Carros usados supervalorizados: vale a pena comprar pela baixa quilometragem?

Usado popular por valor de carro novo? Confira até que ponto é uma compra viável

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18.01.2026 às 10:30 • Atualizado em 21.01.2026

Comprar um carro novo passa muito pela decisão de sanar uma necessidade ou realizar um sonho. O grande segredo aqui é saber diferenciar a compra racional da compra emocional, entendendo o que pesa mais no seu bolso e, claro, no seu coração.

A compra racional é aquela calculada nos mínimos detalhes. É a escolha de quem quer um carro apenas para servir de “leva e traz”, ou seja, precisa que ele seja econômico, tenha peças de manutenção fácil e um bom valor de revenda.

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Já a compra emocional é, muitas vezes, movida pela paixão e pelo pensamento “eu mereço”. É aquele apego a um modelo específico que você sempre quis ter na garagem, não importa se ele bebe pouco, muito ou se é um usado com manutenção um pouco mais cara.

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Em muitos anúncios e páginas na internet, por exemplo, é comum encontrar modelos mais antigos, mas com uma característica que brilha aos olhos: a baixa quilometragem. São aqueles carros que o primeiro dono praticamente não tirou da garagem e que aparecem com preços lá no alto, muitas vezes acima da Tabela Fipe.

É aí que mora o perigo (e a dúvida): será que vale a pena pagar um grande valor a mais só porque o hodômetro mostra um número abaixo?

Essa supervalorização está longe de acontecer por acaso. No nosso mercado, por exemplo, um carro popular mais antigo, como Volkswagen Gol, Fiat Uno ou Chevrolet Vectra, pode virar item de colecionador e ser visto como uma raridade, muito por conta da média de rodagem dos carros brasileiros, que é alta e varia de 15 a 20 mil quilômetros.

Divulgação/Fiat

Divulgação/Fiat

Segundo Milad Kalume, consultor do setor automotivo e diretor da K.LUME Consultoria, “o comprador ou colecionador de um veículo destes tem a impressão de que está comprando um veículo que não se fabrica mais, quase novo, conservado e que está como se tivesse saído da fábrica.”

E aqui entra um choque de realidade: será que esse “ar” de novo em um modelo de dez ou quinze anos justifica o preço de um seminovo mais moderno? Para Milad, esse valor a mais deve ter um limite claro para não virar prejuízo. “Não faz sentido. O veículo precisa estar bom em todos os aspectos. Ser um produto que tenha ‘pegada’ de mercado e estar conservado.

Penso que a baixa quilometragem vale como um prêmio adicional, mas não um absurdo”, alerta o consultor.

Muitas vezes, o que impacta no preço desses modelos é justamente a sensação de ter na garagem um carro que marcou época ou que tem um significado histórico pessoal para alguém. Nesse ponto, a nostalgia acaba pesando bastante na escolha. Mas, segundo Milad, mesmo nesses casos, o comprador deve ficar atento para evitar que o carro, além de virar um arrependimento, se transforme em um gasto desnecessário. “O consumidor deve ter em mente que existe um limite… por exemplo, um veículo que tenha mudado de geração de um ano para outro… o prêmio não deve, pela lógica, ultrapassar o valor do veículo da geração mais nova, salvo em raríssimas exceções.”

Divulgação/Chevrolet

Divulgação/Chevrolet

Além de observar se o modelo está conservado, o comprador também deve pesquisar se a marca ainda tem força no Brasil. Afinal, um carro pouco rodado de uma fabricante pouco conhecida pode virar uma armadilha na hora de encontrar peças. O conselho de Kalume é equilibrar esses pontos. “o principal é o grau de raridade do veículo e o quanto ele é atrativo ao mercado. Não adianta você comprar um Lifan com 10 mil quilômetros… você só vai arrumar problema pois não somente o modelo, mas a marca não existe mais e os modelos nunca foram atrativos ao consumidor brasileiro. Outro ponto é agir com uma emoção controlada, ou seja, não agir apenas com a emoção! Tenha elementos racionais no processo de busca e compra.”

Mas afinal, vale a pena? Milad responde: “Pesquisar. Carro antigo não é fácil. Manutenção é complexa, achar peças é oneroso e o seu veículo fica parado muito tempo. Se não for paixão, vá para o novo.”

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Pedro Rocha é formado em Jornalismo, na Anhembi Morumbi, em São Paulo. É um amante de carros e contribuiu com Mobiauto durante 2024.

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