Dez carros que são "pau para toda obra" na hora do trabalho

No Dia do Trabalho, relembramos veículos que são os melhores companheiros do traballhador brasileiro
Por Leonardo Felix
01.05.2021 às 14h:27 • Att. há cerca de 1 mês
No Dia do Trabalho, relembramos veículos que são os melhores companheiros do traballhador brasileiro

Primeiro de maio é o Dia do Trabalho. A data não é celebrada apenas no Brasil, mas também em vários países de Europa, Ásia e América. Foi escolhida porque em 1º de maio de 1886, curiosamente também um sábado, como este, trabalhadores dos Estados Unidos foram às ruas se mobilizar contra as exaustivas cargas de trabalho de mais de 100 horas por semana.

Já que o tema é trabalho, nada mais justo do que homenagear os carros mais “pau para toda obra” da história automotiva brasileira. Com os dez veículos abaixo, nenhum operário ou prestador de serviço costumava ficar na mão ao longo dos últimos 70 anos.

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São modelos que ficaram marcados por não negar fogo na hora do batente, tornando-se verdadeiros companheiros de labuta do trabalhador brasileiro. Confira a lista abaixo e deixe um comentário mencionando algum genuíno “trabalhador sobre rodas” que nós não tenhamos mencionado.

Até porque esta lista não é um ranking, muito menos definitiva. Se um modelo não foi mencionado aqui, não significa que não arregace as mangas (ou as caixas de roda?) tanto quanto estes dez.

Agrale Marruá – Para o trabalho pesado 

No Dia do Trabalho, relembramos veículos que são os melhores companheiros do traballhador brasileiro

A Agrale é uma fabricante nacional de utilitários de porte maior, quase todos voltados com peso bruto acima do limite que libera a condução com CNH tipo B. Teoricamente, não deveria estar nesta lista, formada por comerciais leves, mas abrimos uma exceção para homenagear uma família de modelos brutalmente trabalhadores.

Tido por alguns como o "Hummer brasileiro", o Agrale Marruá segue o legado da extinta fabricante Engesa. E é composto por uma família de utilitários 4x4 com diversas configurações de porte, desde jipes e ambulâncias militares até picapes, vans e caminhões para uso civil.

E ele já possui até uma variante elétrica, utilizada em trabalhos de mineração na Austrália.

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Asia Towner – O meu com purê e sem milho, por favor

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Quando alguém fala em “carrinho de cachorro-quente”, nove entre dez brasileiros logo resgatarão na memória a imagem de uma Asia Towner exatamente como a da imagem que ilustra este artigo. Ou estamos errados?

A pequenina van, pouquíssimo estável ou aerodinâmica, mas bem-disposta para qualquer trabalho ligado à produção de comidas de rua, foi comercializada no Brasil nos anos 90 e representou o maior sucesso comercial da história da obscura marca coreana, acompanhada de um grande escândalo tributário.

A Asia Motors Brasil prometeu uma fábrica em território nacional e ganhou incentivos tributários do governo para isso, mas o projeto nunca saiu do papel e a empresa encerrou suas atividades deixando uma dívida que atualmente já supera R$ 2 bilhões. E que, pelo visto, jamais será paga. Não importa quantos cachorros-quentes sejam produzidos para isso.

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Chevrolet C-10 – Essa família só pensa em trabalho

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Já que o território das picapes era dominado por Ford e Chevrolet durante quase toda a metade do século XX no Brasil, não poderíamos terminar sem mencionar a polivalente Chevrolet C-10, que deu origem às irmãs C-14 (faróis duplos), C-15 (chassi estendido), C-1414 (cabine dupla) e C-1416, versão perua que ficaria conhecida como Veraneio.

Toda essa família de utilitários prestou incontáveis serviços à população brasileira. Com essa base, a GM também entrou na vanguarda das picapes a diesel, com a D-10, em 1978, que logo se tornou xodó dos frotistas.

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Fiat Uno – O fetiche da escada no teto

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Não podíamos começar sem o devido reconhecimento desse grande ícone das frotas de empresas de telefonia, luz ou encanamento. O Fiat Uno já se tornou entidade nacional, especialmente se tiver uma escada presa ao rack de teto. Mas as qualidades do “botinha ortopédica” não ficam restritas à prestação de serviços.

Sendo um compacto extremamente leve, com suspensões robustas e independentes nos dois eixos, interessante vão livre do solo e ângulos de transposição de obstáculos capazes de dar inveja a muito SUV, logo fez seu sucesso até em regiões rurais do país. Afinal, demonstrava estofo para encarar terrenos com muita lama e pouco asfalto sem pedir arrego.

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Menção honrosa para o Fiorino, furgão derivado do Uno que continua até hoje sendo símbolo do transporte rápido de mercadorias de pequeno porte pelo Brasil. Quem nunca foi ultrapassado por um Fiorino apressado, costurando o trânsito em busca de cumprir um horário apertado de entrega, que atire a primeira pedra.

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Fiat Strada – A verdadeira formiga sobre rodas

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A suspensão traseira por eixo rígido com molas semielípticas, como num caminhão, é uma das grandes sacadas da Stradinha, picape compacta mais popular do Brasil. Tanto que a arquitetur foi mantida pela Fiat na segunda geração. 

Não apenas o conceito é muito barato, como proporciona manutenção fácil e faz a picapinha aguentar o tranco como aparentemente nenhuma concorrente consegue.

No YouTube é fácil encontrar vídeos da velha Strada I, derivada do Palio, carregando até 1 tonelada e meia na caçamba sem reclamar. É mais do que seu peso em ordem de marcha e mais que o dobro de sua capacidade de carga oficial. Uma pequena gigante, sem dúvidas. Será que a nova Strada Cabine Plus também aguenta o tranco? Testamos isso nesta reportagem

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Ford Pampa 4x4 – Versatilidade a toda prova

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Mais uma entre os vários projetos nascidos da costela da incansável plataforma do Corcel I (e que serviu ao Corcel II e toda sua família), a Ford Pampa é até hoje a única picape de pequeno porte no país a contar com uma versão que tracionasse as quatro rodas.

O sistema da Pampa 4x4 era bem simples: a tração permanente era dianteira, mas o condutor podia acionar o diferencial traseiro através de uma caixa de transferência que substituía a quinta marcha do câmbio. 

Com a relação mais curta e apenas quatro marchas, o desempenho era sôfrego no asfalto. Além disso, a tração 4x4 simples comprometia seu desempenho num off-road mais pesado, mas ainda assim a Pampa 4x4 encarava terrenos mais inóspitos com boa dose de valentia.

E ainda com uma sacada: um reservatório extra com 40 litros de combustível, acionado através de uma chave, visto que o tanque original fora reduzido de 76 para 62 litros para comportar os componentes extras do sistema de transmissão mais elaborado.

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Rural Willys – Um SUV como todo SUV deveria ser

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Considerado por muitos o primeiro SUV brasileiro, o Rural Willys era um utilitário na acepção mais pura do termo. Até porque o projeto era construído sobre o Willys Quad, um jipe compacto encomendado pelo exército dos EUA para expedições de reconhecimento terrestre durante a II Guerra Mundial.

O Rural Willys chegou ao Brasil nos anos 50 para compor gama com o Jeep Willys, e logo teve sua produção 100% nacionalizada, incluindo um motor 2.6 V6 de 90 cv com usinagem e fundição em Taubaté (SP), além de tração 4x4. Anos mais tarde viria a picape F-75 ou “Jeep Pickup” ou “Ford Pickup”, como queira chamar, mantendo os predicados do Rural Willys. 

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Uma das grandes sacadas do Rural Willys, porém, foi oferecer versões com tração 4x2 e molas helicoidais na suspensão dianteira, tornando o modelo mais leve, confortável e afeito às demandas do trabalho urbano, que dispensa a necessidade de uma tração 4x4.

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Toyota Bandeirante – O desbravador destemido

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Difícil pensar em outro jipe com tamanha capacidade de se deslocar em ambientes hostis como o pequeno Bandeirante. E seu nome não é em vão: o utilitário certamente ajudou a desbravar muitos rincões do território brasileiro. E foi o responsável por fazer a Toyota instalar sua primeira linha de montagem fora do Japão.

A configuração mais popular do Bandeirante em território brasileiro é a J50, que curiosamente utilizava motor Mercedes-Benz: o OM-314 a diesel de 85 cv, com tração 4x4, câmbio de quatro marchas e caixa de transferência dupla. Em trajetos como o difícil acesso aos Lençóis Maranhenses, por exemplo, o Bandeirante é rei até hoje, e sem espaço para sucessores. 

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Toyota Etios Sedan – O sonho de todo Agostinho Carrara

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Aqui estamos falando de um carro de passeio, mas que caiu muito bem no gosto de taxistas de todo o país. Originado de um projeto indiano, o Etios sempre foi considerado um carro “fora dos padrões Toyota”, devido ao visual controverso, ao acabamento simplório e ao bizarro quadro de instrumentos posicionado no centro do painel.

Mas algumas qualidades notórias ele conservava, especialmente na configuração sedan, com entre-eixos maior: desempenho decente, confiabilidade mecânica para rodar centenas de milhares de quilômetros sem problemas, ótimo espaço interno e porta-malas generoso. O combo perfeito para nenhum Agostinho Carrara impor defeito.  

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VW Kombi – O grande ícone do trabalho sobre rodas

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Chamar a VW Kombi de “perua” é uma enorme heresia para qualquer entusiasta da van. Mas o fato é que ela assim passou a ser conhecida no seio popular, a ponto de alavancar a popularização de outro termo, a “perua escolar”.

Isso mostra o grau de versatilidade do “pãozinho de forma”, cujo nome no Brasil é uma espécie de apelido da expressão alemã Kombinationsfahrzeug, que significa “veículo combinado” ou veículo multiuso. Exatamente o que ela é.

Tanto que a Kombi já serviu em sua história como transporte de passageiros, miniestação móvel de rádio ou TV, carrinho de lanches, motorhome ou qualquer coisa que a imaginação de seu dono permitisse. Seu maior préstimo, porém, talvez tenha se dado nas feiras livres de todo o país. Talvez o Brasil nunca tenha tido um veículo leve tão trabalhador quanto a Kombi. 

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