Avaliação: Nissan Kicks tenta se renovar ao máximo mudando o mínimo

SUV ganha tapa no visual, novas tecnologias e suspensão refinada, mas mantém acabamento e velho motor 1.6
Por Renan Bandeira
25.02.2021 às 22h:18 • Att. há cerca de 2 meses
SUV ganha tapa no visual, novas tecnologias e suspensão refinada, mas mantém acabamento e velho motor 1.6

A linha 2022 do Nissan Kicks já tem prazo para chegar às concessionárias: segunda quinzena de março. Ainda vai levar um tempinho para ver o modelo nas ruas, mas a reportagem da Mobiauto testou o renovado SUV japonês em evento para jornalistas, e conta todas as novidades para matar a curiosidade.

O SUV estreou no mercado nacional em 2016, e é o veículo da Nissan de maior sucesso por aqui, com quase 200 mil unidades emplacadas, além de ser o mais vendido pela marca na América do Sul e o mais exportado até o momento.

Para manter o desempenho das vendas, a Nissan promoveu uma reestilização de meia vida concentrada na parte externa, com novas soluções visuais nos balanços traseiro e dianteiro. Este último ganhou conjunto óptico totalmente novo. Mas vamos falar disso mais adiante.

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SUV ganha tapa no visual, novas tecnologias e suspensão refinada, mas mantém acabamento e velho motor 1.6

Serão três versões: as atuais S (de entrada), SV (intermediária) e SL (de topo) passam a responder por Sense, Advance e Exclusive, respectivamente, igual ao visto na atual geração do Versa, como antecipou Mobiauto.

Testamos a versão mais completa, Exclusive, de R$ 116.390. Ela estava equipada com Pack Tech, que deixa a configuração ainda mais completa. Os itens do pacote estão detalhados no fim deste texto.

O Kicks 2022 segue equipado com o mesmo motor de antes, o já conhecido quatro-cilindros 1.6 aspirado flex de 114 cv e 15,5 kgfm, seja abastecido com etanol ou gasolina. Ele é gerenciado pela caixa automática do tipo CVT com função Sport, que ainda não tem simulação de marcha. 

Assim como na linha atual, o propulsor é o mesmo para todas as versões, e a caixa manual fica disponível só para a versão de entrada, Sense - veja detalhes de cada versão clicando aqui. Mas voltemos a falar da Exclusive, que é o tema da nossa avaliação.

Novo visual

SUV ganha tapa no visual, novas tecnologias e suspensão refinada, mas mantém acabamento e velho motor 1.6

Antes de iniciar os testes, a cor já chamava atenção, mesmo que à distância. Como podemos ser nas imagens exclusivas, o Azul Elétrico com teto preto deixa o SUV mais esportivo e agrada aos olhos. 

Uma pena que a combinação esteja disponível apenas na versão mais cara, que também terá a exclusividade das combinações Branco Diamond ou Vermelho Malbec com teto preto.

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Paleta de cores: Prata Classic, Cinza Grafite, Preto Premium, Vermelho Malbec, Azul Elétrico e Branco Diamond estão disponíveis para todas as versões. As combinações de branco, vermelho ou azul com teto preto podem ser vistas só na Exclusive.

Embora a cor chame atenção, o protagonista do facelift é o balanço dianteiro. Os faróis estão mais afilados, têm novo desenho interno e se integram à grade. Nesta versão, são full-LED com luzes de posição integradas. 

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A grade, por sua vez, será maior que a atual e abandonará a barra trapezoidal interna (que podia ser cromada ou em preto brilhante) por um contorno externo, mais largo e sempre em black piano, que vai da linha do capô até a tomada de ar inferior do pára-choque.

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Ainda na dianteira, os faróis de neblina também são de LED (em todas as versões) e têm novo alojamento, seguindo a nova tendência de design. Agora, a caixa é pentagonal, com desenho parecido com o visto no Volkswagen Nivus, e caracterizada pelos fortes vincos.

SUV ganha tapa no visual, novas tecnologias e suspensão refinada, mas mantém acabamento e velho motor 1.6

Na traseira, o pára-choque foi retocado e tem detalhes na cor da carroceria. As lanternas mantiveram o desenho, mas terão novo jogo interno de iluminação em LED e uma faixa horizontal refletora (sem luzes funcionais) que integra o emblema da marca e cruza toda a traseira, interligando os conjuntos.

Na lateral, a Nissan manteve o aplique preto na coluna C para o teto parecer flutuante, como nas linhas anteriores. Além disso, o SUV segue oferecendo barras longitudinais na cor prata, que ornam com os demais detalhes de mesma cor na carroceria. 

Destaque para o novo desenho das rodas de 17 polegadas, que poderão ser vistas também na versão intermediária Advance.

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Desempenho e dirigibilidade

Na pista, o desempenho não é tão arrojado quanto o visual mostra. As retomadas de velocidade, por exemplo, são lentas, e o motor 1.6 até se esforça e sobe o giro para entregar todo o torque e potência em uma condução mais esportiva, mas o progresso do marcador do velocímetro é lento, e aponta a verdadeira proposta do modelo.

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Motor: quatro-cilindros,1.6 16V, flex, naturalmente aspirado, dianteiro, transversal, 114 cv (a 5.600 rpm) e 15,5 kgfm (a 4.000 rpm). Câmbio: automático CVT, tração dianteira. 0 a 100 km/h: 11,8 segundos, velocidade máxima de 173 km/h.

SUV ganha tapa no visual, novas tecnologias e suspensão refinada, mas mantém acabamento e velho motor 1.6

Faz falta ao Kicks um propulsor com melhor desempenho (que só deve chegar em 2022, com a versão híbrida e-Power). Porém, para quem busca um SUV para rodar na cidade, e que preze por menor consumo de combustível e uma direção mais tranquila, o Kicks é a pedida certa. 

Nestes quesitos, ele cumpre bem a proposta, já que tem o menor peso da categoria (são menos de 1.150 kg, muito pouco para um SUV) e um ótimo coeficiente de arrasto, que fazem o motor se esforçar menos para mover o veículo. Junte a isso o câmbio CVT e temos um bom nível de consumo de combustível para o segmento.

Consumo: 7,6 km/l (cidade) e 9,3 km/l (estrada) com etanol; 11,3 km/l e 13,6 km/l, respectivamente, com gasolina.

O ponto positivo da renovação fica na dirigibilidade. A boa posição de dirigir e o amplo campo de visão foram mantidos, enquanto a suspensão foi refinada e ficou mais rígida e com maior curso (uma das características mais incômodas do antecessor). Com isso, o SUV responde bem ao fazer curvas ou desviar de obstáculos, sem proporcionar pancadas tão secas. 

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Segundo a marca, a melhoria é decorrente de novos pontos de fixação do conjunto na carroceria, além da ajuda dos novos pneus Bridgestone Turanza T005, de maior coeficiente de atrito, que garante mais aderência nas curvas e na frenagem.

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Dados técnicos: direção elétrica; freios dianteiros por discos ventilados e traseiros por tambor; suspensão dianteira McPherson e traseira por eixo de torção; diâmetro de giro, 10,2 m; coeficiente aerodinâmico, 0,345 Cx.

A condução é auxiliada pelos sistemas inteligentes de segurança. O alerta de ponto cego, por exemplo, fica posicionado estrategicamente na coluna A na direção do retrovisor, o que facilita a visualização, já que fica no campo de visão do motorista ao dar aquela olhadinha no retrovisor antes de mudar de faixa. Ele tem três níveis de intensidade da luz.

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Outro importante auxílio é o alerta de troca repentina de faixa. Durante a avaliação, simulamos uma invasão de faixa e o veículo acendeu prontamente a luz no painel indicando qual lado estava escapando, além de vibrar o volante para chamar a atenção do condutor. Mas atenção: ele não corrige autonomamente o curso. Ainda cabe ao condutor fazê-lo.

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O bom funcionamento desses sistemas se dá pelo conjunto de radar e câmeras instalados na carroceria e para-brisa do veículo. Eles ainda são responsáveis pelo alerta de colisão frontal com frenagem automática, assistente de farol alto, alerta de tráfego traseiro cruzado, sensor de estacionamento e câmera 360° com detecção de objetos.

SUV ganha tapa no visual, novas tecnologias e suspensão refinada, mas mantém acabamento e velho motor 1.6

No entanto, embora sejam sistemas de grande relevância para garantir a segurança dos ocupantes, a maioria deles só está disponível no pacote opcional Tech. A exceção são os sensores de estacionamento traseiros e a câmera 360º - que ajudam e muito nas manobras.

Além disso, o modelo segue oferecendo o “Controle Eletrônico de Chassi”, que se baseia na leitura da velocidade da roda, taxa de guinada - que é aquela escapadinha na curva - e índice de frenagem, para prever o risco de um possível capotamento e ajudar na redução de velocidade e direção.

Interior e espaço

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Por dentro, a expectativa para um visual renovado foi quebrada quando abrimos a porta e vimos que painel, volante, console e mostradores seguem iguais aos oferecidos na linha 2021, e que acaba destoando da parte externa maquiada do novo Kicks.

O velocímetro ainda é analógico e divide espaço com o painel de instrumentos multifuncional de 7 polegadas em TFT, que conta com 12 funcionalidades. Já a central multimídia é nova, de 8 polegadas, e compatível com Apple CarPlay e Android Auto. O sistema oferece duas portas USB - uma do tipo A e outra do tipo C - responsáveis pela conexão e espelhamento de smartphones. 

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Quem gosta de música em alta qualidade vai curtir o sistema de som da versão mais cara. Os alto-falantes da Bose com personalização de foco na cabine via central dão uma experiência de áudio superior ao oferecido pela Volkswagen com o sistema Beats no T-Cross.

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O ar-condicionado é automático e digital, mas o acabamento interno é repleto de plástico rígido. Diferentemente de VW T-Cross e Hyundai Creta, o Kicks tem uma faixa horizontal macia ao toque na parte central do painel, que alivia a simplicidade. 

Os bancos com tecnologia Zero Gravity, o volante revestido em couro sintético na versão Exclusive e o alojamento do câmbio contornado em preto brilhante no console central contribuem para um visual mais agradável nesta versão.

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Entretanto, além de as guarnições das portas continuarem demasiadamente simples e tomadas por plástico duro, outro ponto negativo fica para o descansa-braço exclusivo desta versão. Ele atrapalha o uso da alavanca de câmbio e até do freio de estacionamento. 

Todas as vezes que tentei acionar esses mecanismos, meu cotovelo bateu contra o descansa-braço e o jogou para cima. Seu funcionamento lembra os de uma chave tipo catraca, podendo travar em qualquer posição. 

Outro fato inusitado é que, de acordo com as dimensões passadas pela Nissan, a renovação do SUV calhou na redução de 1 cm de entre-eixos. Isso não interferiu no espaço interno, que, na prática, segue igual ao da linha 2021.

A única mudança significativa é do comprimento do modelo, que ficou 1,5 cm mais esticado, diminuindo, consequentemente, em 2º do ângulo de ataque. Ou seja: as chances de raspar o para-choque numa valeta aumentaram. 

SUV ganha tapa no visual, novas tecnologias e suspensão refinada, mas mantém acabamento e velho motor 1.6

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Kicks 2021: 4.295 mm de comprimento; 1.760 mm de largura; 1.590 mm de altura; 2.620 mm de entre-eixos; peso, 1.136 kg; porta-malas, 432 litros; carga útil não divulgada; ângulo de ataque, 20º; ângulo central não divulgado; ângulo de saída, 28º; vão livre do solo, 200 mm.

Kicks 2022: 4.310 mm de comprimento; 1.760 mm de largura; 1.590 mm de altura; 2.610 mm de entre-eixos; peso, 1.139 kg; porta-malas, 432 litros; carga útil, 411 kg; ângulo de ataque, 18º; ângulo central não divulgado; ângulo de saída, 28º; vão livre do solo, 200 mm.

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Itens de série

- Acendimento inteligente de faróis
- Seis airbags (frontais, laterais e de cortina)
- Bancos dianteiros com tecnologia Zero Gravity
- Volante multifuncional com comandos de áudio e telefone
- Controle de tração e estabilidade
- Sistema de ancoragem Isofix para cadeirinhas infantis
- Freios ABS com distribuição EBD e assistência BA
- Regulagem e rebatimento elétricos de retrovisores elétricos
- Assistente de partida em rampa
- Vidros elétricos em todas as portas com função um-toque e antiesmagamento
- Volante com regulagem de altura
- Câmera de ré
- Piloto automático com comando no volante
- Luz de condução diurna
- Sensor de estacionamento traseiro
- Chave presencial
- Retrovisor interno eletrocrômico
- Central multimídia Nissan Connect de 8 polegadas compatível com Android Auto e Apple CarPlay
- Painel de intrumentos de 7 polegadas com 12 funções e comandos no volante
- Bancos e volante com acabamento premium
- Ar-condicionado automático digital
- Faróis dianteiros Full LED
- Descansa-braço para primeira fila
- Controle inteligente de freio motor, curvas e de carroceria
- Sistema de som premium Bose com alto falante no encosto de cabeça do motorista
- Câmera 360º

Pack Tech: acendimento de faróis com ajuste de altura e intensidade, alerta de colisão frontal com assistente de frenagem, alerta de mudança de faixa, alerta de tráfego cruzado traseiro e alerta de ponto cego.

A marca também adiciona entre os acessórios que podem ser comprados separadamente: carregador por indução, sensor de estacionamento dianteiro, soleira de portas, acabamento cromado na régua superior a placa no porta-malas, sistema tilt down no retrovisor e tapetes de bandeja.

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Conclusão

SUV ganha tapa no visual, novas tecnologias e suspensão refinada, mas mantém acabamento e velho motor 1.6

O título desta avaliação diz tudo sobre o Kicks 2022: a Nissan realmente tentou  renovar ao máximo o SUV, que está para completar cinco anos de mercado, mexendo em pontos mínimos e estratégicos. 

O tapa no visual deu certo, pois o novo design agrada aos olhos, principalmente quando falamos da combinação de cores das fotos desta avaliação. O novo balanço dianteiro merece maior destaque positivo, pois ficou mais harmônico do que a traseira. Outro aspecto importante está no refinamento da suspensão.

O ponto mais negativo ficou com o interior do veículo, que praticamente não mudou. Ok, estamos falando de uma reestilização e não uma troca de geração. Entretanto, também conforme dissemos, o Kicks já é um produto com quase cinco anos de vida e merecia ter sido rejuvenescido com mais afinco também na parte interna.

A garantia de perdão por este vacilo seria a chegada da versão híbrida, que é esperada para chegar ao mercado no ano que vem, como linha 2023. Só que a Nissan não quer dar mais detalhes sobre o assunto. Os tempos são de um mercado retraído e o investimento na tecnologia pode bem ser congelado. Aguardemos.

[video] 

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