Toyota Yaris Cross tem segredo no câmbio para ser mais eficiente e econômico
O Toyota Yaris Cross chegou no último mês de novembro como novo SUV de entrada da marca japonesa no Brasil. Não só isso, como Corolla e Corolla Cross, o modelo foi o responsável por estrear a tecnologia híbrida plena flex entre os SUVs compactos.
No entanto, nesse caso, o destaque não fica por conta dos quase 18 km/l de consumo de combustível na cidade prometidos com o conjunto híbrido flex de 111 cv. O que chama a atenção é uma diferença na transmissão do Yaris Cross a combustão para o Corolla Cross e Corolla.
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Nessa configuração, o Yaris Cross recebe o motor 1.5 de quatro cilindros com injeção direita, que entrega até 122 cv de potência e 15,3 kgfm de torque. O câmbio é um CVT de sete marchas simuladas.
O CVT é um dos tipos mais comuns de transmissão automática. Em particular, seu sistema funciona por polias em vez de engrenagens. Essas polias são ligadas por meio de uma corrente ou correia, que trabalha de forma variável afim de ser mais linear e não trazer os famosos trancos. Afinal a troca de marchas não existe nesse caso, mas sim uma variação constante. Sua principal vantagem é o ganho de eficiência, ou seja, menos consumo de combustível.
Vinicius Moreira/Mobiauto
Mas Corolla e Corolla Cross também usam CVT (Transmissão Continuamente Variável)? Sim, mas de um jeito diferente, e quem explica é o Gerente Geral de Pesquisa e Desenvolvimento para América Latina e Caribe da Toyota, Eduardo Camignotto, em entrevista à Mobiaudo.
“Geralmente, essa transmissão [CVT], quando está em alta velocidade, acaba perdendo um pouco [desempenho] pela velocidade e atrito da correia. Então, o que a gente fez? A gente colocou uma engrenagem mecânica no final dessa transmissão. Quando o Yaris Cross está em alta rotação, alta velocidade, ele troca para essa engrenagem mecânica. E não há essa perda. Toda essa curva que estava caindo, volta e tem o torque mesmo na velocidade mais alta. E aí acaba, no consumo, dando aquela “ajudinha” também. Ajuda no consumo porque ela é só uma engrenagem alta”, explicou o executivo.
Vinicius Moreira/Mobiauto
No sedan e no SUV médio o conjunto é inverso, conclui Camignotto. ”O Corolla e o Corolla Cross são no começo [engrenagem mecânica], para você não ter aquele lag (atraso, traduzido do inglês) de aceleração. Esse carro é o contrário. Nós a colocamos [engrenagem] no final. Em alta velocidade, o CVT perde um pouco, patina um pouco.
Então, para manter a performance na estrada, a gente colocou uma engrenagem. O SUV ganha uns 8% [desempenho]. Ganha de volta o torque que ele perderia se ele tivesse no CVT”, informou.
Nas versões a combustão, o Yaris Cross tem o seguinte consumo declarado pelo Inmetro:
Gasolina: 12,6 km/l na cidade e 14,3 km/l na estrada
Etanol: 8,8 km/l na cidade e 10,2 km/l na estrada
Vinicius Moreira/Mobiauto
Outro ponto importante é que Corolla e Corolla Cross a combustão utilizam o motor 2.0 aspirado flex, que entrega 175 cv e 21,3 kgfm de torque. Além de ter um câmbio CVT com 10 marchas simuladas em vez de sete como no Yaris Cross.
O SUV compacto conta com uma redução de peso de cerca de 200 kg em relação aos irmãos Corolla, mas usa o motor 1.5 que entrega 122 cv. Por isso, a montadora japonesa entendeu que para manter a eficiência do CVT com desempenho, essa engrenagem mecânica é necessária para velocidades de rodovia.
Por Vinicius Moreira
Repórter
Encontrou no jornalismo uma forma de aplicar o que mais gosta de fazer: aprender. Passou por Alesp, Band e IstoÉ, e hoje na Mobiauto escreve sobre carros, que é uma grande paixão. Como todo brasileiro, ainda dedica parte do tempo em samba e futebol.
