Por que a VW Saveiro vai deixar de ser fabricada no Brasil

Picape compacta está há mais de 44 anos em linha no mercado brasileiro, mas já tem data de despedida

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04.02.2026 às 18:24

Quando se fala de picape da Volkswagen, é impossível não lembrar da VW Saveiro. O modelo já está no mercado brasileiro há quase 45 anos, está em sua terceira geração e é a representante da marca no segmento de picapes compactas. No entanto, a sua trajetória está próxima do fim.

Ainda em 2024, a Mobiauto já havia adiantado que a Saveiro tinha uma vida curta pela frente. E agora o motivo disso tem nome e sobrenome: VW Tukan. Na última terça-feira (3), a marca alemã oficializou como será chamada sua nova picape.

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Não só isso, a montadora confirmou que a Tukan chega em 2027. Com isso, a Saveiro terá como seu último ano de produção 2026 em São Bernardo do Campo (SP), no polo Anchieta. Atualmente, a picape é vendida em quatro versões, três com cabine simples e uma com cabine dupla. Ambas são equipadas com o motor 1.6 aspirado flex de até 116 cavalos de potência e 16,1 kgfm de torque, com câmbio manual de cinco marchas.

Saveiro e Tukan não podem ser vendidas juntas?

Kleber Silva/KDesignAG

Kleber Silva/KDesignAG

Antes mesmo da chegada da Tukan, é necessário entender o cenário atual da Saveiro. Sua principal concorrente é nada menos que a Fiat Strada, não só o veículo comercial como o carro mais emplacado do Brasil há cinco anos.

Em 2025, a Strada somou 142.891 emplacamentos, enquanto a Saveiro 67.752. A picape da Fiat registrou mais que o dobro da concorrente. E a Volkswagen já enxergou isso há um bom tempo. Tanto que, em 2018, apresentou durante a edição do Salão do Automóvel de São Paulo o conceito da Tarok.

E desde então, o nome da futura picape trocou para projeto Udara até chegar à Tukan. Com a mesma base MQB A0, que equipa quase toda linha de compactos da montadora no Brasil, a Tukan terá um porte de picape intermediária, segmento de Fiat Toro, Chevrolet Montana, Renault Oroch, entre outras já confirmadas.

Logo, por que não permanecer com a Saveiro no segmento das compactas, enquanto a Tukan será encaixada entre as intermediárias?

Acontece que, outra apuração da Mobiauto, descobriu que a Tukan terá três versões para o mercado brasileiro. A configuração intermediária e de topo terão cabine dupla e mais voltadas para o novo papel como “carro de passeio” das picapes.

Já a Tukan de entrada será cabine simples e herdará o motor da Saveiro. Sendo assim, a montadora alemã projeta para Tukan atuar em duas frentes: picapes compactas e intermediárias. Não à toa, segmentos liderados por Strada e Toro, respectivamente.

Divulgação/Volkswagen

Divulgação/Volkswagen

É por isso que a Saveiro sairá de cena. Até porque o polo na Anchieta no ABC Paulista será o foco da montadora dos produtos híbridos. É da lá que sairá o primeiro híbrido nacional da Volkswagen, como confirmado pela marca.

Já a Tukan vai dividir a linha de montagem com o VW T-Cross em São José dos Pinhais (PR). Como a versão de entrada terá o 1.6 da Saveiro, permanece a expectativa pela motorização das versões cabine dupla.

A Tukan terá suspensão traseira com eixo rígido com feixe de mola. Sistema utilizado por quase todas as picapes médias e na Strada. Esse conjunto é focado em oferecer maior capacidade de carga, enquanto sacrifica o conforto dos ocupantes. Aí está um desafio para o time de engenharia da marca.

Por outro lado, a marca procura superar os 750 kg de capacidade de carga máxima da Strada cabine simples. Por isso, o motor as demais versões deve oferecer mais robustez para entregar o fôlego que a Tukan vai precisar.
Uma motorização diesel está fora do baralho, já que para isso, a picape deverá oferecer mais do que 1.000 kg de capacidade de carga na caçamba, algo exigido pela legislação brasileira.

Kleber Silva/KDesignAG

Kleber Silva/KDesignAG

Olhando para prateleira, a marca tem o 1.4 TSI, que oferece 150 cv de potência e 25,5 kgfm de torque. Esse propulsor equipa T-Cross Highline, Virtus Exclusive e Taos. Esse último um SUV médio com um câmbio automático de oito marchas em vez de seis, como no SUV e sedan compacto.

Por conta das normas mais rígidas de emissão de poluentes, a montadora já planeja fabricar um novo motor em sua planta de São Carlos (SP). Trata-se do 1.5 TSI EVO 2, uma evolução do 1.4, já usado fora do Brasil com oferta dos mesmos 150 cv e 25,5 kgfm de torque. A grande diferença é a combinação com conjunto elétrico para formar um sistema híbrido.

Agora, a dúvida não é se a Tukan vai ou não ter sistema híbrido, mas quando. Já que a Volkswagen garantiu que todos os seus produtos feitos no Brasil terão sistema híbrido a partir desse ano.

Projeção abertura: Kleber Silva/KDesignAG

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- Repórter

Encontrou no jornalismo uma forma de aplicar o que mais gosta de fazer: aprender. Passou por Alesp, Band e IstoÉ, e hoje na Mobiauto escreve sobre carros, que é uma grande paixão. Como todo brasileiro, ainda dedica parte do tempo em samba e futebol.

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