Teste: Chevrolet Captiva elétrico é a nova aposta da marca contra SUVs chineses
Seu nome é um velho conhecido, mas se trata de um carro totalmente novo, e não apenas no visual
A Chevrolet finalizou o ano de 2025 com mais um lançamento para compor a sua vasta lista de elétricos, ou EVs, que até então contava com Equinox, Spark e Blazer. O escolhido foi o Captiva, um nome conhecido do mercado brasileiro.
Mas calma: do Captiva a combustão vendido por aqui entre 2008 e 2017, este novo modelo pega emprestado apenas a nomenclatura, já que, além da motorização e do visual, estamos falando de um carro totalmente novo.
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O ponto é que, diferente do outro, que era importado do México, este vem da China e é feito pela joint venture Saic-GM-Wuling. O modelo, inclusive, é derivado do Wuling Starlight S, SUV médio chinês que compartilha a mesma motorização, bateria, plataforma e visual, caracterizado por linhas arredondadas, visual moderno e futurista, faróis afilados de LED e lanternas traseiras horizontais.
Mesmo que inicialmente seja importado, o modelo será produzido no Brasil ainda no primeiro semestre, na Planta Automotiva do Ceará (PACE), em Horizonte.
Partindo de Guarulhos (SP) em direção a Campos do Jordão (SP), a Mobiauto testou a única versão do novo SUV elétrico em um percurso de aproximadamente 169 km.
Principais impressões
Ao entrar no SUV, o conforto e a sofisticação são nítidos. Destacam-se o painel e as portas, que são revestidos por um material premium e sensível ao toque, além dos bancos, que, revestidos mais premium, oferecem conforto aos cinco ocupantes.
Falando em espaço, não podemos deixar de destacar o bom espaço interno, tanto para os ocupantes da primeira quanto da segunda fileira. Ao sentar-se no banco de trás, inclusive, é nítido o bom espaço para os membros inferiores, com uma distância de cerca de dois palmos das minhas pernas até o encosto do banco da frente, que também estava ajustado para uma pessoa da minha altura, 1,84 metro. Um ponto positivo que evidencia como a marca soube aproveitar bem os 2,80 metros de entre-eixos.
Conforto anda lado a lado com tecnologia, e nisso o Captiva acaba entregando mais do mesmo do que já vemos em outros elétricos do mercado. Mas um dos pontos que mais chamam a atenção ao olhar a cabine é sua grande central multimídia de 15,6 polegadas, que ganha ainda mais destaque ao perceber o painel minimalista, alinhado à proposta elegante da montadora.
Os recursos na tela são fáceis de acessar, com conectividade Android Auto e Apple CarPlay, além de diversas funções de entretenimento, incluindo o apelidado “modo DJ”, que permite acessar serviços de streaming, rádio e podcasts.
O painel de instrumentos tem 8,8 polegadas e fica posicionado atrás do volante de forma a facilitar a visão de quem está dirigindo, além de exibir informações de maneira limpa, como autonomia, pressão dos pneus e consumo de energia.
Todas as funções da multimídia são facilmente acessáveis e respondem muito bem aos toques. Um ponto negativo, porém, está no excesso de comandos apenas por tela digital. Ao conectar o Apple CarPlay ou Android Auto, é necessário sair da tela espelhada para acessar os modos de condução ou até regular a temperatura e a intensidade do ar-condicionado, que é de uma zona. Algo que dificulta o uso e compromete a atenção do motorista, ainda mais quando se está dirigindo sozinho.
Sim, entre os poucos botões físicos disponíveis, existem os reguladores do ar-condicionado. Porém, as informações de aumento ou diminuição não são exibidas em nenhuma parte da grande tela central.
Já que falamos sobre conectividade Apple Carplay e Android Auto, é bom lembrar que aqui, ela é com fio. A própria marca afirma que não existe a possibilidade de atualização de software para este modelo específico, algo visto no Geely EX2, por exemplo, em que a Geely lançou uma atualização do sistema para aceitar o espelhamento, que antes não era possível. Ou seja, caso o uso do cabo seja um incômodo, uma atualização só deve acontecer em uma próxima linha do Captiva EV.
E como é dirigir?
A direção é um dos pontos altos do projeto e segue a mesma linha de conforto aplicada ao visual. A experiência de guiar o modelo é leve e direta, com respostas ágeis e boa estabilidade.
O conforto também aparece por dentro. O banco do motorista é facilmente regulado de forma elétrica e oferece uma posição confortável para dirigir. O volante tem dois raios, com um estilo mais esportivo, ajustes de altura e distância, além de ser multifuncional, com comandos integrados para acessar os sistemas de entretenimento. Como já dissemos, o ponto negativo é que as informações, quando controladas pelos botões físicos, também não são exibidas na multimídia enquanto ela está espelhada.
A suspensão também se mostra estável e confortável. Mesmo com as irregularidades do nosso asfalto, ela consegue absorver bem os impactos dos buracos, cumprindo o papel que a marca propôs ao modelo, de ser bem regulado e focado no uso familiar.
É um carro leve de dirigir, mas que combina essa leveza com firmeza, indo bem inclusive nas curvas, que são muitas considerando o caminho. É justamente essa direção mais firme que evita a sensação de um elétrico “molenga”.
O pacote de segurança e assistentes de condução cumpre bem sua função, e auxiliam a direção do modelo com controle de cruzeiro adaptativo, frenagem autônoma de emergência e assistente de permanência em faixa, que enviam alertas, regulam a velocidade em curvas e até giram o volante em determinados momentos.
O motor de 201 cv de potência rende bem tanto no percurso urbano, para o qual foi claramente calibrado, quanto em rodovias ou até na subida de serra com curvas acentuadas, característica do trajeto até Campos do Jordão (SP).
Claro que, para quem acha que esses auxílios tiram a experiência de dirigir e reduzem o protagonismo do motorista, todos podem ser desativados pela multimídia. Porém, isso só é possível com o veículo parado e o freio de estacionamento eletrônico acionado.
O silêncio na cabine também chama a atenção. É esperado que um elétrico seja silencioso, mas aqui não estamos falando apenas do som do motor, e sim do ruído do vento e das irregularidades do asfalto, que normalmente invadem a cabine. No Captiva, essa invasão é quase nula.
Isso se justifica ao analisar a ficha técnica, já que a marca afirma que o modelo conta com mais de 45 pontos estratégicos de revestimento fonoabsorvente no interior.
E claro, um dos principais temas quando se fala em carro elétrico é autonomia. O percurso de Guarulhos (SP) até Campos do Jordão (SP) tem 169 km, e o SUV partiu com 99% de bateria.
Ao chegar ao destino, o modelo ainda tinha 43% de carga restante e indicava 135 km de autonomia, ficando dentro da média declarada pelo Inmetro, que é de 304 km, mesmo com parte do trajeto sendo em subida.
Lembrando que para o carro elétrico o cenário na estrada é sempre mais negativo que os modelos a combustão. Por isso, é facilmente possível que o Captiva supere os 304 km apontados pelo Inmetro no ciclo urbano.
Considerando que o percurso de volta seria majoritariamente em descida, fazer um bate e volta seria totalmente possível. Ao soltar o acelerador, o movimento de frenagem que passa a recuperar a bateria de 60 kwh.
Custo-benefício
O perfil de quem quer ter um Captiva hoje, é de quem quer ter um SUV elétrico com bom espaço interno, robusto e que te entrega o necessário para o uso urbano. O modelo, mesmo tendo a pinta de tecnológico, não entrega algo absurdamente diferente do que já vemos em outros elétricos, sendo uma compra mais racional do que “emocionante”.
A ressaltar o fato de um dos principais discursos da GM é de entregar um modelo 100% elétrico que gasta bem menos e tem preço semelhante ao de um modelo a combustão.
O Captiva EV é oferecido em versão única, chamada Premier, com preço inicial de R$ 199.990. Em comparação com outros elétricos da mesma categoria, surge como uma opção mais acessível. O BYD Yuan Plus, por exemplo, custa R$ 235.990, entrega potência um pouco maior, de 204 cv, mas tem autonomia menor, de 294 km.
Já o Geely EX5 oferece maior autonomia e mais potência, com 218 cv, porém por um preço mais alto, de R$ 205.800. O Leapmotor C10 também entrega autonomia superior, de 338 km, além de 218 cv de potência, mas custa mais, R$ 204.990.
Motor: Elétrico
Potência: 201 cv/150 kW
Torque: 32 kgfm/310 Nm
Bateria: 60 kWh
Autonomia: 304 km (Inmetro)/>400 km (internacional)
Tração: Dianteira
0 a 100 km/h: 9,9 segundos
Velocidade máxima: 150 km/h
Dimensões e capacidades: 4.745 mm comprimento, 2.800 mm entre-eixos, 1.890 mm largura, 1.675 mm altura, 403 litros de porta-malas, 1.800 kg de peso em ordem de marcha.
Dados técnicos: direção elétrica progressiva; suspensão McPherson independente (dianteira) e four-link independente (traseira); freios a discos ventilados (dianteira) e disco sólido (traseira); diâmetro de giro, 11,3 m; vão livre do solo, 160 mm; ângulo de ataque, 18°; ângulo de saída, 22°; pneus 235/55 R18.
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