Leapmotor C10: Por que o SUV elétrico é homologado como híbrido no Brasil?
A ofensiva de carros chineses no Brasil não para de crescer. E dessa vez, quem acaba de desembarcar por aqui é a Leapmotor. Montadora que faz parte do grupo Stellantis que estreia sistema eletrificado no catálogo nacional: REEV (Range-Extended Electric Vehicle). E exatamente por carregar o peso de ser uma novidade, os órgãos de regulamentação brasileiros ainda não reconhecem o sistema.
Apelidado de REEV ou EREV, os carros equipados com esse sistema mecânico possuem um extensor de autonomia. Trata-se de um propulsor a combustão que funciona como gerador de energia do motor elétrico. Ou seja, ele atua apenas como uma força auxiliar ao motor principal EV, sem tracionar as rodas, apenas gerando energia adicional para ampliar a autonomia.
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Mas a chegada desse sistema no Brasil balançou com as nomenclaturas existentes para veículos eletrificados. Afinal, o modelo equipado com sistema REEV, Leapmotor C10, chega ao Brasil com a nomenclatura de “Ultra híbrido”, que pode parecer equivocada para o modelo, visto que em tese ele não é um híbrido.
Vinicius Moreira/Mobiauto
Carro híbridos são aqueles que possuem motores a combustão e elétricos que trabalham juntos ou separados a depender da necessidade, mas ambos possuem a capacidade de tracionar o carro. Que não é o que acontece com o C10 e outros modelos equipados com sistema REEV, por exemplo. Mas por que essa nomenclatura foi escolhida se o carro não é híbrido?
Para responder essa pergunta, a Mobiauto conversou com a Leapmotor e descobriu que a resposta é simples: legislação. Segundo a montadora, a legislação brasileira não prevê uma normatização para carros elétricos de autonomia estendida (REEV ou EREV). Então, sob o ponto de vista homologatório e fiscal, o carro é classificado como híbrido e paga impostos dessa categoria.
Pela mesma ausência de normativas para o sistema REEV, não há uma norma oficial do Inmetro para medir a autonomia total dele. Por isso na ficha técnica também existem os dois números: autonomia elétrica (111 km, pelo Inmetro) e autonomia total (950 km, pelo ciclo WLTP).
De acordo com a ficha técnica divulgada PBEV - Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular - o Leapmotor C10 é categorizado como "Plug-in" com consumo a gasolina de 12 km/l e elétrico de 33,5 km/le na cidade e 29,1 km/l na estrada.
Mas na prática, o C10 REEV é equipado com motor elétrico de 215 cv de potência e 32 kgfm de torque, associado a uma bateria de 28,4 kWh. E nesse conjunto mecânico também está um motor 1.5 aspirado a gasolina dianteiro que funciona como um extensor de autonomia, mas não traciona as rodas.
Por Marcela Cavirro
