Como os novos SUVs compactos podem influenciar o segmento de hatches

Procura por SUVs pode tirar os hatches do mercado?

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19.02.2026 às 13:49

Os SUVs estão, cada vez mais, dominando as ruas do Brasil, ocupando o espaço que antes pertencia aos hatches. No ranking de vendas de veículos 0 km eles já são maioria entre os dez carros mais vendidos do país. Na mesma proporção, os hatches começam, aos poucos, a desaparecer dos catálogos das montadoras.

Diante desse cenário, naturalmente, surge a pergunta: Será que SUVs vão, de fato, tomar o lugar dos hatches?

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Para entender as novas tendências, a Mobiauto conversou com Milad Kalume Neto, diretor executivo da K.LUME, Consultoria Automobilística, que contou através de sua ampla vivência de mercado, quais são as perspectivas para os próximos anos.

Antes de entrar no tópico, é importante retomar o importante papel que os hatches ocuparam por muito tempo no Brasil: de serem além da porta de entrada das montadoras, serem responsáveis pelo maior volume de vendas para a marca.

No entanto, essa história mudou. Como ressalta o especialista, apesar ainda de posicionados como os modelos mais acessíveis, eles não são mais os responsáveis pelo maior número de emplacamentos: “Os hatches já são os veículos de entrada e já não estão posicionados nas faixas de valores que mais vendem (entre R$ 95k e R$ 125K).”

“Os SUVs estão adquirindo mercado dos sedans e, principalmente dos hatches. (...) Com a introdução de novos SUVs de entrada (como o VW Tera), a partir deste ano, teremos um avanço ainda maior deste segmento que continuará "roubando" mercado (...) provavelmente os SUVs tenham picos de participação de mercado de 50% ao longo dos meses (mais para o final do ano) o que deixa o Brasil alinhado com a tendência mundial. “, explica o especialista.

Dentro do próprio nicho de SUVs, estão se formando subgrupos. Como bem lembrado por Milad, o Volkswagen Tera é um bom exemplo disso. Dentro do portfólio da marca alemã, ele está na base da pirâmide, ofertado na faixa de preço entre R$ 100 e R$ 150 mil. Posicionado abaixo do Nivus, que está entre R$ 150 e R$ 190 mil. Nesse cenário, o modelo de topo é o T-Cross, que pode ultrapassar os R$ 200 mil.

E sabe o que estes três modelos tem em comum, além da carroceria SUVs? Todos são compactos, mas estão divididos em alcançar públicos-alvo diferentes.

O mesmo já acontece em outras montadoras. A Fiat, por exemplo, tem o Pulse, que briga simultaneamente com Tera e Nivus e o Fastback, que disputa mercado com o Nivus e T-Cross. E, em breve, a montadora ainda terá um carro “camaleão”, o novo Argo. Mesmo homologado como hatch, terá porte comparável à de SUVs compactos na faixa dos R$ 100 mil e poderá rivalizar com modelos das duas categorias.

Mas apesar dessa crescente constante, onde em 2025 os SUVs representaram 43% do total de vendas entre carros e comerciais leves e 54,8% considerando apenas os modelos de passeio, Milad destaca que os hatches não deverão desaparecer do mercado tão cedo:

“Eu não vejo risco de os hatches sucumbirem como ocorrido com as peruas no passado. Existe margem para convívio de ambas as plataformas.”
Segundo ele, a expectativa é que eles assumam um papel de protagonistas nas vendas diretas. Servindo, principalmente, ao uso das locadoras, frotas de táxis urbanas, e frotas corporativas, num processo de terceirização que tende a crescer ainda mais nos próximos anos.
Além disso, Milad reforça que dentro do segmento de hatches, os elétricos também não devem tomar o lugar dos modelos a combustão tão cedo: “O mercado não está, neste momento, direcionado para esta ou aquela tecnologia. Entendo que exista espaço para ambos coexistirem por muitos anos e, principalmente, juntos por intermédio das tecnologias híbridas.”

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