Caminhão elétrico da JAC leva carga sem poluir a cidade, mas cobra caro

Veículo tem proposta interessante para uso urbano, mas peca pelo valor alto.
Por Renan Bandeira
22.10.2020 às 19h:17 • Att. há cerca de 1 mês
Veículo tem proposta interessante para uso urbano, mas peca pelo valor alto.

 A JAC Motors tem anunciado desde o ano passado a renovação de sua linha de veículos com foco em uma gama 100% elétrica. Neste ano, a marca iniciou a ofensiva em produtos sustentáveis para a área comercial.

Um dos frutos é a iEV330P, primeira picape 100% elétrica de porte médio fabricada em série. Por R$ 289.990, o modelo - que já foi avaliado por Mobiauto - chegou ao Brasil para brigar com Ford Ranger, Toyota Hilux, Chevrolet S10 e Volkswagen Amarok, com proposta direcionada ao trabalho.

O outro é o iEV1200T, caminhão 100% elétrico da marca chinesa que busca brigar no mercado de caminhões pequenos que circulam em perímetro urbano. De acordo com a empresa, já foram comercializadas 100 unidades do veículo, que é testado por empresas como Enel, Porto Seguro, etc.

Por aqui, a novidade enfrentará a concorrência do Volkswagen Delivery nas versões diesel e elétrica. Esse último passou a ser montado na fábrica de Resende (RJ), mas ainda não tem data para definida para compor o catálogo da marca nem valor sugerido para venda.

Veículo tem proposta interessante para uso urbano, mas valor alto devido à sua importação prejudica o custo-benefício

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Para ter uma base do tamanho e das especificações técnicas do novo veículo da JAC, vamos usar como referência o já conhecido VW Delivery 9.170, que circula pelas cidades realizando entregas em estabelecimentos e que conta com capacidade de carga parecida com a do rival chinês.

  • Jac iEV1200T: 5.995 mm de comprimento; 2.160 mm de largura; 2.323 mm de altura; 3.365 mm de entre-eixos; 228 mm de altura livre do solo.
  • VW Delivery 9.170: 6.295 mm de comprimento; 2.685 mm de largura; 2.440 mm de altura; 3.400 mm de entre-eixos; 166 mm de altura livre do solo.

Como podemos ver, o JAC tem dimensões um pouco menores que o Volkswagen. Além disso, é mais leve e tem menor capacidade de carga. Seu PBT (Peso Bruto Total) é de 7,5 toneladas, e a capacidade máxima de carga chega a 4 toneladas. Comparando, Delivery a diesel possui 8,5 toneladas de PBT e 6,5 toneladas de capacidade de carga.

Durante o teste, o caminhão mostrou versatilidade devido ao seu tamanho reduzido. Além disso, o conjunto de espelhos retrovisores externos, aliado ao sensor sonoro de estacionamento e à câmera de ré, facilita as manobras em perímetro urbano. O campo de visão amplo dá uma posição mais confortável para o condutor realizar baliza em espaços reduzidos - melhor do que em alguns veículos leves, por exemplo.

Veículo tem proposta interessante para uso urbano, mas valor alto devido à sua importação prejudica o custo-benefício

O conjunto motriz é composto por um motor elétrico de 177 cv e 122,4 kgfm de torque aliado ao câmbio automático de apenas uma marcha. O pacote de baterias de ferro lítio de 97 kWh gera uma autonomia de 200 km em ciclo NEDC (menos rigoroso do que o WLTP).

De acordo com o presidente do grupo SHC, representante oficial da JAC no Brasil, Sergio Habib, a autonomia é ideal para as empresas que realizam entregas em perímetro urbano, já que seus caminhões que rodam em média até 80 km por dia. Além disso, segundo ele, o aumento da autonomia dos elétricos é proporcional ao aumento de preços, ou seja, quanto maior a autonomia de um elétrico, maior seu preço.

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A recarga elétrica pode ser feita de duas formas: tomadas convencionais de 220V ou trifásicas de 380V. No primeiro caso, o caminhão demora cerca de 12 horas para concluir a carga, enquanto em tomadas trifásicas as baterias enchem em duas horas.

Veículo tem proposta interessante para uso urbano, mas valor alto devido à sua importação prejudica o custo-benefício

Ainda, a fim de melhorar o rendimento da bateria - aumentando a autonomia e regeneração da carga elétrica -, o modo ECO limita o veículo à máxima de 60 km/h. Quando esse modo não está acionado, o caminhão pode chegar a um limite máximo de velocidade de 90 km/h.

O motor elétrico responde bem às situações comuns do perímetro urbano. Por ser automático e equipado com um motor que responde imediatamente com o máximo de torque, as partidas em aclive, por exemplo, são fáceis de serem realizadas.

E, embora tenha uma velocidade máxima considerada baixa, é suficiente para trafegar nas cidades, uma vez que as vias das avenidas principais possuem em média um limite de 60 km/h, com as mais rápidas no limite de 80 km/h para veículos pesados.

A potência do caminhão pode parecer baixa por haver picapes médias de motor diesel com mais cavalos. No entanto, em comparação com o Volkswagen Delivery, percebe-se que o JAC está alinhado com a proposta do mercado.

O motor elétrico JAC entrega 12 cv a mais e tem o dobro de torque do modelo 9.170, que é equipado com motor diesel de 165 cv e 61,2 kgfm de torque.

O ponto desfavorável ao iEV1200T é seu valor elevado. Ele oferece o dobro de torque, mas leva menos carga e ainda custa mais que o dobro da versão diesel do VW Delivery: são R$ 349.990 contra R$ 163.255 do rival.

Por esse preço, o grupo SHC promete uma redução significativa nos custos com manutenção, troca de peças e combustível, que, nas contas dá uma relação custo/benefício favorável aos comerciantes.

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Neste caso, Mobiauto realizou o cálculo para saber quanto tempo o veículo demoraria para “pagar” a diferença de investimento entre os modelos citados acima analisando apenas o uso de combustível.

De acordo com a JAC, o caminhão tem um custo de R$ 25 a cada 100 km rodados. Adotando R$ 3,20 como preço médio do litro do diesel, um caminhão equivalente movido com o combustível derivado do petróleo teria um gasto de R$ 53 a cada 100 km fazendo uma média de 6 km/l.

Dessa forma, levando em consideração os dados de consumo fornecidos pela fabricante chinesa, o caminhão elétrico teria de rodar pouco mais de 660.000 km para repor a diferença de valores com a economia de diesel.

Caso seja levado em consideração os valores de manutenção e das revisões - que não são nada baratas - em veículos com motor ciclo Diesel, a diferença pode ser paga em menos quilômetros. Mas, de qualquer forma a rodagem será elevada.

Veículo tem proposta interessante para uso urbano, mas valor alto devido à sua importação prejudica o custo-benefício

Além disso, o alto valor do chinês não garante um acabamento mais refinado. O painel em plástico rígido não possui nenhuma superfície macia ao toque e os três assentos são fabricado em um tecido básico. 

A central multimídia é mais interessante que a apresentada na picape iEV330P, e é compatível com Android Auto e Apple CarPlay. Porém, está configurada com software chinês, então é importante treinar o mandarim antes de mexer nela.

Ao que tudo indica, uma versão traduzida deve equipar as novas unidades do caminhão.

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Compensa realizar esse investimento?

Para um trabalho específico talvez sim, mas de maneira geral talvez seja melhor esperar novas opções. A iniciativa da JAC é importante para que as demais empresas do mercado passem a se dedicar à produção de veículos comerciais sustentáveis.

Embora tenha um motor eficiente, o retorno frente ao motor diesel ainda é demorado devido ao valor elevado. E, levando em consideração que veículos comerciais urbanos têm baixa rodagem, as empresas levariam anos para contar com o retorno da diferença de valores.

Claro, o meio ambiente tem de ser levado em consideração, principalmente pelo fato do diesel ser um combustível com alto teor de poluição. Por isso é importante esperar novas por novas opções no mercado.

Uma delas é o e-Delivery da Volkswagen, um caminhão de porte pequeno que também é 100% elétrico, e que deve completar o catálogo da marca alemã em breve.

O veículo é 5 cm mais comprido, 6,5 cm mais largo, 5,3 cm mais alto e tem entre-eixos 10 cm menor que o JAC. O motor elétrico de uma marcha tem 245 cv e 21,2 kgfm de torque.

Veículo tem proposta interessante para uso urbano, mas valor alto devido à sua importação prejudica o custo-benefício

Esse conjunto promete carregar 7,5 toneladas de carga, e o caminhão terá autonomia de 200 km, assim como o JAC.

A proposta é a mesma que a do JAC, mas o veículo pode ter um preço mais competitivo, sendo maior e levando quase o dobro de carga que o chinês. Sua montagem local na planta de Resende (RJ) ajudará o veículo a se posicionar melhor no mercado. Situação desfavorável ao JAC, importado, especialmente no atual cenário da cotação do real frente ao dólar.

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Questionado sobre uma possível montagem no Brasil, Sergio Habib, afirmou ser inviável, já que é proibido importar baterias por avião e existe limite máximo de quantidade para transporte em container de navio. Isso porque o material tem alto risco de autocombustão.

Com isso, é mais viável que o conjunto de baterias seja transportado instalado nos veículos. Ou seja, a picape iEV330P e o caminhão iEV1200T seguirão sendo totalmente importados, dificultando a adequação de seu preço ao mercado e fechando mais possibilidades de negócio por aqui.

O caminhão se torna realmente interessante aos motoristas que buscam comodidade e redução de ruído, afinal, só o painel de instrumentos do veículo é capaz de entregar que ele está ligado, tamanho o silêncio dentro da cabine.

Essa ausência de sons demanda atenção redobrada do motorista. Sem fazer barulho, o veículo surpreende pedestres e até outros condutores nas ruas. Ou seja, o risco de acidentes pode aumentar caso o condutor não esteja atento à via e aos pedestres imprudentes que realizam travessias fora de faixa.

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