Sucessor do Fiat Argo é substituto que o Uno queria – e tem estratégia de Palio

Hatch terá fabricação nacional, vai retomar tradição de motores turbo da marca e vai ser o responsável por aumentar o volume de vendas

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24.12.2025 às 08:55

A Fiat prepara um grande lançamento em 2026 para celebrar seus 50 anos de Brasil. Trata-se de um hatch fabricado em Betim (MG), que já foi confirmado pela montadora como o substituto do Argo pelo CEO da Stellantis (dona da Fiat), Olivier François, em março deste ano.

O hatch terá como inspiração o Fiat Grande Panda, já lançado na Europa, mas “é o primeiro produto global para a marca Fiat desde a família Palio lançada em 1996”, detalha Olivier.

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No caso do Brasil, o hatch tem tudo para ir mais além: ser o substituto que o saudoso Fiat Uno não teve. O compacto de três letras permanece no imaginário e poderia ser o nome utilizado pela fabricante no novo hatch, que até o momento não teve sua nomenclatura revelada.

O VW Gol, por exemplo, foi descontinuado e, de forma interina, o Polo Track assumiu a vez de “carro popular” – mas acabou se tornando efetivo. Com o Uno não foi diferente, depois da aposentadoria, o Argo dividiu com o Mobi a dura tarefa de substituir o Uno, que foi comercializado por 37 anos (1984-1921).

Vinicius Moreira/Mobiauto

Vinicius Moreira/Mobiauto

O duelo Uno x Gol não foi continuado por Polo Track x Argo. A VW já elegeu seu sucessor para o sucesso do Gol: VW Tera, que nos últimos meses assumiu o posto de carros de passeio mais vendido do Brasil. A Fiat não ficará para trás, mas busca isso em um hatch – que tem, sim, sua pegada mais altinha.

“A linha de estilo é por ali, tem aqueles detalhes mais quadradinhos. Você pega um carro com aquela expressão de design (Dolce Camper) traz para cá [Brasil], avalia, pergunta para o consumidor brasileiro e faz tudo que precisa para que ele seja perfeito para o mercado nacional”, revelou o vice-presidente da Fiat, Frederico Battaglia, em entrevista à Mobiauto.

Fiat Grande Panda à lá Uno

Divulgação/Fiat

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Logo de cara, a plataforma do Grande Panda é a Smart Car, uma evolução da CMP, a mesma base que temos no Brasil para os Citroën C3. Aircross e Basalt. Se há alguma dúvida sobre a capacidade dessa arquitetura basta saber que ela estará presente nas novas gerações de Fastback e Strada.

Outra referência é que o Panda (irmão menor do Grande Panda) foi o representante europeu equivalente ao Uno no Brasil. Agora, o Grande Panda assumiu essa posição, com a busca por hatches com perfil mais alto, quase como SUVs.
Vendido em versões a combustão, híbridas e elétricas na Europa, é uma versão em especial que lembra o Uno na sua essência. Trata-se do Fiat Grande Panda Pop, sem os faróis pixelados das versões superiores, ausência de raque de teto, aerofólio e com rodas de aço de 16 polegadas.

O hatch básico ainda traz peças do para-choque, caixas de roda, retrovisores e maçanetas em preto fosco, o que caracteriza uma versão mais simples.

Divulgação/Fiat

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No Velho Continente, o Grande Panda Pop não tem central multimídia, apenas um suporte para celular. Mas a simplicidade para por aí.

Na unidade europeia, o Grande Panda traz seis airbags de série, assistentes de condução e segurança como frenagem autônoma de emergência. Apesar do acabamento mais modesto, o hatch traz diversidade de materiais para revestir o painel e folha das portas. O painel de instrumentos é digital.

Sob o capô, o motor 1.2 turbo de três cilindros, que entrega 110 cv, aliado com câmbio manual de seis marchas e freio de estacionamento por alavanca.

Divulgação/Fiat

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No Brasil, o motor será 1.0 turbo de três cilindros com 130 cv e 20,4 kgfm de torque, associado à transmissão CVT e sistema elétrico de 12V como Pulse e Fastback.

Na opção mais barata, a expectativa é que o sucessor do Argo receba o que a Fiat já tem na prateleira. Ou seja, o 1.0 Firefly de 75 cavalos de potência e 10,5 kgfm de torque, com câmbio manual de cinco marchas.

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- Repórter

Encontrou no jornalismo uma forma de aplicar o que mais gosta de fazer: aprender. Passou por Alesp, Band e IstoÉ, e hoje na Mobiauto escreve sobre carros, que é uma grande paixão. Como todo brasileiro, ainda dedica parte do tempo em samba e futebol.

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