Corsa Moon: a versão do hatch que queria ir à Lua
Hatch já teve duas versões com visual espacial e o objetivo de rodar sobre a Lua
A missão Ártemis II é considerada o primeiro voo com astronautas dentro de um plano da NASA de levar a humanidade de volta à Lua, que partiu no início de abril desse ano. A ideia dessa viagem, com duração de 10 dias, não inclui um pouso na superfície lunar, mas sim apenas contornar seu entorno para estudos, explorando seu lado oculto para uma futura nova visita.
Agora, imagine quando finalmente chegar a hora de aterrissar em solo lunar, e um dos primeiros contatos com uma área totalmente nova ser com um Corsa. Sim, essa ideia existiu.
Vamos voltar quase 30 anos, mais especificamente em 1997. Foi quando a Opel, marca que por muitos anos pertenceu à General Motors, mesmo que grupo que a Chevrolet , apresentou o chamado Opel Corsa Moon.
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A silhueta era basicamente a mesma do Corsa B, segunda geração do modelo, que chegou ao Brasil em 1994 e era comumente apelidado de “Corsinha”.
O protótipo nasceu diretamente da equipe interna da marca, o Opel Design Center, localizado em Rüsselsheim, na Alemanha, e foi criado para celebrar os 25 anos do centro, inaugurado em 1972.
A ideia de escolher o Corsa era justamente causar contraste. Um modelo conhecido por ser um fenômeno de vendas e “queridinho” da marca passou por uma transformação radical. O hatch de linhas arredondadas, proposta urbana e visual amigável virou um veículo de exploração lunar.
Divulgação/Stellantis
Mas o que foi feito? Começando pelo que mais chama atenção: as rodas. Em vez de pneus de borracha inflados com ar, o Corsa Moon utilizava rodas com malha de aço entrelaçada, inspiradas no Lunar Roving Vehicle (LRV) da NASA, usado nas missões Apollo 15, 16 e 17.
Esse conjunto não era apenas estético. Pelo contrário, em teoria, pneus convencionais explodiriam na Lua por conta da pressão. A solução em malha metálica permitiria tração no solo lunar, além de maior resistência.
O carro também recebeu pintura prateada fosca, remetendo à uma nave espacial. Ganhou uma espécie de quebra-mato robusto na dianteira, estribos laterais integrados, antena parabólica no teto simulando transmissão de dados, dois painéis solares para captação de energia e um holofote potente para iluminação.
Apesar de todo o visual externo voltado à exploração, o interior do Corsa Moon de 1997 era basicamente o mesmo de um Opel Corsa Swing de série, com bancos de tecido e o mesmo painel de instrumentos.
Divulgação/Stellantis
As mudanças também não chegaram a parte mecânica. O modelo manteve o motor 1.4 de 60 cavalos de potência e 10,5 kgfm de torque, com câmbio manual de cinco marchas e tração dianteira, mesmo com visual que remetia a um 4x4.
Como dito, era um protótipo não funcional. Ou seja, nunca rodou de fato, nem em ruas europeias e muito menos na Lua. Foi apresentado apenas de forma estática no Salão do Automóvel de Frankfurt, em 1997, e também exibido nas Ilhas Canárias, território espanhol escolhido pelas paisagens vulcânicas que lembram a superfície lunar.
Mais de duas décadas depois, em 2023, a Opel — hoje parte do grupo Stellantis após deixar a General Motors em 2017 — divulgou em seu site oficial o Corsa Moon II, uma releitura moderna do conceito de 1997.
Dessa vez, o modelo foi baseado no Opel Corsa de nova geração, mais especificamente o Corsa-e, 100% elétrico.
A proposta evoluiu: em vez de gasolina, o conceito previa uso de energia solar e células de combustível de hidrogênio, com a ideia de recarga direta a partir da energia solar na própria Lua, garantindo maior autonomia.
As rodas também evoluíram, sendo impressas em 3D com estrutura em treliça de polímero de alta resistência. Segundo a Opel, isso permitiria mais elasticidade no solo lunar, com menor peso em comparação ao conceito original.
A conectividade também foi levada em conta, com integração a satélites e sistemas avançados de navegação, além de modos adaptados à gravidade reduzida da Lua.
Divulgação/Stellantis
Outra diferença importante está na existência dos modelos. Enquanto o Corsa de 1997 foi construído fisicamente, mesmo sem funcionamento real, o Corsa Moon II de 2023 existiu apenas como projeto digital, criado por meio de imagens geradas por computador.
E aqui entra o detalhe final: assim como a missão Ártemis II teve início em 1º de abril, com o lançamento da nave Orion, o anúncio do Corsa Moon II também foi feito em 1º de abril, mas em 2023. Ou seja, tudo não passou de uma brincadeira de Dia da Mentira por parte da Stellantis.
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