Renault Kwid E-Tech 2026: como é o elétrico mais barato do Brasil

Reestilização do hatch ganhou melhorias e permaneceu acessível

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01.12.2025 às 20:37 • Atualizado em 02.12.2025

A Renault foi audaciosa em 2022 quando lançou o Kwid E-Tech no Brasil por mais de R$ 140 mil. Em uma época em que o hatch ainda não tinha concorrentes, o preço apesar de alto era aceitável e cumpria a estratégia da marca de carro elétrico mais barato do país. Mas tudo mudou com a chegada de seu primeiro rival, o BYD Dolphin.

O hatch chinês não chegou ao Brasil para brincadeira, tabelado em R$ 149.800, em seu ano de lançamento, 2023, vendeu mais de cinco mil unidades, enquanto o Kwid elétrico sequer ultrapassou os três dígitos. E para isso, o preço foi reposicionado algumas vezes até que ele recuperasse o preço de mais acessível depois da chegada de tantos concorrentes fortes.

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E desde o ano passado recebeu o preço de tabela de R$ 99.990. Em 2025, ele chegou ao mercado totalmente repaginado, mantendo o seu maior atrativo: ser o carro elétrico mais barato do Brasil.

Ainda importado da China, o Kwid E-Tech chega à linha 2026 buscando atrair ainda mais consumidores. É inegável que o preço abaixo dos seis dígitos aumentou a procura pelo hatch, mas a Renault quer conquistar ainda mais clientes e para isso trouxe um modelo totalmente repaginado para Brasil.

Visual irreconhecível

O visual foi importado da Europa, mais especificamente do Dacia Spring. Que nada mais é do que o Kwid europeu comercializado pela submarca romena da Renault: Dacia.

E a versão elétrica já ganhou elementos da nova assinatura da montadora. Agora conta com detalhes em “Y” nos faróis de LED, lanternas e até mesmo no acabamento interno.

Na nova carroceria, o Kwid E-Tech é marcado por um design que prioriza linhas geométricas, presentes além dos conjuntos ópticos na grade dianteira, na lateria que interliga as lanternas traseiras com logo da marca e nas laterais.

Em comparação com a carroceria anterior, a impressão é de que o novo visual é mais chapado e menos arredondado.

Mudou de tamanho

Apesar da aparência inédita, o Kwid E-Tech não trocou de geração e ele permanece utilizando a CMF-A. Mas a sua carroceria mudou e agora está ainda mais distante das variantes a combustão.

Suas medidas também mudaram:

  • Comprimento: 3,70 metros
  • Largura: 1,58 metros
  • Altura: 1,53 metros
  • Entre-eixos: 2,42 metros

Para efeito de comparação, a carroceria a combustão mede 3,73 metros de comprimento, 1,57 metros de largura, 1,48 metros de altura e 2,42 metros de entre-eixos.

Na prática, os milímetros extras não mudaram significativamente a relação de espaço do carro. Que permanece compacto e prático para o uso no dia a dia e para alguns pode ser considerado “apertado” por dentro.

No meu caso, que meço 1,63 metros de altura o carro tem uma altura ideal entre o banco do motorista e a porta, por exemplo. Mas se o passageiro for mais alto, talvez ele sinta um pouco o “aperto” interno. E uma coisa interessante é que o espaço interno de quem vai na frente é o mesmo de quem vai atrás, ou seja, o nível de altura dos assentos é o mesmo para todos.

Ainda falando sobre estatura, para quem vai na frente à altura do cinto de segurança é ajustável, assim como o volante. Mas confesso que senti falta do ajuste de profundidade, mas pensando na proposta de preço do carro e que para chegar nos cinco dígitos muitos opcionais foram cortados, então é compreensível.

E seu porta-malas permanece como referência na categoria de subcompactos elétricos, com 290 litros de capacidade. Maior que concorrentes como BYD Dolphin Mini, que oferece 230 litros e GWM Ora 03 que oferece 228 litros.

Pacote de itens de série irreconhecível

O Kwid E-Tech deixa a desejar em alguns itens de série que nos acostumamos. Como por exemplo o controle dos vidros concentrados junto a outros botões posicionado ao centro, logo abaixo das saídas de ar e não nos apoios de braço. Demora um pouco para se acostumar.

No entanto ele ganha muitos pontos com o novo interior, que foi totalmente repaginado e se distanciou muito na versão a combustão - o que não acontecia anteriormente, com exceção de alguns detalhes, a parte interna do carro era praticamente a mesma.

O novo Kwid E-Tech recebeu um generoso tapa no visual interno. Os bancos ganharam novo formato e estampa, embora ainda de tecido ele brinca com as texturas e tem um design semelhante a um céu escuro cercado por estrelas. Na frente, eles são integrados com o apoio de cabeça, enquanto atrás são separados e possuem ajuste de altura de cabeça.

O novo Kwid elétrico ganhou alguns traços do seu irmão maior, Kardian. Entre eles, o seletor de câmbio do tipo “joystick” posicionado no console central. Outro detalhe emprestado foi o painel de controle digital de sete polegadas, que concentra as informações do carro.

E entre as mudanças mais chamativas, está o volante, compartilhado com novo lançamento da Renault, o Boreal. Ele contém a nova identidade visual do logo da marca e é multifuncional, concentrando comandos de visualização do painel de controle do lado direito e controles ADAS do lado esquerdo.

É valido ressaltar que nessa reestilização o hatch é equipado com 11 sistemas de assistência avançada ao condutor e de segurança. E um deles é o limitador de velocidade, que limita o alcance de 100 km/h no modo de condução ECO e 130 km/h no modo usual. Além disso, ele também é configurável para o limite de velocidade que o motorista preferir.

E o comando desse assistente configurável pode ser um problema em “esbarrões” acidentais devido a sua localização de acionamento, que está concentrada em botões do lado esquerdo do volante. Mais de uma vez, ao girar o volante para fazer uma curva, por exemplo, o comando foi acionado e sua desativação não é simples e intuitiva.

Ainda falando sobre itens de série, a central multimídia é um dos grandes pontos positivos do Kwid E-Tech, mede 10 polegadas e possui espelhamento Apple CarPlay e Android Auto com conexão sem fio. E apesar de ser bastante prático, rodando uma semana com o carro, tive mais de uma vez problemas de conexão e precisei de alguns minutos para reconectar. Além disso, aconteceu de em um caso isolado, a multimídia ficar totalmente preta e não usual por alguns segundos.

E além de subcompacto, o novo Kwid elétrico ganhou itens que facilitam ainda mais na hora da baliza. Entre eles os sensores dianteiros e traseiros e a câmera de ré com dois tipos de visualização. Inclusive, a câmera foi uma grande parceira no momento de estacionar em vagas apertadas, isso porque quando o carro está consideravelmente perto do traz a visualização de imagem muda e é mais precisa, ou seja, você sabe que está na hora de parar quando ela aparece.

E os sistemas de estacionamento dianteiros e traseiros são eficientes, mas durante o dia a dia os dianteiros podem incomodar. Isso porque ele apitará a cada motocicleta que passar próxima ao carro. Mas isso pode ser ajustado na central de controle dentro da multimídia.

Ainda no visual interno, as saídas de ar-condicionado foram redesenhadas e ganharam a assinatura “Y”. Porém, apesar se mais harmônicas e modernas não são usuais. Isso porque, elas não alcançam o motorista e os passageiros, mesmo com ajustes não ventilam de maneira efetiva, o vento não é suficiente para as chegar à mão esquerda do motorista, por exemplo. Mas as saídas antigas que permanecem nas extremidades da cabine são compensam a ventilação interna e são bastante eficientes.

E uma vantagem e desvantagem ao mesmo tempo do Kwid é em relação aos compartimentos de armazenamento de coisas. Porque existem muitos, um em cada porta, um centralizado atrás do seletor de marchas, o porta-luvas e um porta-objetos na linha central. Mas apesar da quantidade, eles não são usuais e para o motorista, todos necessitam de um esforço extra de alcance.

Outra consideração sobre o interior é que ele abriga muitos detalhes em branco, no painel e no compartimento porta-copos, por exemplo, o que pode ser um chamariz de sujeira a longo prazo.

Motor que responde bem

Falando sobre o conjunto motor desse carro está um motor 100% elétrico de 65 cv de potência e 11,5 kgfm de torque. Mas apesar de parecerem números pequenos, por se tratar de um modelo EV o desempenho não decepciona.

O torque instantâneo auxilia o carro a não perder o fôlego em momentos de necessidade, como ultrapassagens e garante que o hatch ande bem para a categoria. Mas ele só usual em velocidades baixas de vias comuns dentro da cidade, em números como 50 e 60 km, acima disso, em estradas ou rodovias em que a velocidade chega mais perto dos 100 km/h o Kwid demorará mais para responder aos pedais.

E uma atenção que deve ser redobrada na estrada é em relação ao modo ECO, que restringe a velocidade a 100 km/h. Então, caso haja necessidade de fôlego, ele deverá ser desacionado. E, se possível, antecipar a ultrapassagem, visto que a resposta ao pedal será gradual e não instantânea.

Uma curiosidade sobre esse carro,é que o “Start” dele é diferente. Apesar de elétrico a chave é do tipo canivete e necessita o encaixe e rotação para ligar o carro, a diferença para os modelos a combustão é que a ignição é revelada por um “click” e não pelo barulho do motor.

Um detalhe interessante sobre esse carro, é que ele te mostra um “feedback” de condução. Onde ele avalia o seu desempenho de otimização de eficiência energética e te aconselha a realizar boas práticas que visam uma condução mais econômica.

E na cidade o Kwid tem uma suspensão na média. Ela amortece bem as imperfeições do asfalto, no entanto o barulho é estridente a cada buraco ou tranco. E a quantidade de plásticos no interior contribuem para a acústica com ruídos do carro.

E na hora de carregar, o Kwid E-Tech é equipado com entrada de carregamento rápido, o que é uma vantagem. E a bateria de 26,8 kWh, segundo o fabricante no carregamento rápido de 30 kW, carrega de 15% a 80% em 40 minutos, que na prática demora cerca uma hora para carregar.

Mas em caso de carregamento lento são 7,4 kW, segundo o fabricante o tempo estimado de 15% a 80% é de 8h57.

Melhorou e ficou mais coerente com preço

O novo Renault Kwid E-Tech 2026 evoluiu bastante em relação ao anterior e oferece um pacote de itens de série bom e que prioriza praticidade e itens de segurança. Pensando no posicionamento de mercado dele, para um modelo de R$ 99.990 elétrico, o Kwid entrega o que é esperado. O hatch entrega bem o que promete, mas, nada além disso. É uma boa opção para quem quer entrar no segmento de elétricos sem muitas expectativas.

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