Teste: Nova Honda XL750 Transalp consegue brigar com a Yamaha Ténéré 700?

Depois de 12 anos fora do mercado, o nome Transalp retoma a nostalgia e a linha big trail de alta cilindrada para brigar em um segmento bem aquecido

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15.02.2026 às 10:10

No último Festival Interlagos Motos, que aconteceu no mês de maio de 2025, a Honda apresentou uma sequência de lançamentos que iriam chegar a sua linha à partir do segundo semestre do ano passado. Entre eles, estava a Transalp, um nome que causou nostalgia assim que foi dito no ato do lançamento.

Lançada em 1987, ainda com 600 cilindradas, ela passou por diversas evoluções técnicas até chegar na sua terceira geração no mercado europeu em 2007, chegando ao nosso mercado em 2011, onde vendeu poucas unidades e saiu de cena em 2014. Desde então o nome Transalp era apenas saudade dos que puderam ter contato com o modelo na época.

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Depois de apresentada no Festival Interlagos, o mês de novembro iniciou a pré-venda da Transalp e na última semana, pude testar em diversos terrenos o modelo e, sem spoilers, me surpreendi.

A convite da Honda saí de São Paulo (SP) para Florianópolis (SC), e rodamos mais 35 km para Santo Amaro da Imperatriz. E então pudemos ter contato, enfim, com a XL750 Transalp.

Design

No design, ela chama atenção, principalmente por conta de suas cores que remetem exatamente à primeira geração do modelo, sendo predominantemente branca com faixas em azul e vermelho. O conjunto ótico dianteiro é totalmente em led com dois projetores, proporcionando boa iluminação e as setas, que também fazem o papel de luzes de posição, também são em led. Logo acima do farol, a Transalp traz um para-brisa que ajuda a desviar o vento em altas velocidades.

Na traseira, ela traz a iluminação em led e nas carenagens traseiras apenas o símbolo da Transalp seguido da inscrição 750. A alça do garupa é robusta e já traz a furação para o suporte do top case, que para uma big trail é essencial.

Surpreende o tamanho da moto, que inspira robustez, principalmente na dianteira graças ao tamanho das carenagens que envolvem o tanque de combustível, conectando-se ao farol. Aliás, o tanque tem 16,6 litros de capacidade, o que vai oferecer uma autonomia de aproximadamente 330 km.

Motor, suspensão e freios

O motor, é um super quadrado de 755 cilindradas, arrefecido a líquido que vai entregar potência de 69,3 cavalos e torque de 7,04 kgfm. O câmbio é manual de seis marchas e tem assistência hidráulica no acionamento do manete e embreagem deslizante. Como ele traz acelerador eletrônico, é possível ter os modos de pilotagem que estão divididos entre Standard, Sport, Rain, Gravel e dois Users, para que possa ser personalizado entre potência, controle de tração e freio motor. Mas falo dos modos mais para frente neste texto.

A suspensão dianteira é da Showa, garfo telescópico invertido, com 200 mm de curso e permite ajuste de carga nos amortecedores, com 15 possibilidades. Na traseira, também é usado o conjunto da Showa, porém do tipo pró-link e 190 mm de curso com 7 ajustes de pré carga, permitindo acertar a suspensão ao gosto do piloto.

Nos freios, discos duplos na dianteira com 310 mm cada um e pinça Nissin. Na traseira o disco é simples com 256 mm de curso e, tanto na dianteira, quanto na traseira, o sistema ABS está presente para garantir segurança nas frenagens.

No modo de pilotagem Gravel, é possível desligar o ABS traseiro para melhorar a experiência do piloto.

Painel

O painel é de TFT e traz leitura fácil dos instrumentos e configuração igualmente fácil por meio do seletor no punho esquerdo, onde é possível ajustar diretos parâmetros da motocicleta e personalizar os dois modos de pilotagem reservados para isso.

Dito tudo isso, vamos agora enfim andar na moto.

Como anda?

Saímos de Santo Amaro da Imperatriz em Santa Catarina, rumo a cidade de Bom Jardim da Serra, em um trajeto de pouco mais de 180 km, seguindo pela Serra do Rio do Rastro, ponto turístico da região que é obrigatório para quem anda de moto e se você, caro leitor, ainda não fez, faça! Vale cada quilômetro rodado.

A Transalp de cara me surpreendeu do jeito que a moto me vestiu, o que é uma característica das motos da Honda, que tem ergonomia excelente, mesmo na linha de entrada.

A altura em relação ao solo de 21,2 cm e a altura do banco de 85,5 cm, são suficientes para que eu que tenho 1,85 m de altura consiga colocar os dois pés no chão sem maiores problemas, o que dá para estimar que pessoas com altura mediana consiga andar na Transalp sem ter que fazer acrobacias.

Ligamos a moto e seguimos rumo a Bom Jardim da Serra com o trajeto começando no asfalto, em um pequeno trecho urbano até alcançar a rodovia, que com o perdão dos leitores, não saberei dizer qual foi a que utilizamos.

Mas de cara, a Transalp mostrou facilidade na pilotagem, mesmo sendo uma moto de 193 kg no seu peso seco, o que com todos os fluídos mais o tanque cheio, facilmente chega aos 210 kg. Não é necessariamente leve, mas tem peso aceitável por ser uma big trail.

Saí sem puxar forte na aceleração para entender a moto e para a minha surpresa, mesmo em baixa rotação o torque já é bem presente, o que me fez lembrar que por ser um motor “super quadrado”, o torque vem em qualquer faixa de rotação, permitindo que se tenha uma performance maior com o acelerador mais aberto.

Aliás, devo confessar que na hora que abri para valer o acelerador e a Transalp alcançou os 6.000 giros, eu assustei achando que a moto iria levantar a frente, tamanha foi a crescida que o motor deu. E eu nem estava no modo Sport, estava ainda no modo Standard que entrega o melhor dos mundos entre potência, freio motor e controle de tração.

No modo Sport, ela se torna mais arisca e a entrega é plena, o delay do acelerador reduz e a moto fica deliciosamente rápida nas reações.

As curvas com a Transalp são fáceis de fazer, graças à suspensão que entrega firmeza suficiente para entrar nas curvas com velocidade e segurança. Os pneus, no asfalto dão conta de manter a moto grudada no chão e, acredite, ainda que big trails não tenham o perfil de serem necessariamente divertidas, a XL750 é bastante divertida e confortável com rodar suave independente do regime de rotação utilizado.

Em algum momento da viagem tive que fazer uma frenagem mais forte e os freios surpreenderam também com a tranquilidade que ofereceram na parada que foi sem sustos e sem utilizar totalmente o sistema, o que significa que o sistema está superdimensionado, o que é bom e vai parar a moto mesmo com garupa e peso nas malas laterais e top case, quando instalados.

Anda bem, freia bem e ainda me trouxe um consumo na casa dos 20,5 km/l, o que foi bom, dado a forma que a moto foi utilizada, sendo um teste e não apenas um passeio. Na subida da serra do Rio do Rastro, a segunda marcha deu conta de oferecer potência nas baixas rotações e quando mais solicitado o motor, não houve necessidade de passar para a terceira marcha, o que deixa claro que a moto está bem escalonada para ser usada em qualquer situação com tranquilidade.

Em um trecho da viagem, andamos na estrada de terra, um trecho curto de aproximadamente 8 km, mas cheio de buracos, depressões e curvas para sentir como a Transalp se sairia. E só não darei nota máxima para o desempenho, por notar que a frente estava leve demais, deixando claro que com um pouco mais de abuso, a frente da moto tornaria o piloto um mero passageiro.

Mas não é por falta de acerto da suspensão, já que existem 15 possibilidades, mas, sim, o pneu Dunlop instalado na moto que para mim, deixou clara a necessidade de troca para dar mais segurança.

Quanto à suspensão, parecia que eu estava no asfalto, tamanha a capacidade de filtrar as irregularidades do piso, onde de fato me senti como se estivesse flutuando na moto. E como dito, apesar de ter 15 possibilidades de ajustes na suspensão dianteira e 7 na traseira, as motos utilizadas para este teste, estava no padrão de fábrica, dando ainda uma série de possibilidades para o piloto melhorar ainda mais o desempenho da Transalp no fora de estrada.

Vale dizer que como estávamos com a moto no padrão de fábrica, o freio ABS traseiro, mesmo no modo Gravel, estava ligado e isso me chamou a atenção pois no fora de estrada, não desligar o sistema ABS da moto quando possível é pedir para passar perrengue, o que não aconteceu, pois o freio é bem calibrado e permitiu andar com o ABS ligado sem nenhum susto, pelo contrário, confortavelmente.

O modo Gravel dá uma ligeira aumentada no delay do acelerador, o que para quem quer se divertir de verdade no off-road, pode ser um incomodo ao limitar o desempenho da máquina. Durante o nosso trajeto, ela entregou o suficiente, mas para quem exigir mais da moto na terra, vai sentir falta dessa entrega.

E vale a pena levar para casa uma Honda Transalp?

De fato, a Transalp é aquela moto para quem acha a NX500 pouco e a Africa Twin demais, torna-se o modelo ideal para ser a companheira de viagens.

Os acessórios da Transalp são vários, cavalete central, malas laterais, top case, protetor de motor e de carenagem, farol de neblina, para brisa alto, permitindo deixar a moto super bem equipada e pronta para qualquer situação.

Disponível nas cores Branco Perolizado (Ross White) e Preto Metálico (Graphite Black) o preço sugerido da Honda XL750 Transalp é de R$ 65.545, que claro, não incidem frete, impostos e seguros para o transporte da moto.

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