil, oferece o básico: vidros elétricos, computador de bordo, painel tem um visor digital, mas é ladeado por mostradores analógicos, coluna de direção com ajuste de altura e profundidade e bancos de tecido. Não há nenhum recurso extra de segurança.

Há entradas USB-C, chave canivete e volante multifuncional também. Só que a opção Track ainda faz você estacionar à moda antiga: braço esticado no encosto do carona e cabeça para trás. Não há câmera de ré ou sensores. Para se ter a central multimídia VW Play (essa das fotos) é preciso abrir o bolso e gastar R$ 1.680. Um preço até razoável para ter esta tecnologia. Caso contrário somente um rádio Bluetooth.

2) Acabamento

Para custar menos, claro, o Polo faz algumas concessões de motorização, itens de série e… acabamento! Os plásticos estão por todos lados no painel, portas e console - tanto na dianteira quanto na traseira. Alguns até de aspecto rugoso

Raphael Panaro/Mobiauto

Raphael Panaro/Mobiauto

A VW até tenta incrementar a cabine com uma peça brilhosa com um padrão diferente no painel, mas o aspecto rústico continua lá. Não que os rivais façam uso de materiais melhores, mas os mais de R$ 80 mil na etiqueta de preço, com certeza, não aparecem na cabine.

3) Desempenho

Equipada com o conhecido (e confiável) motor três cilindros 1.0 aspirado flex da família EA211, a versão Track traz 84 cv de potência e 10,3 kgfm de torque. Os números bem singelos refletem no desempenho. Apesar do número oficial de zero a 100 km/h ser 13,4 segundos (com etanol), testes reais elevam a marca para intermináveis 16 s. Vale destacar também que o hatch só ‘acorda’ depois das 3 mil rpm, justamente a faixa de entrega total do torque.

Raphael Panaro/Mobiauto

Raphael Panaro/Mobiauto

Ou seja, no dia a dia o comportamento é bem, digamos, preguiçoso. Sair de trás de um carro no trânsito de forma rápida tem que ser uma tarefa bem avaliada e um uso mais profundo do acelerador. Subir ladeira mais íngremes também merece atenção e algumas intervenções no câmbio. Outro reflexo é que o aumento da rotação eleva demasiadamente o barulho no interior. É possível ouvir bastante do funcionamento do motor. Na estrada também certifique-se de que há bastante espaço para fazer ultrapassagens e use bastante o recurso de reduzir marchas para ganhar mais força.

Positivos

1) Consumo

Raphael Panaro/Mobiauto

Raphael Panaro/Mobiauto

Se o desempenho não é bom, ao menos o VW Polo Track não vai fazer você amigo do frentista. De acordo com o Programa Brasileiro de Etiquetagem do Inmetro (PBEV), o hatch tem médias, com etanol, de 9,3 km/l na cidade e 10,8 km/l (estrada). Com gasolina, o número aumenta para 13,5 km/l e 15,7 km/l, respectivamente. Quase 16 km/l de consumo rodoviário e um tanque de 52 litros gera uma autonomia de mais de 800 km para viagens longas. Nada mal…

2) Engates do câmbio manual

MQ200. Esta combinação alfanumérica é nada menos que um dos melhores câmbios manuais do Brasil. Isso porque os engates são curtos e precisos, sem precisar ficar estendendo muito o braço direito para frente ou para trás. Além disso, a relação curta atende bem no uso diário para dar agilidade ao hatch. Na estrada, no entanto, você pode sentir a ‘falta’ de mais uma marcha, por exemplo. A 100 km/h a rotação está acima das 3 mil rotações e dá a impressão que o motor está ‘esgoelado’ e o ruído na cabine, bem alto. Outra referência neste quesito é a Honda.

3) Espaço e porta-malas

Raphael Panaro/Mobiauto

Raphael Panaro/Mobiauto

Os 2,56 metros de entre-eixos conseguem transportar bem até duas pessoas atrás - dependendo da altura e do ajuste do banco do motorista. Já com três ocupantes pode-se complicar o convívio ali atrás, especialmente, em viagens longas. Ao menos, o porta-malas de 300 litros é um dos maiores da categoria (e que os rivais diretos) e tem boa capacidade para levar malas, mochilas e até mesmo as compras do mês.

Conclusão

O problema aqui é que o termo ‘carro popular’ foi deturpado. Em 2017, um Renault Kwid básico custava R$ 29.990 - hoje está perto dos R$ 80 mil. Então não existe nenhum carro popular nos dias de hoje. A redução do IPI e, consequentemente, do preço é louvável, mas abrange somente estes modelos subcompactos ou configurações muito básicas de compactos 1.0. O que é muito pouco, convenhamos.

No caso do VW Polo, um carro na faixa dos R$ 85 mil, você compra um veículo que vai te levar do ponto A ou B sem problemas, que tem uma plataforma moderna e um índice de segurança atestado. De quebra, leva mais espaço que um Kwid ou Mobi, por exemplo. Vale? Definitivamente não. Mesmo com os descontos e promoções, R$ 80 mil ou R$ 90 mil é um esforço econômico hercúleo para um hatch compacto que oferece o básico e fica muito longe da relação custo-benefício.

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