Novo Honda WR-V é rival de VW Tera com DNA de City e mais espaço que HR-V
Segunda geração do WR-V foi posicionada estrategicamente para incomodar dois segmentos diferentes de SUV compactos
A Honda apresentou o WR-V e escancarou os preços das versões EX e EXL: R$ 144.900 e R$ 149.990, respectivamente. Pelos preços, o pacote de itens de série e motorização se mostrou interessante frente aos rivais, principalmente quando o assunto é espaço e conforto. Mas faltava guiar o SUV para ver como a marca japonesa preparou o WR-V para o Brasil.
Fruto de um projeto asiático, o WR-V é vendido também como Elevate na Índia, mas surgiu mesmo na Tailândia. Nesse ponto, a engenharia brasileira da Honda atuou bem para calibrar o SUV e deixar no gosto do brasileiro.
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Suspensão
O conjunto é formado por sistema independente do tipo McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira. Nada de diferente de City e HR-V e da grande maioria do segmento.
A vantagem do WR-V está na calibração, mais macia que no irmão SUV, mas firme e próxima do que vemos nos City Sedan e Hatch. Isso vai favorecer os ocupantes principalmente no ciclo urbano com suas imperfeições e obstáculos no asfalto. O modelo absorve bem os impactos e não transfere para quem está na cabine.
Não espere nada muito “fofo”, mas sim um ajuste fino que entrega conforto para quem guia e viaja no WR-V. Porém, boa parte do nosso teste ocorreu no ciclo rodoviário. Ali, o HR-V leva vantagem pela calibração mais rígida, mas nada que deixe o WR-V desconfortável.
Por falar nisso, como o WR-V compartilha da mesma plataforma do City, a posição de guiar é uma das melhores do segmento. É possível ajustar o volante em altura e profundidade, assim como o banco de forma manual. A empunhadura do volante é outro destaque que completa a boa ergonomia do SUV japonês.
O projeto permite a visão do motorista desde o painel de instrumentos, passando por quase todo o capô, sem parecer que o assento do condutor está no andar de cima.
Conforto
Os bancos possuem duas opções de acabamento, sendo tecido (EX) e material sintético (EXL). Têm boa composição tanto para motorista como passageiros, mas poderiam “abraçar” mais os ocupantes da primeira fileira na região do tronco.
Isso não é um problema maior para o WR-V pois o trabalho de suspensão em conjunto com as rodas de 17 polegadas e pneus 215/55 faz o trabalho “sujo” para não deixar a carroceria rolar tanto nas curvas. Afinal, a falta de abas mais proeminentes nas laterais dos bancos diminui o apoio do corpo, e permite alguns desencaixes durante a direção.
São 4,32 metros de comprimento que jogam a favor do WR-V quando o assunto é espaço. Até porque, a Honda conseguiu distribuir bem as medidas para que o SUV compacto tenha 458 litros de porta-malas e 2,65 metros de entre-eixos, o que garante ao modelo japonês um espaço maior que os rivais Tera, Pulse e Kardian, com a mesma medida de T-Cross, por exemplo.
Outra particularidade do WR-V está na frenagem. O SUV tem uma resposta mais bem acertada ao pedal que de City e HR-V.
Tecnologia
Divulgação/Honda
Geralmente, a navegabilidade das centrais multimídias dos modelos japoneses não é um ponto forte, mas o WR-V aproveitou a melhora na tela do HR-V e recebeu sua central de 10 polegadas com pareamento sem fio para Android Auto e Apple Carplay - e o melhor, ela é mais responsiva.
O painel de instrumentos é parcialmente digital e o mesmo que já equipa o City. Ainda que a distribuição das informações seja acertada, a marca japonesa poderia ter investido ao menos em uma nova configuração para o WR-V.
Segurança
Além de contar com seis airbags, o WR-V tem sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, inclusive com câmera de ré - que poderia ter uma definição melhor. Nas duas versões, o modelo recebe os assistentes do pacote ADAS:
- ACC – Controle de cruzeiro adaptativo: permite manter distância segura em relação ao veículo à frente;
- CMBS – Sistema de frenagem para mitigação de colisão: frenagem ao detectar eventual colisão frontal. Identifica pedestres e veículos (inclusive bicicletas e motocicletas);
- LKAS – Sistema de assistência de permanência em faixa: Ajusta a direção para permanência do veículo centralizado nas faixas de rodagem;
- RDM – Sistema para mitigação de evasão de pista: Ajusta a direção ao detectar eventual saída de pista;
- AHB – Ajuste automático de farol: Comutação automática dos fachos baixo e alto dos faróis.
Motorização
Divulgação/Honda
A curiosidade para este quesito era maior que conhecer o carro. Afinal, o que a Honda fez no WR-V? Já que o SUV usa o mesmo motor do City e das versões de entrada do HR-V.
A resposta veio com mais de 300 km de test-drive - boa parte do percurso em ciclo rodoviário e plano na rodovia Oswaldo Aranha (Freeway) no Rio Grande do Sul. No trajeto de ida e volta, o motor 1.5 aspirado mostrou a mesma entrega gradual de City e HR-V dos 126 cv de potência, que precisam de um giro alto do propulsor para entregar tudo o que tem.
O mesmo acontece com o torque de até 15,8 kgfm. Caso queira eles à pronta entrega, o som do motor vai invadir consideravelmente a cabine, mas é bom considerar aquela famosa segurada que os câmbios automáticos do tipo CVT dão antes de o veículo fluir com aumento de velocidade contínua.
Por falar no som, o barulho do vento dentro do WR-V incomoda bastante, principalmente acima dos 100 km/h. O isolamento acústico do SUV está abaixo do que o City e HR-V oferecem, mas acima dos rivais. Mas um SUV desse porte, com volume de tecnologias que tem, pelo preço que custa, tem licença poética para falhar em alguns pontos.
No limite da rodovia (110 km/h), o WR-V mantem os 2.000 rpm no painel e trabalha confortável. As retomada e aceleração serão percebidas facilmente pelo som do motor aspirado, mas a usina tem uma entrega dentro daquilo que o motorista precisa - e sem precisar da turbina.
Bom mesmo é o consumo do modelo. A Mobiauto ainda avaliará o SUV com calma para tirar os números reais, mas os disponibilizados pelo Inmetro enchem os olhos:
- Etanol: 8,2 km/l na cidade e 8,9 km/l na estrada
- Gasolina: 12 km/l na cidade e 12,8 km/l na estrada
Pelo padrão dos modelos Honda, é possível obter números melhores, principalmente na estrada e com gasolina.
Como prova de confiança no WR-V, a Honda ofereceu também seis anos de garantia sem limite de quilometragem. Soma-se ao preço competitivo e o WR-V se colocou em um lugar que oferece mais que as versões de topo dos SUVs menores até R$ 150 mil e ainda faz os compradores de T-Cross, Creta, Tracker e Fastback de entrada pensarem bem.
Essa conta ainda será fechada com a chegada de Nissan Kait, Chevrolet Sonic e Toyota Yaris Cross. Mesmo assim, o WR-V pode se considerar o sucessor de fato do Honda Fit, para ser o “primeiro SUV de muita gente” como a marca japonesa pretende.
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