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Novo Jeep Compass ganha versão elétrica e condução semiautônoma

Aguardada no Brasil só para 2028, nova geração do Jeep já está à venda na Europa, onde agradou nas primeiras avaliações da imprensa especializada; lá, preços partem de R$ 235 mil
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28.11.2025 às 16:19
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O Brasil fechou 2024 como sexto maior mercado de automóveis do mundo, 2,48 milhões de unidades e alta de 14%, atrás da Alemanha, mas à frente do Reino Unido (soma de Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte), do Canadá, da França e da Coreia do Sul – no mesmo período, estes dois últimos registraram quedas de -3,2% e -5,5%, respectivamente.

Apesar disso, as antigas montadoras enxergam o país com olhos bem diferentes daqueles que miram regiões mais “qualificadas” e prova disso é o descompasso que, hoje, existe entre as gamas de produtos que oferecem por aqui e no além-mar. A nova geração do Jeep Compass é um exemplo desta “arritmia”, já que, enquanto teremos que aguardar até o segundo trimestre de 2027 para vê-la por aqui, a imprensa especializada europeia avalia ao volante o modelo que cresceu e que já está nos concessionários de lá, aderindo definitivamente à virada da eletromobilidade.

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“Na Europa, temos muitos mercados e o cenário varia muito de país para país. Para a Jeep, os híbridos leves e plug-in são e serão soluções essenciais para guiar nossos clientes rumo à eletrificação total”, comenta o chefão continental da marca, Fabio Catone.

Divulgação/Jeep

Divulgação/Jeep

Antes de mais nada, é importante frisar que esta não é a segunda, mas a terceira geração do Compass – a primeira foi produzida pela Chrysler, nos Estados Unidos, entre 2006 e 2017, e chegou a ser vendida no Brasil, como o primeiro Jeep de tração dianteira. Visualmente, o lançamento traz contornos mais angulados que seu antecessor, mantendo a identidade do clássico da década de 40 com uma releitura da grade de sete barras horizontais.

Quase 15 cm maior que o SUV vendido no Brasil, o lançamento também tem maior distância entreeixos (são 2,79 m, com ganho de 15 cm e “até 55 cm a mais para as pernas”, segundo a Jeep), o que, somando à nova arquitetura interna, se traduz em muito mais comodidade para os passageiros do banco traseiro – o porta-malas, igualmente, cresceu 45 litros, chegando 550 l de capacidade volumétrica.

A nova geração trocou a plataforma Small Wide, da Fiat Chrysler Automobilies (FCA), a mesma usada pelo Commander e pelos primos Toro e 500X, da Fiat, pela base STLA Medium, da Stellantis, usada pelos atuais 3008 e 5008, da Peugeot, além do C5 Aircross, da Citroën. Em outras palavras, o Compass que nasceu com sotaque norte-americano e, depois, o trocou por uma língua latina (o italiano), agora acentua o francês – se o leitor é um jipeiro purista, pode interromper a leitura por aqui. No campo das motorizações, as mudanças são mais radicais, já que os motores diesel deixam de ser ofertados e nesta fase de lançamento, são apenas três unidades, com destaque para um híbrido leve turboalimentado 1.2 litro 12V, de 145 cv (versão e-Hybrid).

Divulgação/Jeep

Divulgação/Jeep

“A versão híbrida leve, que atinge velocidades próximas a 190 km/h, revelou um isolamento acústico aprimorado e uma condução mais responsiva: a inclinação da carroceria foi reduzida em 20%, melhorando o comportamento do SUV em curvas, em sinergia com a direção comunicativa e a suavidade da transmissão automática de dupla embreagem e seis velocidades. O consumo misto de combustível – gasolina, sem adição de álcool anidro – de cerca de 18 km/l, em vias urbanas e rodovias, é um ponto positivo”, afirmou Gianluca Guglielmotti, que testou o novo Compass para o jornal italiano “La Repubblica”, o maior do país e um dos mais importantes da Europa.

“É um modelo eficiente, com preços a partir de 37.900 euros – o equivalente a R$ 235,5 mil – e opção de financiamento com parcelas mensais de 249 euros, para uma entrada de 9.550 euros com valor residual garantido (VRG) de 25.300 euros”, pondera.

Alcance de até 500 km

No Brasil, a geração atual é ofertada, promocionalmente, a partir de R$ 150 mil, mas nenhuma das versões atuais é dotada de condução semiautônoma (de Nível 2, capaz de manter uma velocidade constante, distância segura do veículo que vai à frente, e atuar na direção para manter o automóvel dentro da faixa de rodagem), uma novidade muitíssimo bem-vinda e que equipa toda a gama europeia.

Outro destaque é o novo sistema de infotainment com tela central de 16 polegadas, combinada ao painel de instrumentos digital de 10 pol – os visores são compostos, mas não são integrados, “colados” um no outro. “No campo da eletromobilidade, a Jeep introduz o Compass Altitude EV, com 213 cv, bateria de 74 kWh e autonomia até 500 km, pelo preço de 49.750 euros – o equivalente a R$ 309 mil. Há uma versão Long Range, que amplia a autonomia para cerca de 650 km, graças a baterias de maior capacidade e otimização dos sistemas de gestão energética. O carregamento é rápido, permitindo recuperar 80% da carga em cerca de meia hora”, comenta o colaborador Marco António, do portal português “Turbo”, que também testou o lançamento, na terra de Camões.

No geral, as primeiras impressões da mídia europeia vão ao encontro daquilo que o novo Compass tem por missão: se adequar às famílias do novo milênio com mais eficiência e espaço, nem que isso implique menos robutez. “É um automóvel familiar, muito mais acolhedor, comparado a seu antecessor. A herança todo-terreno é enfatizada pelo sistema Select-Terrain, apesar de as primeiras versões disponíveis terem tração apenas dianteira. Mais tarde, haverá uma variante com tração integral e impressionantes 375 cv, mas o que importa é que a e-Hybrid chega com excelente relação custo-benefício, em que pese o fato de alguns materiais plásticos serem desapontadores”, avalia Gaël Brianceau, da revista francesa “L’Automobile”.

Contextualizando, os cerca de 40 mil euros cobrados pela nova geração podem, sim, ser considerados bastante atraentes para o consumidor da União Europeia (UE). Afinal, se tomarmos por média o valor de 1.100 euros para o salário-mínino na UE, mesmo com a discrepância entre os 1.500 euros da Alemanha e os 750 euros da Hungria, um operário precisa de algo entre 36 e 37 meses de trabalho para adquirir o novo Compass, enquanto um brasileiro leva 130 meses (ou quatro vezes mais) para comprar o modelo atual – que já foi descontinuado, na Europa. De qualquer forma, cria-se uma expectativa positiva nos entusiastas da marca pelo seu lançamento nacional, ao mesmo tempo em que a geração que continua em linha, por aqui, pode ser enxugada e liquidada, promocionalmente, para quem não quiser esperar pela nova.

Este texto contém análises e opiniões pessoais do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Mobiauto.

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Jornalista Automotivo

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Trabalha como jornalista há 30 anos, e tem, na Mobiauto, uma coluna com seu nome. Escreve sobre novos carros, indústria e polêmicas do setor automotivo. Mais do que isso, cobre todas as inovações tecnológicas oferecidas do outro lado do mundo.