Teste de consumo: Novo Peugeot 208 GT híbrido é econômico como deveria?
Não era surpresa a apresentação neste ano do Peugeot 208 turbo e híbrido. A motorização turbinada já havia sido aplicada no hatch compacto, e o modelo foi visto em testes diversas vezes tampando a nomenclatura “hybrid” que mais tarde seria conhecida.
A solução híbrida leve do Peugeot 208 já é aplicada em outros modelos do grupo Stellantis. Trata-se de um conjunto 12V, em que a bateria de baixa capacidade fica posicionada abaixo do banco do motorista, e que troca o motor de arranque e alternador por um motor elétrico.
Seguindo os dados do Inmetro, pouco se aproveita da energia no consumo diário do veículo. Como referência, veja os dados com o sistema 12V, e sem ele:
- Peugeot 208 GT 1.0 Turbo híbrido: 12 km/l na cidade e 13,7 km/l na estrada, com gasolina; 8,3 km/l na cidade e 9,7 km/l na estrada, com etanol.
- Peugeot 208 Griffe 1.0 Turbo: 12,5 km/l na cidade e 14,1 km/l na estrada, com gasolina; 8,8 km/l na cidade e 10 km/l na estrada, com etanol.
*Dados do Inmetro
Para comparar, selecionamos as duas versões de topo do hatch compacto, considerando o momento sem o sistema 12V, a Griffe, com a tecnologia aplicada, a GT, única do produto até então como híbrida. Claro que as versões têm itens e pesos diferentes que impactam diretamente no consumo, e isso pode justificar o desempenho pior do híbrido.
No entanto, mesmo assim, podemos analisar que a vantagem do produto não é de fato o consumo, mas sim as emissões de poluentes e algumas outras isenções que um veículo híbrido pode garantir a depender do estado.
Consumo real do Peugeot 208
Foram sete dias a bordo do Peugeot 208 GT Hybrid. Mobiauto, desta vez, fez um experimento de mostrar o melhor e o pior consumo do produto, que é rodar com etanol na cidade e gasolina na estrada, cenários que podem ser comprovados mais acima com dados do próprio Inmetro.
Na cidade, foram 224 km rodados. Abastecendo, tiramos a conclusão via bomba de combustível que o modelo precisou de 33,24 litros de álcool etílico para percorrer tal distância. Na prática, foram 6,7 km/l na cidade com etanol. Vale lembrar aqui que o período de testes tinha altas temperaturas e o uso de ar-condicionado foi maior do que o comum, e os horários não tinham muito trânsito - ponto que favorece o consumo desse tipo de veículo.
Pegando a estrada, os números foram melhores. Ainda que não estivesse livre e alguns congestionamentos pontuais, o Peugeot 208 GT Hybrid bateu a marca 11,1 km/l. Foram 390 km rodados e 35,11 litros de combustível abastecidos. Mas aqui devem ser levados em consideração o congestionamento já citado, alguns trechos citadinos mais carregados de carros em meio a estrada e a reserva de etanol do primeiro teste, que representou cerca de 10% do tanque.
E para dirigir?
O Peugeot 208 GT híbrido é o hatch certo para quem gosta de dirigir. Confesso que alguns pontos incomodaram, como o espaço interno e a posição do volante, que é necessário um posicionamento fora do convencional para ter a leitura livre do painel de instrumentos. No entanto, ele faz todas essas questões sumirem quando o carro está rodando.
O motor 1.0 turbo flex que rende até 130 cv de potência e 20,4 kgfm de torque é mais que suficiente para empurrar o hatch. Ainda que seu câmbio automático seja do tipo CVT, a simulação de marchas suaviza o ruído interno, e ele é mais esperto do que se imagina para uma tocada mais esportiva.
O modo Sport faz bastante diferença. Pedal mais leve, giro mais alto, carro um pouco mais arisco nas aceleradas, e um desempenho, de fato, melhor para saídas e retomadas de velocidade.
Acelera e freia bem. Mas não é só isso que se espera de um carro, e é justamente esse ponto que o Peugeot 208 tem vantagem para os demais modelos da categoria. A plataforma robusta garante uma boa rigidez torcional, e o hatch entrega uma estabilidade acima da média.
Na estrada, o 208 “cola” no chão e passa bastante segurança aos ocupantes e principalmente ao motorista. Por causa disso, ele também é um pouco mais duro que os rivais em valetas e lombadas, mas vale pesar na balança se prefere conforto ou dinâmica. Se o objetivo é o segundo ponto, a dica é levar o Peugeot para casa.
Outro ponto a levar em consideração é o fator tecnologia. Além de ser um carro de alma jovem com seu design marcante, internamente oferece painel de instrumentos 3D – que, particularmente, gosto muito – e multimídia de 10 polegadas com conexão de celulares sem fio.
Essa última é um pouco complicada de entender no início, principalmente por concentrar as informações do ar-condicionado também. Após alguns dias, fica “automático” os movimentos para chegar aonde precisa.
Peugeot 208 2026 - preços e versões
- Peugeot 208 Style 2026: R$ 105.990 (R$ 92.990)
- Peugeot 208 Active 2026: R$ 114.550 (R$ 109.490)
- Peugeot 208 Allure 2026: R$ 125.550 (R$ 118.990)
- Peugeot 208 GT Hybrid 2026: R$ 136.490 (R$ 128.490)
*Valor nos parênteses se refere a promoção no site da marca
Peugeot 208 GT Hybrid 2026 - ficha técnica
Motor: 1.0, dianteiro, três cilindros em linha, 12V, flex + sistema 12V
Potência: 125/130 cv (G/E) a 5.750 rpm
Torque: 20,4 kgfm a 1.750 rpm
Peso/potência: 8,9 kg/cv
Peso/torque: 56,7 kg/kgfm
Câmbio: automático do tipo CVT de sete marchas
Tração: 4x2, dianteira
0 a 100 km/h: 9 segundos
Velocidade máxima: 206 km/h
Consumo (Inmetro):
- Urbano: 12,5 km/l (gasolina) / 8,8 km/l (etanol)
- Estrada: 14,1 km/l (gasolina) / 10 km/l (etanol)
Dimensões: 4.055 mm de comprimento; 2.538 mm de entre-eixos; 1.738 mm de largura; 1.453 mm de altura; 265 litros de porta-malas; 47 litros de tanque de combustível; 1.157 kg de peso em ordem de marcha.
Dados técnicos: direção elétrica; suspensão McPherson (dianteira) e eixo de torção (traseira); freios a discos ventilados (dianteira) e tambores (traseira); diâmetro de giro, 10,5 m; vão livre do solo, não divulgado; ângulo de ataque, não divulgado; ângulo de saída, não divulgado, pneus, 205/45 R17.
Os testes de consumo feitos pela Mobiauto são realizados após abastecimento sempre no mesmo posto e bomba de combustível. O resultado é aferido com o cálculo de distância percorrida versus a quantidade de litros abastecido
Por Renan Bandeira
Gerente de conteúdo
Formado em mecânica pelo Senai e jornalismo pela Metodista, está no setor há 5 anos. Tem passagens por Quatro Rodas e Autoesporte, e já conquistou três prêmios SAE Brasil de Jornalismo. Na garagem, um Gol 1993 é seu xodó.
