Teste: Royal Enfield muda panorama da sua linha trail com a nova Himalayan 450
A Royal Enfield tinha na sua linha a Himalayan 411, moto de baixa cilindrada no segmento trail, um produto que não empolgava ao ponto de ser sucesso de vendas. Aliás, é difícil até ver a Himalayan 411 nas ruas.
Mas a marca inglesa, que hoje é de propriedade indiana, viu que podia ir além no Brasil, que tem um dos públicos mais exigentes do mundo, e trouxe a Himalayan 450, que aí sim mudou o panorama da linha trail da Royal Enfield.
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Da antiga Himalayan, sobrou apenas o nome. Afinal, é uma moto completamente diferente na essência e não apenas no design.
O chassi é completamente novo, o que trouxe uma ciclística mais apurada para a Himalayan 450, tornando ela uma moto que instiga buscar terrenos mais ardilosos apenas para sentir o trabalho do conjunto de suspensões, que foi totalmente reformulado também para melhorar a pilotagem em qualquer tipo de terreno.
Como costumamos dizer: é a moto que estaria pronta para uma fuga durante um apocalipse zumbi. Mas vamos ponto a ponto nos detalhes.
Design
Divulgação/Royal Enfield
Reformulado, o design da Royal Enfield Himalayan 450 é atual e vai ao encontro com as principais exigências do mercado brasileiro. Itens como lâmpadas de led para o conjunto de faróis, lanternas e setas, deram um ar de modernidade a motocicleta, trazendo também segurança, pois o conjunto é bastante competente mesmo em vias sem iluminação, como eu pude encarar durante o teste.
Na traseira, o conjunto conjugado de lanterna e setas também de LED deu um aspecto premium, utilizado em motocicletas mais caras como as BMW, por exemplo.
As carenagens perderam o aspecto retrô muito empregado pela marca em suas motocicletas, transformando a moto em uma midtrail com personalidade e parecendo até maior do que realmente é.
As rodas permanecem com o mesmo tamanho da geração anterior, sendo 21 polegadas na frente e 17 polegadas na traseira, mas a moto ganhou cinco centímetros a mais no comprimento total.
O banco em dois níveis, também é algo que chama atenção na Himalayan, mas ao mesmo tempo merece atenção, pois após algumas horas pilotando, é necessário fazer uma parada para esticar as pernas, já que o assento tem espuma densa e prejudica o conforto - mas prolonga a durabilidade.
Conjunto mecânico
Divulgação/Royal Enfield
Pela primeira vez no mercado brasileiro a Royal Enfield utiliza um motor refrigerado a líquido, o Sherpa, que traz 452 cilindradas e utiliza comando duplo variável de válvulas, otimizando a relação desempenho/consumo da moto.
Esse motor entrega bons 40 cavalos de potência e 4 kgfm de torque, o que combinado ao câmbio de seis marchas com acionamento hidráulico e embreagem deslizante permite que se tire o máximo de desempenho da Himalayan, que pesa 198 kg, sendo uma moto leve para o porte.
O conjunto de suspensões também merece destaque pois traz na dianteira o garfo invertido da Showa com 200 mm de curso, proporcionando um ajuste firme no asfalto para aproveitar as curvas com segurança e diversão nas estradas de terra por conta do curso mais elástico. A suspensão traseira, que na primeira geração da moto tinha curso de 180 mm, agora tem 200 mm, o que também melhora na pilotagem e no conforto principalmente em vias mais castigadas.
Os freios melhoraram e muito sua eficiência pois agora trazem discos de 320 mm de diâmetro na dianteira e 270 mm na traseira, um aumento considerável em relação a anterior que tinha discos menores. Ambas as rodas dispõem do sistema ABS que funciona bem por estar bem calibrado, permitindo uma frenagem segura.
Consumo
O tanque da Himalayan 450 é de 17 litros, o que permite ter autonomia de 480 km, considerando um consumo médio de 27,8 km/l, porém a realidade não é bem essa.
Eu fiz uma viagem de São Bernardo do Campo (SP) para Tuiuti (SP), de aproximadamente 127 km, e o consumo foi de 25,3 km/l, me fazendo ter que abastecer para poder concluir a viagem, o que deixa claro que o consumo declarado pela Royal Enfield é um tanto quanto otimista.
Tecnologia
Divulgação/Royal Enfield
Diferente de tudo o que já tínhamos visto na linha Royal Enfield, a Himalayan 450 traz o painel totalmente em TFT, com projeção do mapa diretamente na tela por meio do aplicativo oficial da Royal Enfield. Dentro do aplicativo, basta iniciar o Tripper Dash, para espelhar o telefone e comunicar diretamente com o painel, sem a necessidade de cabos.
Mas usar o sistema traz a necessidade de deixar a tela do seu smartphone sempre ligada, o que drena totalmente a bateria do aparelho.
Uma falha que a Royal Enfield tem que resolver com urgência: com a tela desligada somente é possível usar o Tripper com navegação por meio de setas, que ajuda, mas a experiência fica muito melhor com o mapa projetado.
Nesse caso, é bom utilizar um power bank para manter seu telefone carregado ou conectar na entrada USB tipo C que está disponível no guidão da moto.
Versões e preços
São três versões na Royal Enfield Himalayan 450 e quatro opções de cores. As cores Slate Salt e Slate Poppy Blue são para as opções de entrada com pneus com câmara de ar, que em caso de furos, perdem pressão rapidamente, o que aumenta o risco de acidentes.
A cor Hanle Black, é para a intermediária, e há uma versão com pneu sem câmara na mesma cor, além da Kamet White. Ter o pneu sem câmara torna a perda de pressão mais previsível, permitindo que o piloto perceba o problema e pare a moto com segurança.
- Royal Enfield Himalayan 450 - Slate Salt (cinza e laranja): R$ 29.990;
- Royal Enfield Himalayan 450 - Slate Poppy Blue (cinza e azul): R$ 29.990;
- Royal Enfield Himalayan 450 - Hanle Black: R$ 30.990;
- Royal Enfield Himalayan 450 - Hanle Black (pneu sem câmara): R$ 31.990;
- Royal Enfield Himalayan 450 - Kamet White (pneu sem câmara): R$ 31.990.
Por Carlos Mattos
