Brasileiros criam bateria para carros elétricos à prova de fogo

Projeto da Unicamp em parceria com a Shell e a Fapesp usa íons de lítio em estado sólido para criar um conjunto que não pega fogo e carrega em só 10 minutos.
Por Lucas Frasson
14.12.2022 às 13:00
Projeto da Unicamp em parceria com a Shell e a Fapesp usa íons de lítio em estado sólido para criar um conjunto que não pega fogo e carrega em só 10 minutos.

 Um dos equipamentos que possuem potencial de risco incêndio em casos de colisão frontal de um carro elétrico é o banco de baterias. Isso porque elas são inflamáveis e, dependendo do nível do impacto, podem pegar fogo.

Porém, não pense que somente as baterias automotivas são inflamáveis. Qualquer tipo de bateria convencional de Lítio é inflamável e pode explodir por conta do seu eletrólito. Até a que está no seu celular possui esse risco. É difícil, mas pode acontecer.

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É como quando deixar uma pilha junto de uma palha de aço: se você colocar a ponta de uma palha em contato com a pilha e esta estiver conectada pelo polo invertido a outra pilha, ao colocar a palha sobre a segunda pilha, a palha coloca a bateria em curto e alta quantidade de energia é liberada aumentando imensamente a chance de que o eletrólito inflame.

Pensando nisso, a Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) com apoio financeiro da Shell e a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), desenvolveu uma bateria não inflamável para veículos elétricos, o que pode evitar vários riscos.

Hudson Zanin, professor e pesquisador da universidade, responsável pela pesquisa, explicou o seu funcionamento à nossa reportagem. Segundo ele, o projeto demorou cerca de um ano para ser concluído, uma vez que eles já possuíam infraestrutura para desenvolvimento consolidado.

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Como funciona a bateria à prova de fogo

Zanin conta que as baterias funcionam de uma forma diferente dos eletrólitos convencionais, o que torna muito mais rápido tanto o carregamento quanto o desempenho e a segurança.

“As baterias modernas com eletrodos orgânicos de hidrocarbonetos são feitas com solventes orgânicos à base de petróleo. Portanto, se a bateria entrar em curto e atingir uma temperatura local de 200°C ou 300°C, ela pode pegar fogo”, alerta o professor.

É aí que entra o diferencial da bateria criada na universidade. Eletrólitos em estado quase sólido tem alta condutividade e ainda não são inflamáveis. 

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O foco dos profissionais agora é buscar parceiros, pois, como Hudson mesmo explica, “o objetivo da universidade é formar gente e criar tecnologias”. O problema é que o custo desse desenvolvimento das baterias ainda é muito caro e a competição das células chinesas, que é muito difícil competir.

Zanin explica que a base para que essa bateria possa ser desenvolvida possui três pilares: a criação, que já foi realizada; o capital de desenvolvimento; e a regulamentação do governo que estimule a iniciativa privada a introduzir o produto no mercado, como regras mais duras contra a emissão de CO2.

“As baterias deveriam ser tratadas como infraestrutura nos países, como aconteceu com as usinas hidrelétricas no passado”, diz o pesquisador.

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