Avaliação: Hyundai Creta TGDi é “galã feio” que te conquista na convivência

Beleza não é o principal atributo do SUV, mas tê-lo como carro no dia a dia pode mudar completamente a opinião de qualquer motorista
Por Renan Bandeira
09.12.2021 às 19h:05 • Att. há cerca de cerca de 1 mês
Beleza não é o principal atributo do SUV, mas tê-lo como carro no dia a dia pode mudar completamente a opinião de qualquer motorista

O Hyundai Creta chegou dando o que falar por aqui. Nem mesmo o visual discutível e os preços elevados prejudicaram as vendas do veículo.

A verdade é que o famoso ditado “a primeira impressão é a que fica” não deve ser aplicado ao SUV. Afinal, seu visual realmente não é dos mais agradáveis, mas no dia a dia, o veículo mostra seus dotes e conquista o dono. Por isso temos aí o nosso “galã feio”.

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Atualmente, o SUV é o modelo mais vendido de sua categoria no varejo, com 46.105 emplacamentos, e o terceiro no ranking geral, perdendo apenas para a dupla Jeep Compass e Renegade.

Para entender melhor o motivo dele seguir emplacando bem, a Mobiauto avaliou o Creta Platinum 1.0 turboflex por 15 dias, e conta todas as qualidades do SUV.

Vale lembrar que a nossa reportagem já detalhou como é o acabamento, as dimensões e os equipamentos dessa versão - e que você pode conferir nesta outra avaliação. Aqui, vamos mostrar o uso prático do Hyundai com seu motor turbinado. Assista e confira um pouco mais de nossa avaliação no texto abaixo:

Desempenho e consumo

A Hyundai finalmente se rendeu e deu ao Creta o motor três-cilindros turboflex com injeção direta de 120 cv (G/E) e 17,5 kgfm (G/E) do HB20. Agora, o veículo entra para o clube dos SUVs 1.0 turbinados, que já conta com VW T-Cross e Chevrolet Tracker.

A calibração do propulsor é a mesma vista na família HB20, mas o Creta tem uma relação de diferencial mais curta para tentar compensar os 17,5 kgfm de torque - quase 3 kgfm a menos que o rival da VW. O resultado é satisfatório, mas apenas para o dia a dia na cidade.

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Beleza não é o principal atributo do SUV, mas tê-lo como carro no dia a dia pode mudar completamente a opinião de qualquer motorista

Motor: 1.0, dianteiro, transversal, três cilindros em linha, 12V, turbo, flex, duplo comando variável de válvulas, injeção direta de combustível, taxa de compressão 10,5:1

Potência (G/E): 120/120 cv a 6.000 rpm

Torque (G/E): 17,5 kgfm a 1.500 rpm

Peso/potência: 10,58 kg/cv

Peso/torque: 72,57 kg/kgfm

Câmbio: automático, 6 marchas

Tração: dianteira

0 a 100 km/h: 11,5 s

Velocidade máxima: 180 km/h

Na estrada, o Creta não tem tanto fôlego. Avaliamos o SUV com cinco adultos em uma viagem curta (São Paulo - Jundiaí) e, embora o torque seja entregue em uma rotação baixa (a 1.500 rpm), as acelerações e retomadas não são das melhores. 

Beleza não é o principal atributo do SUV, mas tê-lo como carro no dia a dia pode mudar completamente a opinião de qualquer motorista

Dá para ouvir o motor berrar para ganhar velocidade. Culpa da baixa capacidade volumétrica e do torque pouco abundante.

Para entregar a agilidade que o motorista pede na rodovia, o motor eleva o giro e, consequentemente, o consumo - afetando a sua principal característica, que é a eficiência. Dessa forma, ele mostra que sua pegada está voltada ao uso citadino.

Dentro da cidade é mesmo onde o Creta se sobressai. O motor é o suficiente para o uso urbano, com pouca valentia, mas entregando boas respostas para o dia a dia e um consumo que faz inveja em hatches com o mesmo tipo de motorização. 

A exceção está ao passar por ladeiras mais íngremes. Nelas, o câmbio automático retarda a redução da segunda para a primeira marcha. Por várias vezes é necessário reduzir mecanicamente para o motor responder mais rápido. Por sorte, a versão Platinum já conta com borboletas na coluna de direção para fazer as trocas.

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Consumo

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Segundo o Programa de Etiquetagem Veicular do Inmetro, o novo Creta TGDi roda 8,3 km/l com etanol e 11,6 km/l com gasolina em perímetro urbano, médias superiores às do VW T-Cross 200 TSI (7,6 km/l e 11 km/l, respectivamente), que tem peso similar ao modelo da Hyundai. 

Já o Chevrolet Tracker 1.0 turbo ganha de ambos, com 9 km/l e 13 km/l, respectivamente, pois pesa quase 100 kg a menos.

Consumo Inmetro: 11,6 km/l (G) e 8,3 km/l (E) na cidade / 12 km/l (G) e 8,7 km/l (E) na estrada.

Em nosso teste, aferimos o consumo urbano após um ciclo repleto de subidas, ar-condicionado ligado e com pelo menos dois ou três passageiros a bordo, em uma condução sem tanta preocupação com economia de combustível. O resultado não foi tão empolgante assim: 8,8 km/l com gasolina.

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Dirigibilidade e conforto

Beleza não é o principal atributo do SUV, mas tê-lo como carro no dia a dia pode mudar completamente a opinião de qualquer motorista

A direção tem assistência elétrica do tipo progressiva e facilita no uso diário. O sistema funciona sem delay, com respostas rápidas. Além disso, o volante tem o aro mais estreito, permitindo que o motorista encaixe as mãos quase anatomicamente.

Além de aumentar a sensação de segurança de ter o carro nas mãos, torna mais confortável e menos cansativo dirigir em longos trajetos. Ainda, ajuda a enfrentar uma baliza ou sair de alguma situação mais apertada no trânsito. 

Para encarar o trânsito pesado de uma metrópole como São Paulo, o motorista ainda conta com o auxílio de câmeras de ré, 360º e do alerta de ponto cego - que é mais útil para não ralar as rodas no meio fio do que necessariamente para mudar de faixa.

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As suspensões não foram modificadas em relação ao Creta anterior, seguindo do tipo independente McPherson na dianteira e por eixo de torção na traseira. 

A calibração é voltada ao conforto e a carroceria rola um pouco nas curvas, mas é boa para enfrentar buracos, imperfeições e o sobe-e-desce das avenidas, sendo uma boa herança do antecessor. Ela recebe ainda a ajuda dos pneus 215/60 R17, de perfis grandes, que ajudam a absorver impactos e chacoalhar menos a cabine.

Dentro do habitáculo, os bancos são confortáveis e bem acabados, mas poderiam ter um ajuste elétrico já nesta versão para justificar o preço. No entanto, é o bom isolamento acústico que se destaca e torna a condução mais prazerosa, vedando bem o ruído externo, o trabalho do motor e a rolagem dos pneus.

Beleza não é o principal atributo do SUV, mas tê-lo como carro no dia a dia pode mudar completamente a opinião de qualquer motorista

Outra característica positiva é que, diferentemente do HB20, que possui coxins pouco eficientes e permite que o motor três-cilindros vibre demasiadamente, no Creta as vibrações são praticamente anuladas.

Dados técnicos: direção elétrica progressiva, suspensões McPherson (dianteira) e eixo de torção (traseira), freios a discos ventilados (dianteira) e discos sólidos (traseira), diâmetro de giro não divulgado, Cx não divulgado, 190 mm vão livre do solo, ângulo de ataque 20,4°, ângulo central não divulgado, ângulo de saída 28,3°, carga útil 430 kg, pneus 215/60 R17

Tecnologias e assistências 

Na versão Platinum, o Creta 2022 já traz painel de instrumentos parcialmente digital e a central multimídia com tela de 10,25 polegadas compatível com Android Auto e Apple CarPlay. No entanto, fica devendo em assistências semiautônomas que estão disponíveis apenas na configuração mais equipada, Ultimate.

No dia a dia, um alerta de ponto cego mais preciso do que aquele que efetivamente equipa o SUV e um alerta de mudança de faixas seriam bem-vindos para auxiliar o motorista. Além disso, o conjunto óptico poderia ser mais tecnológico e trocar as luzes halógenas por LEDs nesta configuração.

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Visual, acabamento e espaço interno

Beleza não é o principal atributo do SUV, mas tê-lo como carro no dia a dia pode mudar completamente a opinião de qualquer motorista

O visual é aquele que tanto espantou os brasileiros no lançamento do novo Creta, em agosto deste ano. E eu também senti que havia algo de errado no design ao olhar para o SUV pela primeira vez.

Porém, conforme passaram-se os dias (e passamos 15 dias com a unidade avaliada), até que fui me acostumando. Outras qualidades suprimiram a sensação de estranheza e, no fim, me despedi do SUV quase apreciando seus atributos estéticos.

Na dianteira, o Creta mescla o uso de luzes halógenas com LED na iluminação e mantém LED na lanterna traseira. Pela etiqueta da versão Platinum, o interior poderia contar com faixas macias ao toque no envolvente do painel e no acabamento da porta, que são 100% plástico rígido.

Porém, a textura aplicada no plástico e a coloração marrom dão uma amenizada na simplicidade. A boa notícia é que o interior desta versão possui acabamento apenas nas cores marrom e preto, sem a salada visual que inclui o tom creme na versão Ultimate.

Beleza não é o principal atributo do SUV, mas tê-lo como carro no dia a dia pode mudar completamente a opinião de qualquer motorista

Além disso, as modificações feitas pela Hyundai na disposição da carroceria e no monobloco do Creta, melhoraram o espaço interno. Ele já era um dos melhores da categoria nesse quesito, mas ganhou 1 cm de largura e comprimento e 2 cm de entre-eixos, que melhoram a distância entre os ombros e para os joelhos dos ocupantes.

Infelizmente, o Creta perdeu 9 litros de porta-malas em relação ao Creta anterior. Mas segue como um dos maiores compartimentos da categoria, e a redução não impacta em nada no uso diário.

Dimensões: 4.300 mm de comprimento, 2.610 mm de entre-eixos, 1.635 mm de largura, 1.790 mm de altura, 422 litros de porta-malas, 50 litros do tanque de combustível, 1.270 kg de peso (Platinum) ou 1.300 kg de peso (Ultimate).

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Itens tecnológicos

A cereja do bolo do interior do Creta, porém, está nos itens tecnológicos. O cluster parcialmente digital, a central multimídia, o freio de estacionamento elétrico com auto-hold e o enorme teto solar panorâmico deixam a cabine mais sofisticada.

Faltaram apenas os equipamentos de segurança ativa, todos reservados somente para a opção mais cara.

Itens de série - Hyundai Creta Platinum 1.0 TGDi

Beleza não é o principal atributo do SUV, mas tê-lo como carro no dia a dia pode mudar completamente a opinião de qualquer motorista

Visual: faróis com projetor, acendimento automático e ajuste manual de altura do facho; faróis de neblina; luzes diurnas de LED; lanternas traseiras com guias de LED; grade prata com moldura cromada; capas dos retrovisores na cor da carroceria; maçanetas externas cromadas; moldura superior de vidros e coluna C na cor prata; barras longitudinais de teto; spoiler traseiro na cor da carroceria; rodas de liga leve aro 17 diamantadas.

Segurança: alarme perimétrico e volumétrico; seis airbags; controles de estabilidade e tração; assistente de partida em rampas; freios a disco nas quatro rodas; sensores traseiros de estacionamento; câmera de ré; câmeras laterais de de ponto cego; câmeras com visão superior de 360°; indicador de pressão baixa dos pneus; alerta de presença no banco traseiro.

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Tecnologia: quadro de instrumentos digital colorido de 7”; controle de cruzeiro; start-stop; tomadas USB-A (duas dianteiras, uma traseira); central multimídia BlueNav de 10,25” com Android Auto e Apple CarPlay via cabo e navegação GPS conectada à internet; quatro alto-falantes; carregador de celular por indução; sistema BlueLink (carro conectado com serviços de prevenção a roubo, assistência 24h, controles remotos, diagnóstico e alertas de uso do veículo); três modos de condução.

Conforto e acabamento: chave com sensor presencial; partida do motor por botão; trio elétrico; retrovisores externos com rebatimento automático; vidros com função um-toque e antiesmagamento; direção elétrica progressiva; freio de estacionamento eletrônico com Auto Hold; cabine com acabamento em preto e marrom; volante revestido em couro preto com regulagem de altura e profundidade; borboletas para troca manual de marchas; bancos revestidos em couro sintético marrom; banco do motorista com regulagem manual de altura e ventilação; ar-condicionado automático digital; console de teto com luzes de leitura individuais em LED; teto solar panorâmico.

Conclusão

Beleza não é o principal atributo do SUV, mas tê-lo como carro no dia a dia pode mudar completamente a opinião de qualquer motorista

Em um primeiro momento, você vai olhar para o Creta e torcer o nariz, como eu fiz. Depois de usá-lo por cinco, seis ou sete dias, vai perceber que o olhar vai mudando. O “galã feio” é eficiente como um hatch no dia a dia, e ainda entrega conforto e espaço interno de fazer inveja em muitos concorrentes. 

Com isso, o SUV tem os predicados para se tornar uma das melhores (se não a melhor) escolha da categoria. É importante não se apegar à primeira impressão e dar uma oportunidade para o Creta TGDi mostrar do que é capaz. Não é à toa que a configuração 1.0 turbo tem sido, disparada, a mais vendida na gama.

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