Brasil terá moto elétrica com bateria de nióbio que recarrega em 10 minutos

Chinesa Horwin firmou parceria com a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração para lançar modelo pioneiro no uso da tecnologia em 2024
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31.03.2022 às 06:00
Chinesa Horwin firmou parceria com a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração para lançar modelo pioneiro no uso da tecnologia em 2024

Com Homero Gottardello

Há muito tempo que vem se falando como o nióbio pode ser um recurso natural estratégico do Brasil para o futuro. Afinal, o país é responsável atualmente por 90% de todo o volume de extração global do metal.

Uma de suas possíveis aplicações é como óxido de nióbio em baterias de íons de lítio, substituindo elementos usados no ânodo ou cátodo, como níquel e cobalto. Em teoria, seu uso permite promover recargas ultrarrápidas de 10 minutos sem desgastes excessivos ou perda do ciclo de vida da bateria.

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As vantagens da bateria de nióbio

Isso porque a estrutura cristalina do nióbio é mais aberta, o que facilita a intercalação do lítio e torna o componente mais maleável, dúctil, resistente ao calor, ao desgaste e a corrosões, e com melhores respostas de condutividade térmica e elétrica.

Tudo isso, claro, ainda permeia o campo da teoria. Na prática, instituições como a CBMM (Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração) vêm promovendo estudos para descobrir se é viável, mesmo, produzir baterias de íons-lítio com óxido de nióbio ou até mesmo baterias sólidas do metal em larga escala.

O primeiro passo nesse sentido pode estar sendo dado após uma parceria firmada entre a CBMM e a Horwin, uma fabricante chinesa de motos e scooters que atua no mercado brasileiro desde 2019, ainda de forma tímida, mas que pretende se fortalecer no segmento de motocicletas elétricas nos próximos anos.

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Chinesa Horwin firmou parceria com a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração para lançar modelo pioneiro no uso da tecnologia em 2024

Motos elétricas que recarregam em 10 minutos

As duas empresas firmaram um acordo de produção de motos e scooters equipados com baterias de íons de lítio com nióbio. O primeiro protótipo desse projeto deve ser apresentado nos próximos meses e terá como mula o modelo CR6, uma naked com motor elétrico de 6.200 Watts ou 8,4 cv de potência, e baterias que rendem 150 km de autonomia.

O objetivo é que todos os modelos de produção da marca vendidos no Brasil utilizem baterias com óxido de nióbio até o segundo semestre de 2024. “Trabalhamos para que, em breve, qualquer pessoa possa utilizar uma moto elétrica com carga ultrarrápida de até 10 minutos”, diz Pricilla Favero, CEO da Horwin no Brasil. 

As novas baterias aguentam, em teoria, mais de 20 mil recargas ultrarrápidas sem perda de vida útil, de acordo com a CBMM. “Por ser um elemento muito estável, [o óxido de nióbio] permite operações mais seguras e eficientes” explica Rogério Ribas, gerente do Programa de Baterias da CBMM.

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O gerente afirma que a companhia dedicou mais de três anos de Pesquisa & Desenvolvimento da tecnologia em parceria com outra multinacional, a japonesa Toshiba. Além das baterias com íons de lítio, o estudo tenta viabilizar uma próxima geração de baterias com óxido de nióbio e titânio (NTO), o que ampliaria a densidade e a capacidade dos conjuntos.

Além da Horwin, a Companhia Brasileira de Metalurgia e Mineração possui um projeto com a VW CO (Caminhões e ônibus) para aplicar baterias com nióbio em veículos de grande porte, com produção local. Os primeiros testes começarão em 2023.

A CBMM é responsável pela produção de produtos industrializados de nióbio, enquanto a extração de pirocloro, matéria-prima utilizada na criação dos produtos de niobio, é feita pela Comipa, uma empresa composta pela CBMM e Codemig em conjunto com a Codemig (Companhia de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais).

Segundo a companhia, "são necessárias mais de 160 etapas químicas e metalúrgicas para se chegar aos produtos finais de nióbio que são comercializados".

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