Como os veículos eletrificados salvaram as vendas nacionais em 2025

Híbridos convencionais, plug-in, EVs e micro-híbridos registram crescimento de mais de 45%

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16.01.2026 às 14:27

Como havíamos adiantado, os modelos eletrificados (híbridos convencionais, que não contam com recarga externa, híbridos plug-in e EVs) puxaram o mercado brasileiro para cima e fecharam 2025 como responsáveis diretos pela pequena alta, de 2,6%, das vendas nacionais de carros de passeio e comerciais leves. Ao todo, foram comercializados 223,9 mil veículos de novas energias (NEVs) no país, 26% a mais do que em 2024. Apenas para o leitor ter uma ideia, se somássemos os micro-híbridos aos NEVs e descontássemos esta soma do volume total (2,54 milhões de unidades) registrado entre janeiro e dezembro, o setor fecharia o ano passado com queda de -8,8% ao invés do ganho. “Os eletrificados são a categoria que mais cresce, a mais dinâmica e inovadora do Brasil, além da que mais investe e gera empregos. Hoje, ninguém mais tem dúvidas de que a eletromobilidade veio para ficar e que sua virada conquistou o consumidor”, afirma o presidente da Associação Brasileira do Veículos Elétrico (ABVE), Ricardo Bastos.

Em 2025, foram vendidos 181,5 mil híbridos plug-in (alta de mais de 80% sobre 2024) no mercado brasileiro, 80,1 mil EVs (crescimento de 30% sobre o ano anterior) e 42,3 mil híbridos convencionais sem recarga externa (alta de 19%), além de 61,3 mil micro-híbridos (quase 280% mais do que em 2024). Contrariando as “fake news” dos negacionismo automotivo, estas quatro categorias já respondem, juntas, por 11,1% do mercado brasileiro, com os EVs puros (aqueles 100% elétricos) abocanhando uma fatia nada desprezível de mais de 3% das vendas – no caso dos híbridos plug-in, a fatia é ainda maior, de mais de 7%. Em termos comparativos, nos Estados Unidos, os NEVs também fecharam 2025 com 11% de participação, percentual que chegou a 26%, na União Europeia (UE) e beirou os 60%, na China.

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Nenhum segmento e nenhum modelo tradicional (equipado com motor a combustão interna) registrou desempenho melhor do que qualquer uma das quatro classes de eletrificados. “O Brasil é um exemplo daquilo que se observa desde o último trimestre de 2025: que o centro de gravidade da virada da eletromobilidade mudou para os mercados emergentes que, a partir de agora, passam a liderar a transição energética”, pontua o analista do instituto britânico de políticas públicas Ember, Euan Graham. Ou seja, no Reino Unido, berço do liberalismo, se enxerga com mais clareza a realidade do mercado brasileiro do que os negacionistas tupiniquins conseguem ver.

No último ano, os utilitários-esportivos (SUVs) seguiram como preferência nacional, abocanhando quase 55% das vendas de carros de passeio e comerciais leves, com alta de 16,6%, em relação a 2024. Ao todo, foram comercializados 1,09 milhão de unidades de todas as classes de SUVs, dos menores aos grandalhões – das 13 categorias listadas pela Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), apenas duas tiveram crescimento. Já o volume de modelos de novas energias comercializados no Brasil, excluindo-se os micro-híbridos, saltou de 19,7 mil para quase 224 mil, desde 2020 – um crescimento de mais de 1.000%, nos últimos cinco anos.

Entre as marcas de NEVs, a líder BYD fechou 2025 com alta de 46,8% e quase 113 mil unidades emplacadas, no país. A vice-líder Great Wall (GWM) também registrou ganho expressivo, de 46,4% (42,7 mil unidades), enquanto a Volvo fechou a trinca de novas energias com crescimento de 12,5% (9,7 mil unidades). Comparativamente, a General Motors viu seus números caírem mais de dez pontos percentuais (-14,1%) no mesmo período, tendência seguida por Toyota (-16,2%), Nissan (-11%) e até pela prestigiada Porsche (-13,4%). A transição energética também acelera no transporte coletivo, com a eletrificação galopante das frotas de ônibus: nos últimos três anos, o número de ônibus elétricos vendidos no Brasil cresceu 890%.

Ressuscitando

Enquanto as marcas tradicionais enxugam seus portfólios, a oferta de modelos eletrificados vai se diversificando. O ano passado fechou com 400 opções, quase 30% a mais do que em 2024. “Há que se destacar o início da produção de híbridos plug-in e EVs no Brasil, com a inauguração das fábricas da GWM, em Iracemápolis (SP), da BYD, em Camaçari (BA), e da Comexport com modelos da General Motors, no novo polo multimarcas de Horizonte (CE)”, destaca o presidente da ABVE, Ricardo Bastos. Aqui, nunca é demais lembrar que a unidade da GWM funciona numa linha fechada pela Mercedes-Benz, no interior paulista, enquanto BYD e Comexport reativaram plantas abandonadas pela Ford, quando a montadora norte-americana encerrou sua produção nacional. Em outras palavras, a virada da eletromobilidade está ressuscitando aquilo que as antigas montadoras deixaram morrer.

Para quem ainda não acredita que foram os modelos eletrificados que puxaram o mercado brasileiro para cima, no ao passado, vai aí um dado irrefragável: as vendas nacionais, como um todo, registraram 64.777 mil unidades a mais do que em 2024, número que equivale à soma de todos os carros de passeio e comerciais leves, de todas as marcas e motorizações. No mesmo período, portanto entre janeiro e dezembro de 2025, híbridos convencionais, plug-in, EVs e micro-híbridos contabilizaram 91.709 unidades a mais do que no ano anterior – na ponta do lápis, eles não só responderam pelas 64.777 mil unidades adicionais do bolo, como deram 26.932 unidades extras, de lambuja.

Além do Brasil, a virada da eletromobilidade avançou significativamente em outros países latino-americanos, nominalmente no Uruguai, onde os modelos de novas energias terminaram o ano passado com uma fatia de 27% do mercado de automóveis (percentual superior ao registrado na UE), na Costa Rica (17% de participação e uma fatia maior do que a registrada no mercado norte-americano), no Chile (10,5% de participação e crescimento de quase 130%, só em 2025), na Colômbia (10% de participação) e no Peru (7% de participação e alta de 44%).

“Principalmente entre os EVs, as novas montadoras chinesas conquistam um espaço cada vez maior”, aponta o presidente da Câmara Chilena de Indústria Automotiva (CAVEM), Martin Bresciani. “Os produtos chineses trazem um padrão global de qualidade e sua participação no mercado chileno, incluindo os modelos equipados com motor a combustão, chega a 30%. Suas marcas estão em franca ascensão na América do Sul”, acrescenta Bresciani. “Os chineses crescem cada vez mais, porque é possível comprar três picapes de marcas chinesas pelo mesmo preço de duas, de marcas tradicionais”, salienta o revendedor Federico Guarino, da concessionária uruguaia Stars Motors.

Este texto contém análises e opiniões pessoais do colunista e não reflete, necessariamente, a opinião da Mobiauto.

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- Jornalista Automotivo

Trabalha como jornalista há 30 anos, e tem, na Mobiauto, uma coluna com seu nome. Escreve sobre novos carros, indústria e polêmicas do setor automotivo. Mais do que isso, cobre todas as inovações tecnológicas oferecidas do outro lado do mundo.

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