Audi A6 e-tron impressiona, mas tem um desafio grande no Brasil
Carro mais aerodinâmico da história da marca, 445 km de autonomia, muita tecnologia e o primeiro elétrico de tração traseira. O novo Audi A6 e-tron chega ao Brasil com credenciais interessantes, mas também com um desafio gigante: é um sedã, elétrico, premium e com preço de R$ 650 mil da única versão oferecida.
Não que os rivais sejam mais baratos. Muito pelo contrário, diga-se. Mas com a escalada dos SUVs, os sedãs foram renegados - ainda mais entre os elétricos. Difícil ver pelas ruas brasileiras os concorrentes do A6 e-tron, como BMW i5 (perto dos R$ 800 mil, mas com 600 cv), Mercedes-Benz EQE (mesmo valor e menos potente) ou até o Porsche Taycan (parte de R$ 820 mil e tem 408 cv).
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Falando em potência, o Audi traz 367 cv e 57,6 kgfm de torque. Números razoáveis para movimentar o sedã de 4,92 metros de comprimento e 2,94 m de entre-eixos. O 0 a 100 km/h fica em 5,4 segundos e a velocidade máxima é limitada eletronicamente a 210 km/h.
A marca talvez tenha privilegiado a autonomia. São 445 km na rígida medição do Inmetro (lá fora passa dos 600 km). O A6 e-tron ainda é construído sobre a moderna plataforma Premium Platform Electric (PPE) do Grupo Volkswagen, que também serve de base para o Q6 e-tron e o Porsche Macan EV. A arquitetura de 800V permite que a bateria de 100 kWh seja carregada em até 270 kW em corrente contínua (DC). Segundo a Audi, nessa capacidade são apenas 21 minutos para ir de 10% a 80%. Já em alternada (AC), a máxima é de 11 kW.
O primeiro contato com o A6 e-tron foi breve e a maior parte em trecho de rodovia. Mesmo assim deu para resumir em uma palavra: conforto. A qualidade no rodar é impecável tanto em termos de suspensão quanto de direção. Os dois ajustes entregam comodidade para viagens longas, mas ao mesmo tempo uma boa estabilidade em velocidades mais altas.
O sedã flana pelo ótimo pavimento das estradas do interior paulista e não ‘reclama’ quando surge algum desnível ou parte do asfalto ruim. O isolamento acústico também é bom e há pouco ruído proveniente do vento e dos pneus.
Na cidade, talvez a combinação de um carro mais perto do chão, rodas grandes (aro 21) e pneus de perfil baixo (245/40 na dianteira e 275/35 na traseira) não seja a ideal.
Já a potência e o torque não são entregues de forma explosiva no modo de condução normal. É rápida, mas gradual, o suficiente para, quando apertar o acelerador com mais ênfase, o sedã de quase 5 m fazer ultrapassagens sem maiores problemas.
Outro aspecto que chama atenção é quanto o carro percorre ou rola mesmo sem estar pressionando o acelerador. Com o freio motor e regeneração de energia desligados ou no modo menos intrusivo possível, o Audi consegue manter uma velocidade de cruzeiro interessante.
Três telas
No trajeto curto só deu tempo de contemplar a beleza deste Audi. Imponente, o A6 e-tron ainda é estiloso com a caída acentuada do teto - inerente aos cupês - e com o conjunto de luzes em dois níveis: em cima a assinatura DRL com oito possíveis configurações dos pixels e, embaixo, os faróis de posição de Matrix LED. Tudo envolto em um grande para-choque com acabamento preto brilhante (com entradas de ar nas extremidades) e a grade fechada.
Atrás, no entanto, está a parte mais bonita, principalmente pelo logotipo iluminado - o primeiro de um Audi no Brasil - e as lanternas finas e interligadas. Não é um desenho cheio de recortes ou muito rebuscado. É simples e elegante.
Dentro, o acabamento sóbrio se mistura à tecnologia. A unidade testada estava com um simples acabamento preto, o que talvez não condiz com a etiqueta de preço de R$ 650 mil. Mas há materiais e texturas suaves ao toque, em preto brilhante e acinzentados.
Já as três telas conferem um aspecto high tech. A primeira é a do painel de instrumentos digital com tela de 11,9 polegadas.Talvez até tenha informações até demais, porém é completo e com interface moderna. Integrado ao Virtual Cockpit está o multimídia, maior, de 14,9” que abrange quase todas as funções do carro. Basta uns minutos para se acostumar e achar o ajuste necessário.
A última, de 10,9”, é para o passageiro controlar a música, ver informações e até o GPS. Ela traz o recurso de privacidade que, quando em movimento, o motorista não consegue enxergar o que está no visor.
Já um exagero tecnológico é o retrovisor digital - oferecido como um opcional de R$ 20 mil. Apesar de ser uma evolução do primeiro que surgiu no SUV e-tron, ainda é difícil se adaptar, especialmente ao fazer manobras. É por causa dele e, claro, também da anatomia do carro que é possível chegar ao coeficiente aerodinâmico de 0,21, o melhor da história da Audi. Isso quer dizer que o A6 e-tron lida de forma excelente com o fluxo de ar e, consequentemente, há um reflexo na autonomia.
Em termos de equipamentos, o A6 é bem completo, com seis airbags e diversas tecnologias de segurança semiautônomas, além de teto solar panorâmico e fotocrômico com ajuste de entrada de luz na cabine, câmera 360º e head-up display.
A situação da marca alemã no Brasil não é fácil. Em 2025, por exemplo, vendeu menos de 3 mil carros em 2025 por aqui e está atrás até da Porsche. O A6 e-tron não deve mudar o panorama da Audi por aqui, mas a renovação do portfólio mostra que há potencial para buscar dias melhores.
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Por Raphael Panaro
