Por que quase 25% dos carros dão perda total (PT) após uma colisão
Os carros estão cada vez mais tecnológicos, equipados com muitas funções que facilitam a vida cotidiana dos motoristas. E além de trazer praticidade também priorizam a segurança de quem dirige. Mas na mesma proporção da crescente desses avanços, o número de veículos que registram perda total (PT) também aumenta.
Segundo o relatório publicado pela empresa Crash Course da CCC Inteligent Solutions, que analisa tendências no setor de seguros automotivos e reparos de veículos nos Estados Unidos, a frequência de carros com registro de PT cresceu de 22,1% em 2024 para 22,8% em 2025.
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E o número de ocorrências se intensificou a nível estatístico de que hoje quase que um a cada quatro veículos é considerado totalmente destruído após uma colisão. Mas por quê?
Em linha gerais, um veículo é laudado com perda total quando o seu custo de reparo ultrapassa o valor de mercado, geralmente em 75%, o que torna o conserto financeiramente inviável. Ou seja, não é sobre a gravidade da colisão, mas sim sobre o tamanho do prejuízo financeiro.
Podem parecer antagônicos, mas o fenômeno de evolução constante dos equipamentos dos automóveis é a razão que explica o significativo crescimento no número de registros de carros com perda total.
Aqui vai um exemplo prático. Antigamente, os casos de PT eram bem mais raros. Os carros eram construídos com superfícies mais rígidas, que envolviam toda a estrutura do veículo. Resultado: dificilmente amassavam ou sofriam danos significativos em colisões.
Além disso, ainda temos as leis que passaram a obrigar as montadoras a incluírem itens de segurança nos carros recentemente, o que é uma boa notícia, junto dos novos aparatos para poluírem menos. Antes disso, os carros populares, contavam com uma engenharia mais simples, o que também refletia em custos de reparo mais baixos.
Porém, isso tinha um custo: a falta de segurança para quem está dentro do veículo. Isso porque quando o automóvel não absorve o impacto, é o ocupante que paga o preço. E a ausência de sistemas de proteção contribuíam para um grande número de acidentes, mesmo que simples, que resultavam em morte ou lesões graves.
Hoje o cenário é bem diferente. Os carros são equipados com estruturas mais “macias” e deformáveis, projetadas estrategicamente para absorção de impacto e priorizar a proteção dos ocupantes.
Além disso, os equipamentos de segurança e assistência ao condutor crescem mais a cada dia. Ou seja, além de airbags e freio ABS, grande parte dos modelos atuais contam com sensor crepuscular, sensores de estacionamento, sensor de chuva, câmera de ré, entre outros.
E todas essas evoluções contribuem para a proteção de todos os ocupantes do carro. No entanto, elas são mais sensíveis e pequenos sinistros custam mais caro que antigamente.
Hoje um para-choque carrega diversos sensores sônicos e um para-brisa pode carregar recursos de detecção de chuva e luz. Ou seja, não é mais uma “simples peça” porque o que está em volta encarecerá significativamente o preço final.
No fim das contas, o aumento de registros de perdas totais é reflexo de uma mudança de prioridade na construção dos carros. Hoje, eles são projetados para proteger os ocupantes não para ser “inquebráveis”. Como resultado, pequenos acidentes custam mais caro, mas salvam vidas.
Por Marcela Cavirro
