Avaliação: Honda CR-V ainda é um dos melhores SUVs do mercado

Modelo é um pouco maior que o Compass e entrega o conforto que se espera de um utilitário esportivo, mas custa caro e anda esquecido pelos brasileiros
Por Jornalista Convidado
14.12.2021 às 17h:00 • Att. há cerca de cerca de 1 mês
Modelo é um pouco maior que o Compass e entrega o conforto que se espera de um utilitário esportivo, mas custa caro e anda esquecido pelos brasileiros

Por Rodrigo Miele

Já que fizemos a provocação no título da reportagem... Seremos obrigados, logo de cara, a revelar a característica mais frustrante do Honda CR-V Touring: ele custa R$ 280.200. Tomara que você não desanime e prossiga na leitura desta avaliação.

Será bem interessante conhecer as boas, aliás, as ótimas virtudes desse SUV. Acompanhe conosco o porquê desse modelo, vendido no Brasil desde 2000, e que já foi um dos best sellers do segmento, ser tão pouco conhecido nesta nova versão, lançada no Brasil alguns meses atrás.

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A comparação com o Jeep Compass Limited T270 turboflex é válida. Se os preços podem separá-los em categorias diferentes, a verdade é que, em termos de porte, são modelos semelhantes e que disputam a preferência do consumidor que busca um SUV refinado tecnologicamente. 

Enquanto o CR-V possui motor 1.5 turbo a gasolina de 190 cv de potência e 24,5 kgfm de torque, o rival rende 185 cv e 27 kgfm extraídos de seu 1.3 turboflex – note que o motor do Jeep é ainda mais “torcudo”. 

São 4.631 mm de comprimento e 1.855 mm de largura no Honda, contra 4.404 mm e 1.819 mm, respectivamente, no Compass. Alguns poucos cavalos de potência e outros tantos centímetros a mais nas dimensões ratificam o embate.

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Refinamento tecnológico na construção

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Dito e justificado o porquê da crítica ao preço, vamos conhecer um dos SUVs mais agradáveis de utilizar do mercado brasileiro. Ele é dotado de diversos recursos de condução semiautônoma, denominados Honda Sensing, que, juntos a virtudes dinâmicas admiráveis, compõem um cenário desejado por qualquer cliente de SUV: transportar a família com conforto e segurança.

Para começar, o CR-V trabalha com tração permanente nas quatro rodas. “Ah, mas eu nunca vou andar na lama...” Não, não é só a isso que o sistema integral se presta. Ao andar no asfalto, com chuva, o simples fato de ter as quatro rodas tracionando, independentemente do controle eletrônico de estabilidade (chamado pela Honda de VSA, ou seja, o ESP que conhecemos de outras marcas), vai garantir uma aderência mais eficiente. 

Ele sempre será mais seguro nesse quesito do que os SUVs tradicionais de tração dianteira, caso do Compass T270 (e olha que este ainda possui o auxílio de um bloqueio eletrônico do diferencial).

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Outra particularidade construtiva admirável do CR-V consiste na construção refinada da suspensão independente nas quatro rodas (MacPherson na dianteira e Multilink na traseira). Por atuar em conjunto com a tração 4x4, a aderência e a estabilidade têm ótima performance. 

E o que você ganha com um carro estável e que traciona bem? Conforto! Muito conforto, decorrente de cargas macias de molas e amortecedores. Indo ao outro extremo para explicar esse conceito: um carro com suspensão arcaica precisa ter cargas duras no acerto de molas e amortecedores a fim de garantir uma estabilidade razoável. O CR-V é o contrário!

Para caprichar, os engenheiros da Honda ainda escolheram pneus aro 18 de perfil 60 (235/60 R18), que, por serem altos, permitem ótima flexibilidade. O resultado é digno de nota: o CR-V trafega por pisos irregulares de modo irretocável, transmitindo poucos solavancos para o interior do carro. 

Além disso, ele não inclina a carroceria em curvas de alta e possui um sistema de direção elétrica progressiva que enrijece corretamente o peso do volante em altas velocidades. 

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Honda Sensing, o sistema de condução semiautônoma

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Como o conforto ao rodar é uma de suas principais virtudes, dá para afirmar que o pacote de condução semiautônoma se torna inevitável no CR-V. Ele é silencioso, seguro nas curvas e sacode muito pouco... capaz até de dar sono. Agora, falando sério: ele é composto basicamente de quatro ingredientes: 

· O ACC (Adaptive Cruise Control) com LSF (Low Speed Follow) é o sistema que auxilia o motorista a manter uma distância segura em relação ao veículo detectado à sua frente.

· O CMBS (Collision Mitigation Braking System) aciona os freios ao identificar uma possível colisão frontal com o objetivo de mitigar acidentes.

· Já o LKAS (Lane Keeping Assist System) “lê” as faixas de rodagem na pista e emite alertas para auxiliar o motorista a manter o veículo centralizado na pista.

· Por fim, o RDM (Road Departure Mitigation System) é o sistema que entra em ação se o anterior não for suficiente: ele detecta a saída da pista e ajusta a direção.

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Mas o pacote de segurança vai muito além nesse novo CR-V: ele possui seis airbags, faróis em full-LED (com DRL), HSA (assistente de partida em rampa), Brake Hold, que mantém o carro freado até que se toque o acelerador, e o curioso Honda Lane Watch. Muito legal! 

Ao dar seta para a direita, a imagem de uma câmera posicionada no retrovisor e apontada pra trás aparece na tela multimídia. Na prática, você nem precisa direcionar o olhar para o espelho e se acostuma a usar a imagem disponível no painel. 

A única parte chata desse sistema é que, se você estiver dependendo de Waze ou Google Maps para saber em que via deve entrar durante a conversão, a imagem câmera vai se sobrepor à do mapa assim que você der a seta. 

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E não é que o CR-V, além de tudo, é bonitão?

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Você pode nunca ter visto o CR-V na sua vida, mas saberá que é ele quando passar à sua frente. E isso é admirável numa mudança de gerações – neste caso, esta versão surgiu nos Estados Unidos em 2019. 

O novo modelo herda traços de versões anteriores, assegurando a personalidade tradicional do SUV da Honda, sem, contudo, deixar de avançar para soluções mais modernas. 

A frente do carro pertence à identidade visual que você já viu em outros Honda atuais. A característica mais marcante é a grade do radiador demarcada por um filete cromado que se estende (e une) às lanternas. Frente alta, imponente, mas não quadrada (como um Renegade), e sim em forma de cunha.

Já a lateral e a traseira são as maiores responsáveis por remeter às gerações passadas, para preservar a identidade do projeto. Visto de lado, você logo percebe que se trata do velho e bom CR-V, em virtude de a coluna C ter a forma de um bumerangue. 

O mesmo se dá atrás, ponto alto desse SUV: os designers optaram por criar um conjunto ótico horizontal, mas tiveram competência em manter pequenos filetes verticais que lembram bastante os modelos anteriores. E lembra daquela régua cromada lá da grade dianteira? Para assinar o projeto final, ela se repete na tampa do porta-malas, unindo as lanternas.

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Mas como ele é por dentro?

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Chamam logo a atenção os apliques imitando madeira cravados no painel frontal, em uma clara alusão, ainda que antiquada para alguns, de que se trata de um veículo com aspirações de classe superior. 

Gostos à parte, o acabamento é muito caprichado. Essa impressão é ratificada por outros recursos, como o head-up display, que projeta a velocidade instantânea em uma pequena tela de acrílico sobre o arco do quadro de instrumentos. 

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Bem equipado em aparatos de conveniência, os destaques vão para um porta-trecos multifunção, com mais de um compartimento, inclusive bandeja retrátil. O ar-condicionado é dual zone e o volante ajustável na altura e na profundidade.

O novo CR-V vem ainda com um complexo computador de bordo, que projeta no quadro de instrumentos diversos dados, como quilometragem restante para a próxima revisão, dados de consumo e autonomia, localização por GPS ou emissora de rádio em uso. No console central, o modelo da Honda vem com multimídia de 7 polegadas com conectividade por Android Auto e Apple CarPlay, mas que exige cabo. 

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Há ainda carregador de celular por indução, duas portas USB na frente e mais duas atrás, teto solar panorâmico, conjunto de som que incorpora subwoofer, câmera de ré, sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, sensores de chuva e crepuscular. 

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Os bancos de couro em tom bege são aconchegantes e permitem ajustes elétricos nos dianteiros.  O porta-malas de 522 litros é amplo e confirma aquela tentativa de promover o CR-V a uma classe superior: a tampa é hands-free e se abre com um sensor. Você passa o pé por baixo do para-choque e a tampa se ergue eletricamente. Para fechá-la, basta um toque num botão.

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E anda, viu?

Esse motor 1.5 da Honda é bem interessante, apesar de só consumir gasolina. Equipado com injeção direta, variador de fase no comando e turbo, rende 190 cv e 24,5 kgfm de torque, entre 2.000 e 5.000 rpm – exatamente a faixa de rotações que você vai usar por quase todo o tempo. 

A 100 km/h, por exemplo, ele está girando nessa rotação inicial de torque máximo. Isto é, basta apertar com gosto o acelerador que a ultrapassagem pretendida será feita de forma imediata. Não é à toa que seu 0 a 100 km/h ocorre em menos de 9 segundos.

Ainda que muita gente implique com o câmbio CVT, que teoricamente tira a graça da condução, o fato concreto é que a transmissão do CR-V prima pela eficiência. Possui sete marchas programadas eletronicamente e borboletas para trocas atrás do volante. 

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O CR-V anda... e nem gasta muito. Equipado com start-stop, o CR-V faz médias convincentes, principalmente quando você se lembra de que é um carro com 1.629 kg e tração integral. 

Faz 11,4 km/l em percursos urbanos e 12,6 km/l em rodovias, segundo o Programa de Etiquetagem Veicular do Inmetro. Tem função ECON para ajudar o motorista a monitorar a forma de guiar economicamente.

Motor: 1.5, dianteiro, transversal, quatro cilindros em linha, 16V, turbo, gasolina, duplo comando variável de válvulas, injeção direta de combustível, taxa de compressão 10,6:1
Potência: 190 cv a 5.600 rpm
Torque: 24,5 kgfm de 2.000 a 5.000 rpm
Peso/potência: 8,6 kg/cv
Peso/torque: 66,5 kg/kgfm
Câmbio: automático, CVT, 7 marchas virtuais
Tração: integral
0 a 100 km/h: 8,9 segundos
Velocidade máxima: 200 km/h

Dados técnicos: direção elétrica progressiva; suspensões McPherson (dianteira) e Multilink (traseira); freios a discos ventilados (dianteira) e discos sólidos (traseira); diâmetro de giro, 10,6 m; Cx não divulgado; vão livre do solo, 177 mm; ângulo de ataque, 20,1°; ângulo central não divulgado; ângulo de saída 29,7°; carga útil 420 kg, pneus 215/55 R17

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Ele é muito legal, mas...

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Manopla de câmbio barulhenta: pode parecer chatice, pois um câmbio automático não precisaria ter engates suaves como um câmbio manual, certo? Errado. Os poucos movimentos que você fará na alavanca do CR-V vão destoar do restante do carro. São engates pesados e barulhentos.

Muitos pontos cegos: O design vive eternamente com o dilema “forma ou função”. Forma faz parecer bonito. Função prima pela eficiência. Eis que chegamos aos retrovisores do CR-V: forma, total forma. 

Estranhamente, eles têm o lado interno em forma de seta, enquanto quase todos os outros carros do mundo (Toyota Corolla e Renault Duster são exceções que confirmam regra) possuem um recorte reto. 

E o que esse formato causa? Ele cria pontos cegos caso você regule o espelho como está acostumado, ou seja, enxergando uma pequena porção da carroceria. Se preferir eliminá-los, cerca de 20% da área do espelho serão ocupadas pela lateral do carro.

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Central multimídia: Um carro dessa categoria já mereceria uma central multimídia bem maior, mais veloz e com gráficos de melhor resolução do que entrega a atual tela de 7 polegadas do CR-V. Para quem flagra modelos de 10” ou mais, em carros que custam menos da metade do seu preço, este é, sim, um vacilo da Honda.

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Cadê o motor híbrido? Seu rival mais direto no mercado, o Toyota RAV4, é híbrido. Seu irmão de showroom, o Accord, é híbrido. O Lexus UX250h também. Fica a dica: veículos nessa faixa de preços, caso não pertençam a marcas tradicionalmente premium (Audi, BMW, Mercedes, Volvo etc), devem oferecer “algo a mais”.

No caso do CR-V, o motor híbrido só deve chegar em 2023, com uma nova geração do SUV. Será um dos três modelos híbridos que a marca promete lançar no Brasil, junto do recém-chegado Accord e do novo Civic importado – com quem, aliás, o SUV deve compartilhar a peculiar motorização sem caixa de câmbio.

Vale a pena comprar o Honda CR-V Touring?

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Vale. Mas batalhe por um significativo desconto. Convém lembrar: o Jeep Compass é inferior ao CR-V em diversos aspectos, mas sempre por uma margem minúscula. E os R$ 90 mil que os separam é uma diferença bem maiúscula.

Imagens externas: Rodrigo Miele/Mobiauto
Imagens internas: Divulgação/Honda
Arte Placas: Kleber Silva/Mobiauto

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