Novo Renault Boreal surpreende e isso é bom para Niágara e Duster
A Renault mudou, e seus carros agora fazem qualquer um "quebrar o pescoço" nas ruas. No lançamento do Kardian já havia sido assim, mas o Boreal veio para selar isso.
Ambos os modelos são construídos sobre a base RGMP, uma evolução da CMF-B europeia, e isso os entrega mais robustez. Deixando o Kardian de lado para falar de Boreal, temos aqui uma receita que impressiona.
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Falado em números, os ingredientes da receita são:
- R$ 214.990
- Comprimento: 4,56m
- Entre-eixos: 2,70 m
- Porta-malas: 522 l
- Motor: 1.3 turbo flex
- Potência: 163 cv
- Torque: 27,5 kgfm
- Câmbio: automatizado, dupla embreagem, de seis marchas
- Pacote ADAS
- Multimídia: 10 polegadas
- Painel de instrumentos: 10 polegadas
Renan Bandeira/Mobiauto
Como todo bom cozinheiro - principalmente os de YouTube, como eu - sabem que apenas ter ingredientes não garante que o produto, no caso, um doce ou salgado, ficará bom. Tem que ter a mão do "chefe", e é ele que vai saber aplicar as doses corretas de diversos itens para chegar ao melhor produto final.
A Renault fez isso. E o Boreal estreou neste ano com uma boa receita para fazer sucesso. Deixando os prêmios recebidos de lado, Mobiauto está em período de testes com o veículo, que mais tarde terá consumo real divulgado por aqui, e tem se impressionado com o que o SUV médio entrega e o que ele gera nos brasileiros.
"Nossa, que carro é esse"; "Que carro bonito é esse aí"; "Esse que é o Boreal?!"... foram algumas das falas ouvidas todas as vezes que me aproximava do Renault Boreal em algum estacionamento. Nas ruas, são diversos motociclistas e motoristas que passam pelo carro e dão uma "olhadinha" pelo retrovisor para entender do que se trata.
Renan Bandeira/Mobiauto
Isso é o retrato do novo design da Renault. Um pouco mais disruptivo do que estamos acostumados a ver nas linhas da marca, e que transpassa sofisticação e tecnologia. É olhar para o Boreal que já se entende que estamos diante de um carro 2026.
E aqui cabe um outro parênteses. Talvez seja a marca tradicional no Brasil que encontrou a melhor receita contra as fabricantes chinesas. Afinal, a premissa de entregar um SUV de medidas avantajadas, com design moderno, acabamento sofisticado e preço comedido é a mesma.
E como é o Boreal
Voltando a falar de Boreal. A assinatura luminosa dianteira é bem diferente e dá bastante personalidade ao SUV, que foge do genérico vindo do mercado chinês, enquanto a traseira também ignora a comum régua de LED que faz as lanternas virarem uma peça única. Até a lateral te um detalhe interessante, que é a abertura das portas traseiras na coluna C.
As boas soluções não ficaram apenas para o lado de fora. Internamente, a mescla de materiais de acabamento deixam a cabine bonita. Partes macias ao toque estão nos painéis de porta e frontal. Peças luminosas internas não deixam esquecer que estamos diante de um Renault, e a dupla de telas fazem um bom trabalho.
Renan Bandeira/Mobiauto
O painel de instrumentos tem layout que lembra o dos BMW, e oferece um computador de bordo completo. A multimídia está ao lado e tem 10 polegadas, assim como o cluster. Conecta celulares sem fio, e já tem de série o sistema Android nativo, ou seja, o GPS da tela é o Google Maps. Ainda é possível baixar aplicativos como Spotify e YouTube. Lembrando que isso vale para a versão Iconic, em testes, já que a opção de entrada oferece lista de equipamentos diferente.
Alto-falantes da Harman Kardon deixam a experiência de áudio boa na cabine. E falando em tecnologia, não podemos esquecer do sistema ADAS oferecido, com até 24 itens de assistências, e que se destaca pelo controle de velocidade adaptativo, frenagem automática de emergência, alerta de ponto cego, alerta e correção de saída de faixa e um dos mais úteis, que é a sinalização lateral para evitar que motorista ou passageiro abra a porta enquanto outro veiculo esteja passando.
Renan Bandeira/Mobiauto
Mas é no dia a dia que o modelo mais surpreende. As suspensões são bem calibradas - o fato de o veículo estar vazio, sem peso na porção de trás, deixa a suspensão com mais rebote e uns trancos, é verdade - e somando a espuma dos bancos, garantem um bom conforto para rodar, principalmente quando o carro está com mais de dois ocupantes e algumas coisas no porta-malas.
O fato das suspensões terem uma calibração mais rígida faz o Boreal ter menos inclinação de carroceria nas curvas, comum em SUVs com essas medidas. Isso passa mais segurança, e eu prefiro ter isso e uma dureza um pouco maior ao passar em lombadas e valetas do que uma carroceria pendendo mais em curvas.
As assistências de condução são suaves, o que é um ponto positivo. Não sendo muito intrusivas, deixam a relação carro-motorista harmoniosa. A assistência elétrica do volante ajuda nas manobras diárias, e tem outro ponto de facilidade que é o sistema eletrônico no retrovisor direito que baixa o espelho para visualização da guia - conhecido como tilt-down.
Manobrar o Boreal é tarefa fácil, se encaixar nele também. Os bancos têm ajustes elétricos para quem vai na primeira fila de bancos, e o motorista conta com memória - sempre que ajusta o banco, a multimídia exibe uma mensagem perguntando se deseja gravar a nova posição. Além disso, é um carro espaçoso, com boa medida para joelhos, ombros e cabeça dos ocupantes. Sem falar do porta-malas de 522 litros.
Renan Bandeira/Mobiauto
Pecou no pedal do acelerador. O Boreal demora alguns segundos para responder após ter aceleração acionada. Acredito que a calibração do pedal seja para reduzir emissões, algo que tem se tornado comum na indústria. Depois que dá o "start", o SUV vai bem, tem boa resposta e uma boa retomada de velocidade.
Ainda que o motor 1.3 turbo entregue 163 cv de potência e 27,5 kgfm de torque, que não são mais números tão vantajosos após a chegada dos chineses ao Brasil, na prática, o Boreal não fica devendo no quesito agilidade. E isso acontece principalmente por causa do câmbio automatizado de seis marchas. O bom trabalho do conjunto de dupla embreagem faz o Boreal ser mais esperto, e ainda suaviza a dirigibilidade, sem trancos nas trocas.
Niágara e Duster vão se dar bem
E tudo isso é um bom sinal do que veremos de Renault nos próximos anos. Para o Boreal, a novidade em 2026 deve ser uma versão híbrida, que trabalhará de forma combinada com o motor 1.3 turbo flex.
Niágara também foi confirmada, será posicionada acima da Oroch no Brasil, e deve manter o mesmo nome de projeto no produto final. E outro produto que devemos ver por aqui é a nova geração do Duster, que roda em testes no Brasil e que ainda não foi oficialmente confirmada.
Renan Bandeira/Mobiauto
Para os casos de Niágara e novo Duster, o Boreal traz boas notícias. A plataforma RGMP é robusta e garante bom espaço interno, além de uma qualidade estrutural interessante. O SUV ainda mostrou que os novos carros produzidos sobre essa estrutura podem ter também custo-benefício, e esse pode ser o "pulo do gato" para que SUV e picape façam sucesso o Brasil.
E após os últimos com o Boreal, sobem as expectativas para esses veículos, já que podemos esperar por boa dirigibilidade, bom espaço interno e pacote de itens de série robusto. Quando falamos da cabine, temos dupla de telas de 10 polegadas, carregador por indução, ajuste elétrico dos bancos e teto solar panorâmico e elétrico. Mas ainda há o pacote ADAS já citado mais acima.
A receita do Boreal veio bem dosada. Resta saber agora se a Renault saberá a medida certa de cada ingrediente para dar a forma correta para Duster e Niágara.
Por Renan Bandeira
Gerente de conteúdo
Formado em mecânica pelo Senai e jornalismo pela Metodista, está no setor há 5 anos. Tem passagens por Quatro Rodas e Autoesporte, e já conquistou três prêmios SAE Brasil de Jornalismo. Na garagem, um Gol 1993 é seu xodó.
