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SUV da Huawei estreia com dois pedidos a cada três segundos

Shangjie H5 parte de menos de R$ 130 mil, é 6 cm maior que um Tiguan Allspace e setes vezes mais econômico
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03.09.2025 às 07:14
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Nunca me canso de lembrar, em 1985, ano em que a indústria automotiva nacional ultrapassou a marca de um milhão de unidades pela primeira vez, a China produziu diminutos 5.000 (cinco mil) veículos. De lá para cá, as coisas mudaram radicalmente e, enquanto no país do comunismo bateu na casa de 31,4 milhões de unidades, no ano passado, o neoliberalismo tupiniquim encalhou na casa dos 2,5 milhões de unidades anuais, mesmo assim depois de quase duas décadas de quedas. O modelo mais vendido do Brasil, em 2024, foi o Fiat Strada, com 144,6 mil unidades e uma média mensal de pouco mais de 10 mil unidades, vendeu cinco vezes menos do que o novo Shangjie H5, da Huawei, comercializou em 18 horas, nesta semana.

Mesmo na fase de pré-lançamento, no novo e-SUV da gigante dos eletroeletrônicos recebeu dois pedidos a cada três segundos, o que é inimaginável para qualquer concessionário nacional – o Strada, por exemplo, vendeu uma unidade a cada dois minutos, no ano passado.

Divulgação/Huawei

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Há várias explicações para este fenômeno, a começar pelo preço sugerido de menos de R$ 130 mil (169.800 yuans), uma verdadeira pechincha para o utilitário-esportivo de 4,78 metros de comprimento, com o mesmo porte de um Tiguan Allspace R-Line 2.0 TSi, que custa R$ 306 mil, no Brasil.

Ao contrário do Volkswagen, que está disponível apenas com motor a combustão interna, o H5 chega ao mercado chinês em duas versões: totalmente elétrica, capaz de rodar 655 quilômetros sem necessidade de recarga das baterias, e de alcance estendido (EREV), com autonomia combinada de 1.360 km – só no modo elétrico, são 235 km. Apenas para o leitor ter uma base de comparação, o Tiguan tem autonomia máxima entre 552 e 678 km, segundo a própria VW.

Além de mais por menos, o Shangjie H5 integra tecnologias que os donos do Tiguan só conhecem pelos filmes de ficção científica, como o sistema ADS 4 que, além da mais avançada segurança ativa e de toda a sopa de letrinhas que o leitor conhece, inclui condução semiautônoma de Nível 3 e até mesmo um detector de infarto do motorista, capaz de identificar a situação de emergência, estacionar o carro no acostamento e acionar o resgate, automaticamente.

Divulgação/Huawei

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Todos estes recursos são exibidos no ‘smart cockpit’, que conta com algoritmos de IA para planejamento de rotas e chega a acionar a buzina, sozinho, quando outro veículo entra repentinamente na frente do e-SUV – os asiáticos, vale citar, têm um verdadeiro fetiche com a buzina.

No capítulo eficiência, não há como comparar o lançamento da Huawei com nenhum SUV convencional, como os modelos antigos à venda no Brasil. Com um consumo de eletricidade de 13,4 kWh, o e-SUV chinês faz o equivalente a 66,4 km/l. Ou seja, a versão 100% elétrica é entre 7,2 e 5,8 vezes mais econômica que o “adversário” da VW, na ponta do lápis – a variante EREV tem consumo médio de 22,5 km/l.

Na prática, significa que se rodar 190 mil km com seu carrão, levando em conta o custo de R$ 0,67 para o quilômetro rodado (conforme dados de consumo declarados pela Volkswagen e o preço médio do litro de gasolina, divulgado pela Petrobras), o “feliz”proprietário do Tiguan vai deixar o valor de um Shangjie H5 novinho em folha no posto de combustíveis.

Interior futurista

Divulgação/Huawei

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O novo H5 é fruto de uma parceria entre a Huawei e a SAIC Motor, uma das “Big Four” montadoras estatais chinesas, e sua fábrica dedicada, na região de Lingang em Xangai, tem capacidade anual de produção de 250 mil unidades – ou seja, só para atender os 50 mil pedidos feitos em 18 horas, ela precisará de trabalhar durante dois meses em três turnos.

Um detalhe interessante e que mostra como os chineses estão anos-luz à frente das antigas montadoras ocidentais, é que a Shangjie já é a quinta marca sob o guarda-chuvas da Huawei e este lançamento é comercializado pela Harmony Intelligent Mobility Alliance (HIMA), uma gigante da TI de trás da Grande Muralha. É que a Huawei não produz seus próprios automóveis, que são feitos pela Seres, Chery, BAIC e JAC, além da SAIC.

Esse conceito futurista também está presente no interior do Shangjie H5, que praticamente não tem botões. O seletor da transmissão, por exemplo, fica na coluna de direção e o console central é liso, apenas com carregador wireless para smartphones, dois porta-copos e apoio de braço sobre um espaçoso porta-objetos.

Sem apelo esportivo, o lançamento conta com duas opções de motorização elétrica, de 201 cv (150 kW) alimentado por uma bateria LFP da titânica CATL ou 241 cv (180 kW) alimentado por um pacote NMC ternário, do mesmo fornecedor. Já a versão de alcance estendido (EREV) combina a mesma unidade elétrica de 150 kW a um propulsor de combustão interna de 97 cv que, frise-se, atua apenas como geração de energia para a bateria – quando ela está quase descarregada, o consumo deste motor vai a 18,1 km/l.

Este texto contém análises e opiniões pessoais do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Mobiauto.

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Jornalista Automotivo

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Trabalha como jornalista há 30 anos, e tem, na Mobiauto, uma coluna com seu nome. Escreve sobre novos carros, indústria e polêmicas do setor automotivo. Mais do que isso, cobre todas as inovações tecnológicas oferecidas do outro lado do mundo.