Por que o Hyundai Creta 1.6 turbo perdeu potência ao virar flex?
Motor ficou menos potente, mesmo usando etanol, para atender novas normas definidas pelo governo brasileiro
O Hyundai Creta chegou à linha 2027 com o motor 1.6 TGDI atualizado com a tecnologia bicombustível para funcionar com etanol em qualquer proporção, equipando as versões Ultimate e N Line – esta promovida ao topo da gama do SUV.
Antes de virar flex, o motor 1.6 turbo entregava 193 cv de potência apenas com gasolina. Agora, o propulsor passa a gerar 173 cv com o combustível derivado de petróleo ou 176 cv quando abastecido com etanol.
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A Hyundai alega que a redução de até 20 cv na potência não afeta o desempenho do SUV no uso cotidiano, uma vez que o torque máximo de 27 kgfm não foi alterado.
Mas por que o Hyundai Creta 1.6 turbo perdeu potência?
DIvulgação
O motor 1.6 TGDI teve a potência reduzida, mesmo consumindo etanol, para atender o Programa MOVER (Mobilidade Verde e Inovação) do Governo Federal, que entrou em vigor em meados de 2024 em substituição ao antigo Rota 2030 para ampliar e atualizar a política industrial do setor automotivo brasileiro.
O MOVER atualizou as bases para a concessão de incentivos públicos ao setor, focando mais em critérios ambientais, energéticos e tecnológicos, definindo novos marcos regulatórios de emissões de carbono no país. Entre os principais pontos abordados pelo programa estão a previsão de incentivos para veículos sustentáveis e para a realização de pesquisas e para o desenvolvimento de novas tecnologias e produtos.
O Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) Verde é um dos mecanismos do MOVER que ajusta a carga tributária dos veículos de acordo com o seu desempenho ambiental. O programa aplica menos imposto aos modelos com menores níveis de emissões e maior eficiência energética e cobra mais tributo daqueles com maiores índices de consumo e emissão de poluentes.
O MOVER definiu para a indústria automotiva R$ 19 bilhões de créditos financeiros – que vêm na forma de abatimento de impostos pela Receita Federal - ao longo do período, distribuídos da seguinte maneira: R$ 3,5 bilhões em 2024, R$ 3,8 bilhões em 2025, R$ 3,9 bilhões em 2026, R$ 4 bilhões em 2027 e, por fim, R$ 4,1 bilhões em 2028.
Para além dos R$ 19 bilhões previstos pelo programa, a tendência é que o investimento feito pelas próprias montadoras seja ainda maior. De acordo com a Anfavea (Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores), o montante será de aproximadamente R$ 60 bilhões em pesquisa e desenvolvimento nos próximos cinco anos.
Essa previsão pode ser alterada, uma vez que ainda há fabricantes que não anunciaram os seus investimentos. Para que esse crédito seja liberado, as fabricantes precisam destinar um mínimo de 0,3% a 0,6% da receita operacional bruta para Pesquisa e Desenvolvimento. Na prática, isso significa que a cada R$ 1 investido, a montadora receberá de R$ 0,50 a R$ 3,20 em créditos para abater impostos.
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