Seguro parcial: o que é e quando vale contratar

Mudança na lei permite que consumidor retire serviços e reduza indenizações para baratear a apólice, mas será que isso é viável?
FV
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20.04.2022 às 09:59
Mudança na lei permite que consumidor retire serviços e reduza indenizações para baratear a apólice, mas será que isso é viável?

A Susep (Superintendência de Seguros Privados) aprovou, no segundo semestre de 2021, novas regras que flexibilizam a contratação de seguros para baratear as apólices e, consequentemente, aumentar o percentual de veículos cobertos por esse tipo de serviço no país – em 2019, apenas 16% dos automóveis possuíam seguro no Brasil.

A medida permite ao consumidor escolher, por exemplo, planos com cobertura parcial de partes do veículo, reparos com peças usadas e até mesmo reduzir a indenização em caso de acidente que resulte em perda total do carro. Mas será que vale a pena contratar esse tipo de seguro para economizar na apólice?

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Esse tipo de serviço, na verdade, não é algo novo no mercado de seguros no Brasil. Segundo Renato Pires, gerente de operações da Carsale Corretora e que atua há mais de 20 anos no setor, “o mercado sempre operou dessa forma em alguns momentos”.

Pires ainda explica que as seguradoras avaliam periodicamente a viabilidade desses planos, de acordo com o número de adesões e os custos das indenizações. “Se esse tipo de serviço tem poucas adesões, mas gera despesas consideradas altas, as seguradoras acabam deixando de oferecê-lo em determinado momento”.

Susep não explica riscos de coberturas alternativas

Embora a Susep tenha mostrado otimismo com o potencial aumento de coberturas de seguro para veículos, o órgão não deixou claro que essa flexibilização dos planos pode trazer riscos para o consumidor. “A Susep criou expectativa [sobre uma suposta queda nos preços das apólices], mas não explica a perda de qualidade do seguro”, pontua Pires.

De acordo com o gerente de operações da Carsale Corretora, a cobertura parcial induz o consumidor ao erro. “Imagine se um cliente sem histórico de acidentes durante vários anos decide fazer uma apólice que não cobre danos materiais e corporais e, num belo dia, se envolve em uma colisão com terceiros. Como ele vai arcar com o prejuízo? A situação se agrava se houver feridos, por exemplo. É um jogo de risco que o próprio cliente assume”, avalia Pires.

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Diferença de preços não é vantajosa para o consumidor

Para evitar problemas como o mencionado acima, as seguradoras preferem oferecer a cobertura tradicional com preços muito próximos das apólices parciais. “Geralmente a diferença de preços é pequena, o que acaba sendo mais vantajoso para o consumidor contratar uma cobertura total para o seu veículo”, segundo Pires.

“No mercado há diversos serviços alternativos - como seguro ligado ao CPF do segurado, seguro que pode ser ativado por aplicativo pelo cliente quando ele vai usar o carro, seguro que cobre somente acidentes ou furtos e roubos - mas o produto convencional é sempre o mais abrangente e com menor risco de dar alguma dor de cabeça ao consumidor, pois ele já engloba todas as coberturas básicas inerentes ao veículo, ocupantes e terceiros”, resume.

Consumidor tem de ficar atento ao valor das indenizações

O especialista destaca ainda que, na hora de fazer o seguro, o consumidor tem de ficar atento ao valor das indenizações corporais e materiais previstas na apólice, uma vez que existe o risco de a quantia contratada não ser suficiente para arcar com todas as despesas de um acidente.

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“Obviamente que quanto mais alta a indenização para ocupantes e terceiros, maior será o valor do seguro. Mas vale mais a pena pagar um pouco mais na parcela do que ter de pagar do próprio bolso uma diferença que não está coberta pelo seguro. Os carros atuais estão cada vez mais equipados e repletos de eletrônica, o que acaba elevando consideravelmente os valores de peças e reparos”.

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