Ford fecha acordo para demitir trabalhadores da fábrica de Taubaté

Após retirar família Ka e SUV EcoSport de seu catálogo, marca enfim chega a consenso com sindicato local sobre plano de indenização
Por Renan Bandeira
07.04.2021 às 15h:59 • Att. há 10 dias
Após retirar família Ka e SUV EcoSport de seu catálogo, marca enfim chega a consenso com sindicato local sobre plano de indenização

Mais um capítulo triste foi escrito na história da Ford no Brasil. Depois de retirar de seu catálogo a família Ka e o SUV EcoSport, a montadora conseguiu enfim convencer os trabalhadores da fábrica de Taubaté (SP) a aprovarem um PDI (Plano de Demissão Incentivada).

A indenização foi acertada após 25 reuniões entre a empresa e o Sindmetau (sindicato dos metalúrgicos local) com a Ford, incluindo uma com executivos da matriz da empresa, nos EUA. Pelo acordo, além das verbas rescisórias previstas em lei, a empresa pagará dois salários adicionais por ano trabalhado a funcionários horistas demitidos, sendo um salário adicional por ano trabalhado aos mensalistas.

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A votação aconteceu na última terça-feira (6) na fábrica e teve 630 votos contabilizados (78,75% dos 800 funcionários ainda ativos), segundo o sindicato. Foram 336 votos (55,33%) a favor da proposta, 291 (46,21%) contra, dois brancos (0,31%) e um nulo (0,15%).

O acordo ainda prevê a criação de um programa de qualificação para ajudar os funcionários na recolocação no mercado de trabalho. Embora já tenha sido aprovado, não há previsão de quando os colaboradores serão efetivamente demitidos e receberão a indenização.

Leia também: Ford assina termo com Procon para garantir peças a donos de Ka e EcoSport

Vale lembrar que o acordo é válido só para Taubaté (SP). Em Camaçari (BA) as negociações ainda não chegaram ao fim e estão mais complicadas. 

Segundo o sindicato da região, a Ford busca anular judicialmente os acordos já firmados, que tiveram mediação do Tribunal Regional do Trabalho da 5° Região (TRT-5) e do Ministério Público do Trabalho (MPT). 

Anúncio de fim da produção e consequências

O anúncio do fechamento das fábricas aconteceu em 11 janeiro deste ano e pegou todos de surpresa, principalmente com o comunicado de que a família Ford Ka, composta por hatch e sedan compactos, e o SUV compacto EcoSport deixariam de ser produzidos com efeito imediato.

Além disso, a fábrica de Horizonte (CE), onde são fabricados os Troller, seguirá em operação até o final do ano e fechará as portas se não for encontrado um comprador para ela.

A empresa também abandonou três novos projetos nacionais, sendo eles a nova geração do EcoSport, um inédito SUV cupê que se chamaria Maya e a segunda geração do SUV Territory

As organizações sindicais até tentaram uma negociação direta com executivos da matriz da marca americana, no fim de fevereiro, na tentativa de dissuadi-los do plano de abandonar a operação fabril no Brasil. Não tiveram sucesso e a empresa manteve a decisão.

Leia também: Ford desmancha carros e fábricas, e pode deixar 120 mil desempregados

Com isso, 5 mil trabalhadores diretos serão demitidos entre as unidades de Camaçari, Taubaté e Horizonte até o fim do ano. 

Segundo o Dieese, além desse número, serão “impactados trabalhadores das sistemistas, das terceirizadas e de toda a cadeia produtiva", o que significa uma perda potencial de quase 120 mil postos de trabalho diretos, indiretos e induzidos, pelas contas do departamento.

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