Citroën Basalt recebe nota zero em segurança no Latin NCAP
O Citroën Basalt recebeu nota zero estrela nos testes de segurança do Latin NCAP, conforme relatório divulgado pela entidade nesta terça-feira (14). O resultado repete o desempenho do Citroën C3 Aircross, avaliado anteriormente com a mesma pontuação. Ambos pertencem ao grupo Stellantis, responsável também por marcas como Fiat, Jeep e RAM.
De acordo com o Latin NCAP, o Citroën Basalt apresentou estrutura instável no teste de colisão frontal. A entidade diz que o SUV cupê possui um reforço estrutural assimétrico, que não garantiu proteção adequada ao motorista e ofereceu ainda menos segurança ao passageiro. Outro ponto crítico foi o cinto de segurança, que falhou em tensionar corretamente durante o impacto, aumentando o risco de lesões no tórax.
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“A Stellantis continua tomando decisões que comprometem diretamente a segurança de quem viaja em seus veículos na América Latina”, afirmou Stephan Brodziak, presidente do Conselho de Administração do Latin NCAP. “Dez modelos testados desde 2020 — incluindo o Citroën Basalt, com estrutura instável, proteção lateral deficiente e sem ADAS — evidenciam padrões muito abaixo dos oferecidos em outras regiões”, completou.
Divulgação/Latin NCAP
Entre os fatores que contribuíram para a nota zero, estão a ausência de airbags de cortina e a falta de sistemas ADAS (tecnologias de assistência à condução, como frenagem autônoma de emergência). O modelo é equipado apenas com airbags frontais e laterais.
Apesar disso, o Basalt demonstrou bom desempenho em colisões laterais, além de proteção satisfatória para pés, pescoço e cabeça em impactos frontais.
Proteção infantil teve bons resultados
Divulgação/Latin NCAP
Nos testes com bonecos que simulam passageiros infantis, o Basalt obteve resultados positivos. O dummy que representa uma criança de três anos, posicionado de costas em uma cadeirinha com fixação Isofix e pé de apoio, manteve a cabeça protegida durante o impacto frontal. O desempenho foi ainda melhor com o boneco que simula uma criança de um ano e meio.
O relatório destacou que o veículo foi capaz de evitar movimentos excessivos da cabeça, embora tenha registrado leve desaceleração no tórax. No entanto, no teste lateral, o boneco de três anos bateu a cabeça em partes internas do carro, o que reduziu a nota geral. Outro ponto negativo foi a ausência de botão para desativar o airbag do passageiro, item essencial para o uso de cadeirinhas no banco dianteiro.
Histórico de notas baixas da Stellantis
A avaliação do Basalt reforça um histórico negativo recente da Stellantis nos testes de segurança do Latin NCAP. Desde 2020, dez modelos do grupo foram testados, e nenhum alcançou cinco estrelas. O último bom desempenho foi o da Fiat Toro, em 2018, ainda antes da criação do grupo, com quatro estrelas.
Confira as notas recentes da Stellantis:
- Peugeot 2008 (jun/2025): 1 estrela
- Citroën C3 Aircross (nov/2024): 0 estrela
- Fiat Pulse (dez/2023): 2 estrelas
- Citroën C3 (jul/2023): 0 estrela
- Jeep Renegade (jul/2023): 1 estrela
- Fiat Strada (out/2022): 1 estrela
- RAM 700 (out/2022): 1 estrela
- Fiat Argo e Cronos (dez/2021): 0 estrela
- Peugeot 208 (dez/2021): 2 estrelas
“É preocupante ver que fabricantes líderes, como alguns do grupo Stellantis, continuem oferecendo veículos com desempenho de segurança tão baixo, como se as vidas na América Latina e no Caribe não importassem tanto quanto as da Europa”, afirmou Alejandro Furas, secretário-geral do Latin NCAP.
Resposta da Stellantis
Em nota, a Stellantis afirmou que todos os seus veículos atendem às regulamentações nacionais e internacionais vigentes e passam por rigorosos testes de colisão no Safety Center de Betim (MG), considerado o mais moderno do hemisfério sul.
A empresa destacou que a segurança veicular é resultado de um projeto global, e não apenas da soma de itens de segurança ativa e passiva. Segundo o comunicado, o Citroën Basalt possui estrutura robusta, com aço de alta e ultra resistência e carroceria projetada para máxima proteção ao habitáculo.
A montadora também ressaltou que não financia nem patrocina as avaliações realizadas pelo Latin NCAP.
Por Guilherme Silva
