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Teste: Por que o Chevrolet Tracker RS 2026 é boa opção para quem gosta de dirigir

SUV com detalhes voltados para esportividade, mas sem preparação diferente, tem no seu ponto alto uma dinâmica agradável de direção
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17.01.2026 às 07:04 • Atualizado em 19.01.2026
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A linha do Chevrolet Tracker 2026 mudou em 2025, ganhou uma nova dianteira e lanternas com lente de cristal. A marca também afirmou ter mexido na suspensão e direção, além da recalibração do motor. O interior recebeu materiais macios ao toque e painel de instrumentos digital e nova central multimídia, o mesmo conjunto estreado pela Spin.

Tudo isso para continuar competitivo, afinal, o Tracker foi o quinto SUV mais vendido em 2025, perdendo para VW T-Cross, Hyundai Creta, Jeep Compass e Honda HR-V. E a Chevrolet aponta que a o SUV “evoluiu onde mais importa” para tentar recuperar posições na lista de mais vendidos da categoria.

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Por isso, a Mobiauto testou o Tracker na versão RS (R$ 178.990), a mais completa e com detalhes esportivados, para ver se esse o “onde mais importa” realmente faz sentido quando para o SUV.

O que importa e é bom no Tracker

Motor

Vinicius Moreira/Mobiauto

Vinicius Moreira/Mobiauto

As boas notícias começam antes mesmo de ligar o Tracker. A posição de guiar é ajustada de forma manual no banco, assim como ajuste de altura e profundidade do volante, que oferta boa empunhadura. Vai do motorista, mas tem como deixar o assento na posição mais alta ou mais próximo do que se tem em hatches e sedans. Vale lembrar, Tracker e Onix possuem a mesma plataforma GEM.

Os assentos, com revestimento de material sintético são de boa qualidade, além de oferecem boa acomodação. Só os preenchimentos com material vermelho que não agradaram e também não somaram em esportividade.

O ganho do painel de instrumentos digital de 8 polegadas e central multimídia de 11 polegadas são bem-vindos e chega com certo atraso. As informações estão bem distribuídas e a partida do SUV é por botão.

Comum aos motores de três-cilindros, a vibração do propulsor é sentida na cabine, mas nada muito grave. Ponto importante a se observar é que a temperatura ideal de trabalho do motor chega rapidamente, o que é bom para a longevidade do propulsor. Não é todo mundo que liga o veículo e espera a temperatura e óleo chegarem aonde precisam para o melhor trabalho.

O motor tem injeção direta de combustível e entrega até 141 cv de potência e 22,9 kgfm de torque, que chegam cedo as 2.500 rpm do propulsor.

Precisou de retomadas e saídas? O Tracker responde como se espera. E se você quer saber sobre o delay (atraso) entre o pisar no acelerador e a entrega de potência de fato, vamos lá.

É comum nos modelos com motorização turbo ter uma leve demora na entrega da potência. Esse hiato é proposital, muitas vezes para enquadrar o motor nos testes de emissões de poluentes.]

Porém, o Tracker sai na frente de rivais turbo e responde mais rápido, principalmente dos que usam o motor 1.3 turbo da Stellantis e 1.4 turbo da Volkswagen.

Suspensão

Vinicius Moreira/Mobiauto

Vinicius Moreira/Mobiauto

A Chevrolet completou 100 anos de Brasil e isso tem o seu valor. Afinal, a montadora entende como poucas a situação das vias e estado do asfalto brasileiro. E a melhora na suspensão foi perceptível, com boa filtragem de buracos, valetas e sem deixar a frente passar perto de raspar o para-choque com facilidade.

Os impactos também não são transmitidos para direção, que respondem de forma satisfatória aos comandos. A calibração dianteira da suspensão independente do tipo McPherson e traseira por eixo de torção entregam bom conforto para os ocupantes.

Na estrada, o trabalho de amortecimento também oferece uma firmeza da carroceria em curvas, sem muita rolagem da carroceria. Sem ter um acerto macio demais, o Tracker proporciona uma rodagem sem transferir as ondulações do asfalto.

Isolamento acústico

Vinicius Moreira/Mobiauto

Vinicius Moreira/Mobiauto

Durante o teste na estrada, o Tracker ofereceu um isolamento acústico bom para o segmento. Em velocidades máximas até 120 km/h para algumas rodovias, não foi possível ouvir o som do vento invadindo a cabine, assim como o motor trabalhando. Esse cenário muda para o propulsor quando é necessária alguma ultrapassagem ou retomada.

Um ponto curioso é que em dias mais quentes, quando o ar-condicionado é exigido em ventilações mais altas, o que eleva o som do vento na cabine, basta que você precise atender uma ligação com o celular pareado na multimídia, que automaticamente o nível ventilação diminui para reduzir o ruído. Basta terminar a chamada e a velocidade do ar retornar para continuar gelando.

Segurança e conforto

Vinicius Moreira/Mobiauto

Vinicius Moreira/Mobiauto

São seis airbags de série, câmera de ré, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro. Os assistentes incluem alerta de ponto cego, alerta de colisão com frenagem autônoma de emergência.

E se o espaço interno não dos melhores entre os rivais, a versão RS conta com um item de série que o brasileiro procura bastante: teto solar panorâmico.

Onde importa e o Tracker não melhorou

Vincius Moreira/Mobiauto

Vincius Moreira/Mobiauto

Tanque de combustível

São 44 litros de capacidade no tanque de combustível, menos que os principais concorrentes. Isso por si só já resulta em uma autonomia total menor.

Em nosso teste de consumo, o Tracker fez 9,4 km/l na cidade e 15 km/l na estrada com gasolina. Pior na cidade e melhor na estrada que os números apontados pelo Inmetro.

Os números não são ruins, mas no acirrado segmento dos SUVs compactos, o consumo de combustível é visto como ponto importante na hora da compra.

Na estrada muda muito

Mais acima foi elogiado o escalonamento da transmissão automática e maior celeridade na entrega de potência. No entanto, o SUV tem um comportamento diferente na estrada. Não falta vigor ou fôlego para ultrapassar ou segurar uma velocidade na subida.

Mas, em velocidades mais altas o delay é perceptível e incomoda. Com o tempo, o motorista se acostuma e calcula melhor na hora de pressionar o pedal do acelerador.

O bom escalonamento das seis trocas em velocidade baixas, não se repete em velocidades de rodovia. O tempo mais longo entre uma troca e outra eleva o giro do motor, que consequentemente tem o som invandindo a cabine, além de prejudicar o consumo de combustível.

Versão esportivada

A sigla RS na Chevrolet costuma oferecer um visual e detalhes voltadas para esportividade. Claro, assim como a versão Premier, são 141 cv, mas longe dos rivais turbo:

  • Honda HR-V (177 cv)
  • Hyundai Creta Ultimate (193 cv)
  • VW T-Cross 1.4 TSI (150 cv)
  • Fiat Fastback Abarth (185 cv)

Outro item que falta para apimentar a direção é um modo sport ou até mesmo aletas atrás do volante para trocas manuais. Quem guia um Tracker recorre à alavanca do câmbio para trocas manuais.

Nada de saídas de ar para segunda fileira, nem mesmo nas versões mais caras. Entradas de carregamento do tipo USB em vez do tipo C, comum na maioria dos carregadores atualmente, não estão disponíveis para segunda fileira.

O freio traseiro a tambor não pesaria tanto contra, mas basta olhar o console central para ver a simplicidade do projeto. Enquanto rivais oferecem freio de estacionamento eletrônico, o Tracker ainda oferece o travamento por alavanca e o mesmo design da manopla de câmbio e ar-condicionado digital, que só tem uma zona de ajuste.

Um porta-malas de 393 litros não é de brilhar os olhos. O Renault Kardian, por exemplo, já oferece 410 litros.

Chevrolet Tracker RS 2026 – vale a pena comprar

Para quem prioriza tudo aquilo que envolve a dirigibilidade de um veículo, o Tracker não só continua uma boa opção, como conseguiu melhorar em alguns pontos necessários.

O problema é que para alguns consumidores ter só isso não é o bastante, principalmente quando o assunto é tecnologia. Adquirir uma versão de topo com o mesmo painel de instrumentos e central multimídia de modelos mais baratos dá uma percepção controversa de produto. Não se paga a mais para ter o mesmo.

A prova veio pouco tempo após o lançamento da linha 2026. A Chevrolet reajustou para menos os preços do Tracker. A chegada de Renault Boreal, promoções de Jeep Compass e crescente de Corolla Cross, mostraram que o Tracker precisa de mais que um reforço nos equipamentos e mudança visual.

Chevrolet Tracker RS 2026 – Ficha técnica

Motor: 1.2, dianteiro, transversal, três cilindros em linha, 12V, turbo, flex, injeção indireta

Taxa de compressão: 10,5:1

Potência: 139/141 cv (G/E) a 5.000 rpm

Torque: 22,4/22,9 kgfm (G/E) a 2.500 rpm

Câmbio: automático, 6 marchas

Tração: dianteira

0 a 100 km/h: 9,7 segundos

Velocidade máxima: 190 km/h

Consumo Inmetro:

  • Urbano: 11,2 km/l (gasolina) / 7,7 km/l (etanol)
  • Estrada: 14,1 km/l (gasolina) / 10 km/l (etanol)

Dimensões e capacidades: 4.304 mm comprimento, 2.570 mm entre-eixos, 1.791 mm largura, 1.624 mm altura, 393 litros de porta-malas, 44 litros do tanque de combustível, 1.265 kg de peso em ordem de marcha.

Dados técnicos: direção elétrica; suspensão McPherson (dianteira) e eixo de torção (traseira); freios a discos ventilados (dianteira) e tambores (traseira); diâmetro de giro, 10,8 m; coeficiente aerodinâmico não divulgado; vão livre do solo, 162 mm; ângulo de ataque, 18,3°; ângulo de saída, 27,7°; pneus 215/55 R17.

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Repórter

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Encontrou no jornalismo uma forma de aplicar o que mais gosta de fazer: aprender. Passou por Alesp, Band e IstoÉ, e hoje na Mobiauto escreve sobre carros, que é uma grande paixão. Como todo brasileiro, ainda dedica parte do tempo em samba e futebol.